Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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Mera Coincidência mostra como a imprensa engole os factóides

Por lgarcia em 20/05/1998 na edição 45

Alberto Dines

 

Q

uando a imprensa marrom americana começou a chafurdar no Mediagate, no início de fevereiro, alguns correspondentes brasileiros começaram a falar num filme que estava em cartaz naquele momento nos EUA, Wag the Dog. Seria a versão ficcional do escândalo que envolveu o presidente Bill Clinton e a estagiária Monica Lewinsky.

O filme acaba de estrear no Brasil com o título de Mera Coincidência. Além do roteiro extraordinário de David Mamet e a direção eletrizante de Barry Levinson, trouxe a evidência de que os olheiros da nossa imprensa nos EUA não haviam visto o filme. Ou – mera coincidência- recusaram-se a entender sua mensagem: o escândalo sexual é marginal, pretexto para um relato sobre mídia e manipulação. O presidente americano nem aparece.

O filme é sobre a fabricação de fatos. E cuja repetição pela mídia os torna parecidos com a verdade. O que se convencionou chamar de factóide. O enredo é inverossímil mas os ingredientes são verdadeiros. O frio marqueteiro e o genial produtor estão lá e aqui, ligando para os colunistas, armando suas jogadas.

Um espetáculo fascinante sobre a indústria do espetáculo. O novo nome do que antes chamava-se jornalismo.

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