Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > AOL TIME WARNER

Martin Peers

Por lgarcia em 05/02/2003 na edição 210

AOL TIME WARNER

“Prejuízo gigante leva AOL a cogitar venda de ativos da velha Time Warner”, copyright O Estado de S.Paulo/The Wall Street Journal, 30/1/03

“Depois da divulgação de um prejuízo gigantesco em 2002, executivos da AOL Time Warner Inc. começam a se perguntar se o conglomerado precisa de uma cirurgia radical – como a venda de alguns ativos importantes que formam a base da empresa – para resolver seus problemas financeiros.

As discussões ainda estão em estágio embrionário, sem nenhum sinal de que qualquer ação, se houver alguma, ocorra no curto prazo. Isso posto, há um debate de alto nível sobre se negócios como a gravadora Warner Music que, como qualquer outra gravadora, vem sofrendo com a pirataria pela internet, ou a bem-sucedida Time Inc. deveriam ser vendidos ou desmembrados.

O debate interno tem origem em parte na determinação do diretor-presidente Richard Parsons de reduzir a pesada dívida de US$ 26 bilhões do grupo. As dificuldades financeiras também geraram discussões mais profundas sobre o potencial de crescimento de longo prazo da empresa e questionamentos sobre se a coleção de ativos reunidos por meio de uma série de transações nos últimos 15 anos ainda faz algum sentido. Há também uma crescente sensação de que se Parsons não mostrar progressos em cerca de um ano, grandes acionistas podem substituí-lo por um executivo de fora que tome atitudes radicais.

As discussões entre os executivos da AOL – inclusive o próprio Parsons e seus principais auxiliares – são provavelmente precursoras de um debate semelhante em todos os outros grandes conglomerados de entretenimento, criados a partir de uma série de fusões nas últimas duas décadas. Executivos do setor questionam cada vez mais o valor de conglomerados verticalmente integrados e se perguntam como tais gigantes podem ser administradas com eficiência.

Os problemas da AOL ganharam um espaço maior sob os holofotes na quarta-feira, quando a empresa divulgou um prejuízo de US$ 98,7 bilhões em 2002, devido em grande parte à baixa contábil no fundo de comércio referente ao valor de seus ativos. A AOL também alertou que suas divisões de música e de TV a cabo iriam divulgar resultados ainda mais fracos este ano. Adicionado ao esperado declínio de sua divisão de serviços online, a AOL está prevendo que seus lucros antes de despesas financeiras, impostos, depreciação e amortização não crescerão este ano. Ontem, quinta-feira, no fechamento da Bolsa de Valores de Nova York, as ações da AOL caíram 14%.

Até agora os investidores estavam concentrando sua ira nos problemas da divisão America Online, cuja queda de crescimento tem levado a culpa pelo fracasso da fusão que criou o conglomerado. Hoje os investidores estão percebendo que os negócios da Time Warner – que incluem sistemas e canais de TV a cabo como a HBO e a CNN, revistas, música e cinema – começam a tropeçar depois de mais de um ano de sólido crescimento.

De certa forma a empresa está de volta à estaca zero. Gerald Levin, o executivo que comandava a Time Warner, concordou com a fusão com a America Online para dar mais poder ao que ele via como uma empresa de crescimento lento da ?mídia velha?. Mas ontem, quinta-feira, um alto executivo do grupo disse que ?não há dúvida de que o jogo mudou?. Embora alguns dos negócios da Time Warner, como o estúdio de cinema e a HBO, ainda tenham bom desempenho, a média de crescimento de ?dois dígitos? que passou a ser esperada de empresas em anos recentes ?já não é mais uma meta realista?. O fracasso de fusões de mídia nos últimos anos também vem forçando administradores a se perguntar mais seriamente sobre o valor da mistura de negócios, dizem alguns executivos.

Por isso os altos executivos da AOL começaram a discussão sobre como eles querem que a empresa se pareça em um ano ou dois, dizem pessoas próximas do conglomerado. ?Todas as opções estão abertas?, diz um executivo. Alguns acreditam que o debate ficará mais fácil no futuro, agora que o presidente do conselho da AOL, Steve Case, e o vice-presidente, Ted Turner, anunciaram que deixarão os cargos.”

“AOL perde US$ 98,7 bilhões, e Ted Turner sai”, copyright Folha de S.Paulo, 30/1/03

“A AOL Time Warner teve um prejuízo de US$ 98,7 bilhões no ano passado, o maior já registrado por uma empresa nos Estados Unidos. Instantes depois da divulgação do resultado negativo, o que só ocorreu após o fechamento da Bolsa de Valores de Nova York, o maior grupo de mídia do planeta informou que Ted Turner deixará a vice-presidência da companhia.

O prejuízo recorde e a saída de Turner aumentam as incertezas em relação ao futuro do grupo, que acumula uma sucessão de perdas e crises em seus três anos de história. Antes do buraco de quase US$ 100 bilhões, a AOL já tinha amargado um prejuízo de US$ 4,9 bilhões em 2001.

Apenas no último trimestre do ano passado, o prejuízo ficou em US$ 44,9 bilhões, apesar do aumento nas receitas. As perdas excessivas se deveram à depreciação de ativos e ações, o que significou um custo de US$ 45 bilhões.

Desde que o processo de fusão da AOL Time Warner se concretizou, há dois anos, as ações do grupo já perderam 70% de seu valor. Ontem, antes do anúncio das perdas, as ações da companhia eram negociadas a US$ 13,96.

Os maus resultados da empresa se explicam pelo final do boom da internet e pela queda das receitas publicitárias. Além disso, a AOL esteve envolvida em suspeitas de fraudes contábeis.

Turner, 64, fundador do canal de notícias CNN e maior acionista individual do grupo, disse que abandonará suas funções executivas para dedicar mais tempo a suas atividades filantrópicas. Sua saída ocorre depois da recente demissão de outros altos executivos da corporação.

Há duas semanas, Steve Case, um dos mais celebrados visionários da internet e fundador da America Online, pediu demissão da presidência do conselho da AOL. Dias depois, Walter Isaacson deixou a direção da CNN.

Case e Turner estavam entre os últimos arquitetos da fusão da AOL com a Time Warner que ainda permaneciam na companhia. No mês passado, Jerry Levin, presidente da empresa, também já havia anunciado sua retirada.

Na época da fusão, um negócio de US$ 106,2 bilhões, a união de antigas e novas empresas de mídia fora recebida como paradigmática do que seria um grupo de comunicação pós-internet.

Fazem parte do grupo revistas como a ?Time? e a ?Fortune?, canais de TV como a rede de notícias CNN e o HBO, provedores de internet como a America Online, a gravadora Warner e os estúdios Warner Brothers.”

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