Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > COBERTURA DO IRAQUE

Mídia armada em zona de guerra

Por lgarcia em 06/01/2004 na edição 258

COBERTURA DO IRAQUE

O repórter Dexter Filkins, correspondente do jornal New York Times no Iraque, desenvolveu o hábito de carregar uma arma quando anda pelas ruas de Bagdá. Sua atitude é pouco comum entre jornalistas e já causa polêmica. Mas, mais do que isso, ela também levanta a bola para um importante debate.

O número de jornalistas mortos na guerra do Iraque superou o de qualquer conflito na última década, segundo artigo do Wall Street Journal [29/12/03]. E, como a instabilidade do pós-guerra só faz aumentar o perigo e o medo, mostra-se necessário o debate sobre a proteção para os jornalistas nas áreas de risco.

Normalmente, jornalistas não usam nenhum tipo de proteção armada, e confiam em seu status de não-combatentes e meros observadores para se protegerem em zonas de guerra. O raciocínio adotado em conflitos é o de que os profissionais tem que agir de maneira neutra, e tomar cuidado para não serem confundidos com o inimigo.

Mas as mudanças nas condições das guerras modernas estão provocando o levantamento de novas questões e forçando os veículos de comunicação a repensarem suas medidas de segurança.

Em guerras anteriores, os jornalistas costumavam viajar com as tropas e depois voltar para uma base segura onde pudessem escrever suas matérias. No Iraque, porém, há pouquíssimos refúgios, e o inimigo pode estar em qualquer lugar, vestido de civil. Os jornalistas, nesta guerra, viraram alvos.

O resultado é que os repórteres, no Iraque, estão se armando para sua própria defesa. A maioria está optando por ter guardas armados em casa e no escritório. Algumas equipes de TV, que carregam equipamentos sofisticados e caros quando vão fazer alguma reportagem, carregam também seus guardas armados. “Eu sinto muito que tenha chegado a esse ponto, mas nós temos que proteger nossa equipe”, afirmou o vice presidente executivo e chefe de reportagem da CNN, Eason Jordan, ao Wall Street Journal.

O Comitê para Proteção de Jornalistas, uma ong baseada em Nova Iorque que advoga pela liberdade de imprensa em todo o mundo, prega em seu manual que jornalistas nunca devem carregar armas e devem ter a consciência de que, quando usam guardas armados, estão colocando em risco sua posição de observadores neutros. Ex-correspondentes de guerra ressaltam que o fato de o jornalista estar armado pode prejudicar a interação entre ele e seu entrevistado.

Mesmo que a maioria dos jornalistas mortos no Iraque não tenha sido atingida explicitamente por causa da profissão, os repórteres justificam sua preocupação afirmando que bandidos e soldados rebeldes não costumam tentar distinguir entre jornalistas e outros ocidentais antes de atirar.

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