Quinta-feira, 17 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

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Mídia de uma nota só

Por lgarcia em 05/07/1998 na edição 48

Alberto Dines

 

A

cobertura da morte do cantor country Leandro evidencia e confirma uma realidade: nossa imprensa tornou-se irremediavelmente monotemática e monocórdia. A combinação da notícia-espetáculo com a cobertura saturada e intensiva desenvolvidas num ambiente onde impera o mimetismo e se abomina a diversificação está criando uma das mais gritantes distorções do nosso processo informativo.O velório em S. Paulo e os programas evocativos sobre o cantor levados ao ar da noite de 23/06/98 bateram a cobertura da Copa, a telenovela, o Ratinho. Jornais que jamais cobriram o lançamento de um disco ou show da dupla de irmãos esbanjaram espaço e adjetivos para descrever o acontecimento. Os infográficos sobre o fulminante desenvolvimento do tumor encheram páginas. Os telejornais trabalharam com teleobjetivas para flagrar lágrimas e emoções (ver abaixo remissão para Tenham dó do Leandro!).

Um show de banalidades a pretexto de uma dor que a maciça exposição da dor torna banal. A Onda Leandro acabou como começou: abruptamente No fim de semana, apenas os semanários lembraram-se discretamente do cantor. Exceto Época (visivelmente preocupada com a aproximação do fim de Julho e o fim do desconto de R$ 1,20 no preço de capa).Nossa mídia está produzindo uma sociedade que funciona em bloco, movimenta-se por espasmos, só reage à estridência. Isso é grave.

 

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