Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES >   MEMÓRIA / MILTON JOSÉ DE OLIVEIRA

Maurício Stycer

Por lgarcia em 20/01/2004 na edição 260

SAMBA & JORNALISMO

“O samba reinventado”, copyright Carta Capital, 21/1/2004

“O jornalista Tárik de Souza mostra o percurso dos maiores bambas da música brasileira e faz picadinho dos seus diluidores.

Na primeira música que fez por encomenda, em 1964, Chico Buarque cantou: Vem que passa/ Teu sofrer/ Se todo mundo sambasse/ Seria tão fácil viver. A música é Tem Mais Samba, e suas palavras falam muito do espírito do recém-lançado livro do jornalista Tárik de Souza, não por acaso batizado com o mesmo título da canção.

Militando desde 1968 (estreou na primeira equipe da revista Veja), Tárik, 57 anos, é um dos mais conhecidos e respeitados jornalistas da área musical, com textos publicados pelos principais jornais e revistas do País. Em Tem Mais Samba, reúne artigos, reportagens e críticas publicados nos últimos cinco anos em diversos veículos, além de material escrito por encomenda de gravadoras e empresas.

Toda a primeira divisão do samba desfila pelo livro, em textos sempre muito informativos e salpicados de humor e ironia. São 80 textos, partindo de um sobre Vó Maria, viúva de Donga, o autor de Pelo Telefone, considerado o primeiro samba, até um sobre Fernanda Porto, música contemporânea, que mistura sambas com ritmos eletrônicos.

?Para uma certa intelligentsia, é como se o samba estivesse à beira da morte. é o contrário. Ele venceu mais uma etapa?

Como diz nesta entrevista, Tárik não tem preconceitos – ouve todo tipo de música -, mas o seu ouvido não tolera alguns absurdos que vêm sendo cometidos há anos por gravadoras unicamente interessadas em ouvir o barulho da caixa registradora. E também se indigna com a falta de cultura dos músicos atuais, em particular dos diluidores da tradição. ?A geração do pagode de butique, agora em fase declinante, passou batida por esse Baudelaire acantonado no Cabaré dos Bandidos?, anota, de passagem, num texto sobre o genial Nelson Cavaquinho.

Tem Mais Samba integra a coleção Todos os Cantos, criada em 1995 (então com o nome Ouvido Musical) pela editora 34, e desde o início coordenada por Tárik. Já são 26 títulos, nos mais variados gêneros (ensaios, biografias, grandes reportagens), sobre os mais diferentes assuntos (da história dos Mutantes à do Sepultura, do choro à música caipira, da vida de Mario Reis à de Jackson do Pandeiro).

Embora nem todos os títulos mantenham o mesmo nível de qualidade, Todos os Cantos se firmou como uma das mais sólidas coleções do gênero. Em Tem Mais Samba, Tárik convida o leitor a uma aula sobre o melhor da música brasileira.

CartaCapital: Você se pergunta na introdução: ?Três raças tristes, como pode esse povo sambar?? Qual é a resposta?

Tárik de Souza: Não há uma via única para essa questão, da qual o próprio livro seria uma resposta. Verdade que o samba não é necessariamente eufórico (daí a falsidade do pagode fabricado) e sua melancolia permeia obras como as de Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Cartola e vozes eloqüentes como a de Araci de Almeida.

CC: Como pode, então, esse povo sambar?

TS: Vou responder com a letra de Samba da Bênção, do poeta e diplomata Vinicius de Moraes, que se intitulava o branco mais preto do Brasil. Pra fazer um samba com beleza/ é preciso um bocado de tristeza/ Senão não se faz um samba, não. Ou seja, ao invés de impedimento (como poderia ocorrer a outros povos com outra formação étnica, cultural) a tristeza foi incorporada como ingrediente do samba. Até mesmo na suposta festa de alegria do carnaval.

CC: O que restou do samba nascido, como você diz, na ?Pequena áfrica?, o Rio de Janeiro do início do século XX?

TS: Este samba fundador impregnou autores posteriores com a semente da africanidade, de Candeia e Martinho da Vila a Wilson Moreira, Nei Lopes e, principalmente, a porta-estandarte Clementina de Jesus, o elo encontrado entre os primórdios e os contemporâneos.

CC: Clementina tem herdeiros?

TS: A herdeira mais visível de Clementina, embora num patamar melódico e harmônico mais elaborado, é Dona Ivone Lara.

CC: Pelo livro, desfilam ?os heróis proletários que derrubaram o apartheid econômico, racial e social para se fazer ouvir?. Conseguiram derrubar mesmo?

TS: O primeiro a ter consciência da possibilidade de utilizar esse trampolim socioeconômico foi Sinhô, autocoroado o primeiro rei do samba. Mulato de origem muito modesta, ele se tornou professor de violão do grã-fino Mario Reis, dialogou com intelectuais como Manuel Bandeira e José do Patrocínio, além de engajar-se na campanha presidencial de Júlio Prestes, sendo recebido pelos modernistas paulistas como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral. Sinhô fez uma ode para a ferramenta de tal travessia: O violão tem seu valor/ Ser dedilhado pela elite toda em flor/ Já pode um preto cantar na casa do senador.

O livro ainda traça várias outras trajetórias de sobrevivência e superação por meio da arte, como a do pedreiro Cartola, do lustrador Paulo da Portela, embaixador das escolas de samba com as autoridades, sempre bem vestido, e do malandro semi-analfabeto Wilson Batista, que se orgulhava de sua condição de vadio e discutia ?teses? com o letrado de classe média Orestes Barbosa.

CC: O seu livro faz uma espécie de apologia da capacidade de adaptação e transmutação do samba, disseminando-se e sendo assimilado nas mais variadas esferas. Você parece ver isso como um fenômeno bem mais positivo do que negativo.

TS: Exato. O livro contrapõe-se a um derrotismo que domina certa parcela da intelligentsia. Como se o samba estivesse à beira da morte e da descaracterização, quando é o contrário. Ele venceu mais uma importante etapa, derrotando toneladas de investimento no pagode comerciante de arquitetura banal e de proliferação mais fácil, graças ao apelo aos clichês.

CC: Dos mais de cem músicos citados no livro, você parece considerar Noel Rosa o número 1. é isso? Quem seriam os seus ?5 mais? do samba brasileiro?

TS: De fato, pode parecer uma heresia, mas um branco – Noel Rosa – me parece o número 1 do samba, idioma tão fincado na negritude. Sua obra multifacetada e modernista é de tal forma extraordinária pela façanha de ter sido composta num espaço de tempo exíguo (dos 19 aos 26 anos) que ouso colocar Noel entre os maiores do mundo em todos os tempos. Cole Porter, George Gershwin, Irving Berlin ou posteriores de outros escalões, como Lennon & McCartney ou mesmo Chico e Caetano (que seguiram seus cânones) nessa idade não tinham acumulado acervo tão denso e projetado para o futuro como o de Noel. Mas, se é relativamente fácil eleger o número 1, os outros quatro sambistas principais têm um ranking muito disputado. Arbitrariamente, mesmo sabendo que cometo injustiças, escolho Nelson Cavaquinho, Wilson Batista, Cartola e Paulinho da Viola.

CC: Em 2002, falando de Nelson Sargento, você escreveu:?O samba mudou?? Mudou por quê?

TS: Houve uma mudança na densidade e no calibre do samba. Com raras exceções, ele ficou mais epitelial para acompanhar a época imediatista em que vivemos. Os Nelsons (Sargento e Cavaquinho) a que me referia na matéria estão entre aqueles artesãos à antiga, cujo trabalho vai sendo lentamente lapidado pelas experiências de vida. Quando um samba sai, ele tem um lastro anímico difícil de encontrar nos novos autores.

CC: O samba teria, então, ficado mais descartável?

TS: Diria que o samba ficou mais permeável, mais poroso, para sobreviver e refletir estes tempos de insustentável superficialidade do ser.

CC: Alguns anos atrás (1997), você observava que a música brega estava asfixiando a MPB. Esse quadro se alterou de alguma forma?

TS: Um pouco. Abriram-se novos canais, através dos selos independentes e dos circuitos de shows (onde os discos são vendidos). Além disso, há a capacidade aglutinadora da internet para uma respiração um pouco maior. Mas a situação ainda é muito grave. A MPB continua exilada em seu próprio país, fora do alcance do povo, confinada em nichos de mercado e importando os próprios discos, mesmo os de samba tradicional, como a Velha-guarda da Portela, gravada no Japão.

CC: Por que o tchan, o sertanejo mauriçola e o sambanejo diluidor, que, como você diz, batucam o samba na caixa registradora, têm mais espaço que o chamado samba de raiz?

TS: A resposta é simples: corrupção. O mesmo mal que destruiu o País em tantas áreas e na da música atende pelo singelo título de jabá. Como essas contrafações são mais fáceis de produzir e vender é nela que as gravadoras investem. Já não se trata mais de propina e sim um pagamento sistematizado para a execução das músicas, como se compra espaço na mídia para um anúncio. O Lobão está tentando criminalizar a prática, mas, juridicamente, é difícil comprová-la.

CC: Você conhece alguma rádio que não aceite jabá?

TS: Essa resposta só uma investigação policial pode dar. Mas as rádios comunitárias, em geral, ficam fora disso.

CC: Por que a MPB, de um modo geral, e o samba especialmente, têm tão pouco espaço nas rádios e nas tevês?

TS: Por causa do jabá. O povo faz o samba, mas não pode ouvi-lo. Não é sintomático?

CC: O que explica o sucesso do funk carioca, um estilo que não prima exatamente pelo bom gosto?

TS: O funk carioca é derivado do Miami Bass e tem aquela mesma estrutura minimalista com o baixo estourado e o ritmo repetido. Na verdade, essa música desossada, veículo de todo o tipo de mensagem (inclusive a apologia do crime organizado), é um grito de desespero da periferia que precisa ser ouvido. A própria precariedade de meios denuncia um afastamento da norma culta (tão almejada pelos antigos sambistas proletários como Ismael, Cartola e Aniceto do Império) e radiografa o fosso cada vez maior existente entre a cidade oficial e a legião marginalizada.

CC: Ao lembrar que Moacyr Luz é a essência de um jeito carioca de ser, você deixa escapar uma nostalgia, dizendo que a ?carioquice está em fase de evaporação?. O que ocorre?

TS: O Rio – tal como foi exaltado em tantas canções – é uma urbe em extinção. A grande vantagem da cidade (além da beleza natural) era sua maleabilidade social. Eu peguei o tempo quando se podia subir à Mangueira (e o fiz) para ir conversar com Cartola sem sustos. Dias depois era possível encontrar Nelson Cavaquinho no Baixo Leblon misturado à boemia da zona sul. Com os grupos sociais barricados entre grades acabou aquela convivência descompromissada que constituía a argamassa da carioquice.

CC: O boom de pequenas gravadoras hoje no Brasil é bom para a música de qualidade? E a facilidade de baixar músicas pela internet?

TS: São as pequenas gravadoras que estão escoando a música de qualidade do País. Em geral, há uma preocupação com a qualidade artística acima do marketing uniformizador de tendências e sotaques. Com a banda larga no preço atual, a baixa de músicas pela internet ainda vai demorar a ter influência no mercado brasileiro. Mas será outro caminho viável para a música menos comercial.

CC: O que explica a crise que atinge as grandes e tradicionais gravadoras multinacionais no País?

TS: Falta de visão empresarial – já nem falo do lado cultural. Se as gravadoras mantivessem a cartilha antiga de investir em artistas de curto, médio e longo prazo, isso não teria acontecido. Hoje impera o imediatismo. Imagine um João Gilberto: seus primeiros discos gravados entre 1959 e 1961 continuam vendendo até hoje (mesmo sub judice, por meio da pirataria). é o chamado disco de catálogo, fundamental por sua venda constante ao longo dos anos, em contraponto aos estouros efêmeros.

CC: Isso é falta de visão, como você diz, ou falta de coragem?

TS: Falta de visão, coragem e até mesmo o cumprimento daquela lei básica que condiciona o ser humano. A do menor esforço. é muito mais fácil lidar com produção em série e cartas marcadas.

CC: O Brasil faz pesquisa musical à altura da riqueza da produção de seus compositores e cantores?

TS: A pesquisa musical melhorou muito no País. Já há grandes livros sendo editados para quem queira ter um bom painel do setor.

CC: Depois de 35 anos de jornalismo diário, você consegue escrever apenas sobre o que gosta? Ou é obrigado a descascar muito abacaxi?

TS: Costumo ouvir tudo que recebo, o que está ficando cada vez mais difícil por conta da ampliação horizontal do mercado. São milhares de títulos todos os anos e, creia, aprende-se também com alguns abacaxis. De outros, não sobra nem a casca.

CC: Além do jornalismo, você também escreve textos por encomenda, para gravadoras e projetos comerciais. Não são atividades difíceis de conciliar?

TS: Não, porque eu seleciono muito e faço um trabalho criterioso. Daí a inclusão de textos encomendados no livro. Para demonstrar que eles têm a mesma qualidade. Quando escrevo para projeto de gravadora penso como jornalista. Se não é possível essa liberdade, simplesmente recuso a proposta.

CC: Você não tem planos de escrever alguma biografia para a excelente coleção que coordena?

TS: Por enquanto ainda não tenho biografia em mente, mas estou reunindo material para um futuro livro sobre o sambalanço, um segmento do samba que correu paralelo à bossa nova, rico em experiências, mas ainda não devidamente conceituado e delimitado.”

 

LAZER DIGITAL

“Em Las Vegas, o futuro do lazer digital”, copyright O Estado de S. Paulo, 18/1/2004

“Dê asas à sua imaginação, leitor. Pense em qualquer produto de eletrônica que quiser e confira as principais novidades mostradas na Feira de Eletrônica de Las Vegas: computadores que se comunicam com a TV doméstica, câmara portátil gravadora de DVDs (DVD-camcorders), telefones celulares embutidos em superagendas palm-top e associados a câmeras digitais de 1,2 megapixel, jogos eletrônicos com imagens incríveis, televisores de alta definição, supertelas planas de cristal líquido ou plasma, sistemas de home theaters com imagens que encantam os olhos e sons que transmitem sempre mais emoção, aparelhos de identificação biométricos que reconhecem a identidade de uma pessoa pela íris ou pelas impressões digitais, todas as variações possíveis de gravadores e reprodutores de música em formato MP3, minúsculos aparelhos capazes de armazenar mais de 200 horas de música ou máquinas musicais do tipo jukebox que guardam o conteúdo digital de todos os nossos CDs em formato muito mais avançado do que o MP3, sistemas de segurança portáteis que localizam pessoas ou veículos via Global Positioning Satellite (GPS), memórias para gravadores e câmaras digitais (flash memories e memory sticks) de 1 gigabyte, capazes de gravar até 300 fotos de alta resolução, redes domésticas sem fio que interligam todos os aparelhos eletrônicos de uma residência, carros e jipões que associam os mais recentes avanços da informática ao melhor som e à melhor recepção de rádio digital e TV via satélite.

Numa cidade de fantasia como Las Vegas, a tecnologia mostrada nessa feira poderia também parecer sonho ou coisa do futuro. Mas não é, pois um evento destes não apenas exibe, mas demonstra o funcionamento de produtos que até há dois ou três anos eram quase ficção. Mais do que em qualquer versão anterior desta feira – a Consumer Electronics Show 2004 (CES 2004) – maior exposição do gênero no mundo, realizada de 8 a 11 de janeiro, antecipou os produtos e tendências que deverão prevalecer no setor a partir deste ano. E muitos dos equipamentos e aparelhos aqui lançados deverão chegar às lojas brasileiras ainda no segundo semestre de 2004. Mas ninguém deve ter pressa em comprar essas novidades, porque quase todos os grandes lançamentos são bem mais caros nos primeiros meses. Apressadinhos ou early adopters sempre pagam mais.

Las Vegas comprova mais uma vez a grande tendência da convergência digital, ou seja, a fusão de som, imagem, informação, tecnologias, conteúdo, aplicações e serviços. A segunda característica dominante dos novos produtos é a preocupação permanente com lazer ou entretenimento, seja no computador, no telefone celular, nos televisores, nos sistemas de armazenamento portáteis ou nas superjukeboxes capazes de armazenar até 40 mil músicas com qualidade de CD.

Conexão – As duas paixões mais recentes de Bill Gates, o fundador e ?arquiteto chefe de software? da Microsoft, são a convergência digital e a comunicação sem fio (wireless). Ao falar na abertura da Feira de Las Vegas, como faz há seis anos, ele propôs a interligação sem fio da televisão ao computador, defendendo o conceito de ?computação sem costura? (seamless computing), que ele define como a ?capacidade de juntar ou interligar dispositivos e equipamentos num mundo que se conecta cada dia mais?.

Bill Gates diz que o computador pode tornar-se a peça central do entretenimento doméstico, abrindo espaço para uma nova geração de produtos.

Um dispositivo central de comunicação sem fio possibilitará a transferência de praticamente todo o conteúdo de um PC para ser projetado na tela do televisor, em especial fotos, filmes, apresentações de vídeo ou DVD.

Diversas empresas, como a Samsung e a Philips, já se interessaram em produzir esse aparelho de conexão com transmissão sem fio.

Para Bill Gates, a realidade da convergência digital está superando quase tudo que poderíamos esperar da evolução da eletrônica: ?No passado, falava-se muito nessa conexão de peças e equipamentos, mas só agora as coisas estão, realmente, acontecendo?. Em sua opinião, a computação sem costura é uma forma de convergência digital, que se torna realidade graças aos avanços contínuos do software e da tecnologia de banda larga.

As apresentações de Bill Gates despertam tanto interesse que, na Feira de Las Vegas, a disputa por lugares no auditório começou seis horas antes de sua palestra e deixou ainda de fora mais de 2 mil pessoas, que tiveram que acompanhar sua exposição num telão externo.

Nas versões anteriores da feira, a Microsoft lançou o sistema de videogame Xbox, o computador-monitor plano ou Tablet PC e as linhas de relógios de pulso e telefones celulares inteligentes, dentro do conceito que ele chamou de Smart Personal Object Technology (Spot).

Riscos – ?A questão essencial para a indústria do entretenimento digital hoje é o conteúdo, seja de música, filmes, shows, jogos eletrônicos ou softwares especiais. O grande risco que enfrentamos em todo o mundo, no entanto, é a pirataria.? Esse foi um dos pontos principais da palestra de Carly Fiorina, presidente da Hewllet-Packard (HP), que anunciou também diversos acordos comerciais com empresas como a Apple, para ampliar as possibilidades do sistema de armazenamento portátil de música (iPod) e do serviço de download de conteúdos musicais (iTunes), que oferece cada música por US$ 0,99 e já rendeu mais de US$ 50 milhões nos primeiros dez meses de atividades.

Para ela, o cidadão deste início de século começa a viver um novo futuro, não apenas digital, mas predominantemente voltado para o entretenimento, onde cada um poderá acessar cada música já composta ou publicada, cada filme já produzido, cada foto que tenha sido feito em qualquer tempo, pois tudo isso estará disponível a qualquer momento que o desejarmos, em qualquer lugar, com o aparelho mais conveniente.

Na visão da executiva, cada processo e cada conteúdo na eletrônica atual tendem a tornar-se digitais, virtuais e móveis. O exemplo perfeito é o da fotografia. Até há poucos anos, tudo era complicado e caro com a fotografia analógica baseada em processos físico-químicos, que tomavam horas de processamento, fixação, cópia, ampliações, secagens e tudo mais. Hoje a fotografia digital elimina praticamente essas etapas materiais, físicas ou químicas. E mais: pode ser armazenada virtualmente, isto é, sob a forma de bits, e ganhar mobilidade, ao ser transportada na internet ou transmitida via celular, como acontece com as câmaras digitais embutidas nesses telefones.

Carly Fiorina adverte enfaticamente para o risco representado pela pirataria, cujos prejuízos diretos à indústria de música foram superiores a US$ 10 bilhões no ano passado. ?Temos que reconhecer que, para milhões de pessoas de baixa renda, o acesso ao conteúdo e aos produtos ainda está distante. E que muitos produtos ainda são muito caros. Nesse cenário, muito conteúdo digital é pirateado, ou seja, tomado de forma ilegal, violando frontalmente os modelos de negócios e os próprios direitos de autor e de artistas em geral.? Referindo-se ao site Kazaa.com, que distribui software gratuitamente via internet, Carly Fiorina sugere a existência de uma ?lei de Kazaa?, que diz aproximadamente o seguinte: ?Nossa consciência do certo ou do errado não tem evoluído com a mesma velocidade da tecnologia?. O fato de ser possível piratear músicas na internet ou fora dela não significa que devamos ou tenhamos o direito de fazê-lo, adverte a presidente da HP. E lembra que o mesmo raciocínio vale para qualquer caso de propriedade intelectual pirateada, pois ninguém aceita o plágio de livros e obras consagradas. ?Porque isso é imoral.?

Maravilhas – Nenhuma versão anterior da feira de Las Vegas apresentou safra de produtos tão variados e atraentes quanto esta.

Não eram apenas as centenas de opções de câmaras fotográficas digitais, de celulares, de televisores de telas planas ou de DVD-players, mas produtos novos como a câmara-gravadora de mini-DVDs da Sony; ou um sistema de reconhecimento da íris, da LG, destinado à identificação de pessoas e ao controle do acesso em escritórios ou residências; ou um sistema de comércio eletrônico via TV digital em que a vendedora remota tem o mesmo manequim da cliente e vai provando diante da câmara os vestidos ou roupas preferidas.

Entre as melhores e mais atraentes novidades do CES 2004 estavam as vencedoras do concurso Innovations 2004 (Design and Engineering Show Case) promovido pela Associação Americana de Eletrônica de Consumo (Consumer Electronics Association-CEA).

Um desses produtos premiados têm o visual retrô, isto é, toda a aparência de produto antigo, mas com a melhor tecnologia digital do presente. &eacuteacute; a Wurlitzer Digital Jukebox, da Gibson Audio, um equipamento de armazenamento e execução de músicas com o formato daquelas máquinas dos anos 1940 e 1950, em que os clientes de bares e restaurantes introduziam moedas para ouvirem suas canções prediletas.

A grande vantagem da nova jukebox é ter a capacidade para armazenar digitalmente, num disco rígido, até mil CDs, num formato avançado, que é o WMA, com amostragem de 160 kbps, em lugar dos 32 kbps do MP3. O Wurlitzer ainda sintoniza uma centena de canais de rádio digital via satélite, faz download de todos os formatos oferecidos na internet e de banco de música especial da Gibson.

Entre outros premiados no concurso de inovações, estava também o Taz I, da Tight Systems, receptor e gravador múltiplo do tamanho de um notebook apresentado como ?o primeiro centro doméstico integrador inteligente de mídias digitais?, que toca CDs, DVDs e MP3 e armazena até 60 gigabytes de sons, dados e vídeo.

Um sistema de armazenamento de vídeo digital (DVR, digital video recorder) da DirecTV também foi premiado por sua capacidade de gravar até mesmo programas de televisão de alta definição. Na área da telefonia móvel, a joint venture entre Ericsson e Sony teve vários aparelhos premiados, sendo um deles o celular P-900, que equivale a um computador de mão, com câmara de vídeo digital capaz de fazer até videoclipes, que grava mensagens do tipo videomail e ainda oferece diversos tipos de videogames.

Na seção de eletrônica em veículos, muitos jovens paravam boquiabertos diante de jipão Hammer, anteriormente fabricado para o exército americano, agora na versão civil produzida pela General Motors, para admirar todos os recursos de som surround, com 2,2 mil watts de potência, serviços de telecomunicações e sistemas de navegação orientado pelo sistema de posicionamento global GPS, que mostra onde o veículo se encontra nos mapas de cada quarteirão urbano ou dos trechos das estradas em qualquer ponto dos Estados Unidos.”

 

MEMÓRIA / MILTON JOSÉ DE OLIVEIRA

“Morre o jornalista Milton José de Oliveira”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 19/01/04

“O jornalista Milton José de Oliveira faleceu na manhã deste domingo (18/01), aos 72 anos, em Bragança Paulista, onde morava. Milton, natural de São Paulo, trabalhou durante anos (1958 a 1986) na seção de esportes de O Estado de S. Paulo. Além disso, fez cobertura de cinco Copas do Mundo (1970 a 1986) e conquistou o Prêmio Esso de 1962.

Miltinho, como era conhecido no Grupo Estado, iniciou sua carreira no Diário da Noite e transferiu-se para o Estadão já nos anos 50. O jornalista também trabalhou na Rádio Record de São Paulo, nos anos 70. Na década de 80, Milton José de Oliveira passou a residir em Bragança, pois também tinha um grande interesse pela agropecuária.

O enterro foi realizado no domingo (18/10), no Cemitério de Vargem, em Bragança Paulista.”

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