Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > FOGO NA BAHIA

Mídia aceita explicações singelas

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

FOGO NA BAHIA

André Lima (*)

O que mais impressiona no incêndio ocorrido na quinta-feira (2/10) é a facilidade com que prédios públicos da Bahia viram cinzas. Pior ainda: como a imprensa local e nacional ? este é o terceiro maior Estado da Federação ? aceita explicações singelas. Este fenômeno de falta de segurança ocorre com a mesma facilidade com que são esquecidos até por quem deveria investigá-los, a polícia.

O prédio onde funcionava a Secretaria de Educação da Bahia (SEC) queimou, segundo já fartamente noticiado, a partir das 20h, quando já era reduzido o número de funcionários no local. Fato pitoresco, o Corpo de Bombeiros não pôde debelar o fogo devido à reles tripa d?água que saía dos hidrantes. O prédio queimou até que Hefesto estivesse saciado. Não se viu na imprensa baiana quem duvidasse do sempre presente esclarecimento de que "um curto-circuito" provocou o fogo. Não que esta não seja uma explicação plausível, mas não seria dever da imprensa buscar todas as respostas possíveis?

Em 2 janeiro de 1999, o prédio do Tribunal de Contas do Estado e dos Municípios também ardeu, tendo oferecido as autoridades a mesma e prosaica explicação: "curto-circuito". é bom lembrar que o edifício guardava processos e informações sobre a administração pública. O Ministério Público (MP) da Bahia também já teve sua fogueirinha quando, por acaso, investigava o Tribunal Regional Eleitoral, a partir de queixa do ex-governador Waldir Pires sobre possível fraude durante a eleição que ele disputou para o Senado.

Neste último (será?) incêndio a SEC estava sob investigação do MP, que apurava suspeitas de irregularidades em licitações da repartição. Também "por acaso", na fatídica quinta-feira, os responsáveis pelo CPD da SEC saíram pelas salas distribuindo CDs para gravação de cópias de segurança aos funcionários que tinham informações pessoais nos servidores e nos micros da secretaria. Além disso, fato atípico, os chamados "líderes de área" da SEC "esqueceram" seus notebooks nos escritórios. Ainda que não haja nestes fatos nada mais que coincidências, a verdade é que não houve, pela imprensa da Bahia, qualquer interesse em saber o que aconteceu. E a negligência é capaz de destruir mais que o fogo…

(*) Aluno de Jornalismo da Faculdade Social da Bahia

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