Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Mídia nacional só cobre os três poderes

Por lgarcia em 25/09/2002 na edição 191

RORIZ vs. CORREIO BRAZILIENSE

Alberto Dines

Brasília tem o maior concentração de sucursais do país, em geral mais preocupadas com a compacta praça dos Três Poderes do que com a extensa Esplanada dos Ministérios.

Ninguém lembra do Distrito Federal enquanto unidade federativa, cidade ou super-município. Razão pela qual a mídia nacional instalada no Plano Piloto é freqüentemente surpreendida pelos desdobramentos de situações locais.

Se o Correio Braziliense chama a atenção para algum fato relevante na área, aciona-se o despertador "nacional" e os pauteiros acordam. Resultado: o jornal tornou-se o único denunciador das mazelas distritais e, portanto, vítima solitária do ressentimentos daqueles que denuncia.

Caso da ligação do governador Joaquim Roriz (PMDB) com uma família de grileiros locais cujo poder lembra o do crime organizado no Espírito Santo. A denúncia do jornal só ganhou as páginas dos jornalões e revistões nacionais quase duas semanas depois das primeiras revelações, quando os envolvidos começaram a ameaçar o jornal, seus jornalistas e, especialmente, seu diretor de Redação, Ricardo Noblat.

Importante registrar que a questão da grilagem no Distrito Federal e suas vizinhanças, apesar de algumas conotações eleitorais, não é fato novo: arrasta-se há anos e envolve interesses da União (há suspeitas de que as terras açambarcadas e distribuídas pertencem ao Estado brasileiro).

A imprensa brasileira atravessa um dos seus piores momentos: redações dizimadas por cortes e terceirizações, dólar acima dos 3 reais, retração econômica mundial. Nada disso seria tão grave como a queda na circulação ? algo está desagradando os leitores. Algum tempero está faltando em nossos principais impressos. Falta, talvez, o ingrediente que deveria diferenciá-los da imprensa popular: a postura nacional.

Quando, em 1808, Hipólito da Costa lançou o seu jornal e designou-o como braziliense, pretendia olhar os quatro cantos da colônia. Pretendia ser efetivamente nacional.

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