Terça-feira, 15 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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Mea-culpa ma non troppo

Por lgarcia em 25/09/2002 na edição 191

THE NEW YORK TIMES

Desde que os jornais começaram a tratar dos planos de invasão do Iraque, o New York Times tem sido acusado por conservadores de manipular a cobertura para mobilizar a oposição contra a guerra. A controvérsia se acirrou em agosto, quando o diário publicou matéria citando lideres republicanos contra a intervenção militar, incluindo entre eles o ex-secretário de Estado Henry Kissinger. Políticos conservadores e a página editorial do Wall Street Journal reagiram prontamente, afirmando que Kissinger jamais assumiu tal posição, e que o Times distorceu suas palavras.

A poeira baixou alguns dias depois, mas uma curiosa nota do editor apareceu no Times em 4 de setembro. O texto reconhecia que a matéria deveria ter diferenciado a opinião de Kissinger das de outros republicanos claramente contra a guerra. Segundo o jornal, o político declarou que "uma guerra era justificável. Mas ele afirmou que Bush deve primeiro fazer mais consultas diplomáticas e preparar-se politicamente para a ação militar, e antes de ordenar um ataque, o governo deveria tentar forçar uma inspeção de rotina no Iraque".

O que Kissinger queria dizer, conclui a nota, é que "remover Hussein do poder ? a justificativa de Bush para a guerra ? não era um objetivo apropriado. Ele disse que um ataque contra o Iraque deveria ter um alvo mais restrito, erradicar armas de destruição em massa". Ou seja: o Times errou, mas nem tanto.

Conta Sridhar Pappu [New York Observer, 16/9/02] que tal "errata" enfureceu ainda mais os conservadores. "Eles conseguiram distorcer as palavras de Kissinger ainda mais", defende Bill Kristol, editor do Weekly Standard. "O ponto principal da argumentação dele é que o desarmamento é um objetivo, e a mudança de regime, um meio ? necessário ? para atingi-lo."

Japão interessa, sim!

Jornalistas estrangeiros não estão abandonando Tóquio, como alegou o New York Times. Publicada em agosto, a matéria do jornalão dizia que muitos veículos estavam fechando sucursais e transferindo correspondentes porque o Japão não seria mais interessante para a imprensa ocidental.

Segundo Kwan Weng Kin [The Straits Times, 7/9/02], a matéria surpreendeu a comunidade jornalística e recebeu resposta imediata do Ministério do Exterior japonês: o secretário de imprensa Hatsuhisa Takashima revelou que, ao contrário do que informa o NYT, o italiano Corriere della Sera nunca teve sucursal no país, a não ser na década de 80. "O artigo falsamente alega que o jornal [Corriere] começou a usar stringers este ano após fechar sua agência." Além disso, Takashima lembra que o Wall Street Journal mantém oito correspondentes no país, e o Financial Times, seis, o dobro em relação à década anterior.

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