Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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Mirror, adeus ao vermelho

Por lgarcia em 06/02/2002 na edição 158

THE GUARDIAN

Para ganhar mais leitores de classe média, o Mirror, segundo mais vendido tablóide britânico, pensa em substituir seu logotipo branco sobre vermelho por preto e branco, reforçando assim sua recente conversão a "jornal sério". Isso o diferenciaria dos rivais Sun e Daily Star. A empresa espera que a medida ajude a manter as vendas acima da marca psicologicamente importante de 2 milhões de exemplares diários. O "red top", acreditam os executivos do Mirror, virou sinônimo de jornal popular e sensacionalista, e o jornal quer distância disso, conta John Cassy [The Guardian, 28/1/02].

O editor Piers Morgan vem tentando remodelar o jornal desde os ataques de 11 de setembro: as primeiras páginas têm sido dedicadas à guerra no Afeganistão. A transformação do Mirror se dá num momento em que os tablóides populares disputam leitores com jornais semi-populares, como Daily Mail e Express.

Com o crescimento da classe média, milhões de leitores abandonaram o Mirror a partir dos anos 50, quando vendia 7 milhões de exemplares diários e era visto como jornal da classe operária. A Trinity Mirror, proprietária do jornal, deve anunciar a novidade em 28 de fevereiro, quando divulgar seus resultados financeiros.

ÂNCORA DA CNN

Por que a apresentadora Greta Van Susteren foi para a Fox News, se a CNN lhe ofereceu mais dinheiro para ficar? Segundo Jim Rutenberg [New York Times, 28/1/02], a resposta estaria na carta que John Coale, marido (e advogado) dela, enviou ao presidente da CNN, Walter Isaacson, revelando suscetibilidades feridas típicas do mundo da TV. O principal motivo da demissão seria o excesso de atenções dispensado aos dois novos âncoras da rede, Paula Zahn e Aaron Brown. Greta Van Susteren se sentiu negligenciada, destacou a carta. "Ela foi tratada como cidadã de segunda classe." Seu programa, The Point, às 20h, tinha pouca promoção, "embora fosse o segundo em audiência, atrás de Larry King Live".

Greta reclamou também de que a rede não a credenciou para a festa de Natal da Casa Branca. A CNN alega que se concentrou em obter convites para os repórteres que cobrem o presidente. Houve outras queixas: os novos executivos da CNN estão pondo os interesses corporativos acima dos jornalísticos e, na reestruturação da rede, vêm desprezando mulheres e minorias. A CNN argumenta que apesar da demissão de Eve Burton da diretoria, em 2001, altos postos na empresa são ocupados por Louise Sams, Rena Golden, Teya Ryan e Vicky Miller. Quanto à saída de Bernard Shaw, afro-americano, e Joie Chen, ásio-americana, citadas por Coale: a carta foi escrita antes da contratação de Fredricka Whitfield e Connie Chung. "Sempre tivemos grande respeito por Greta, mas discordamos dos assuntos tratados na carta", declarou a emissora.

No fim da carta, a que muita gente teve acesso, tanto que chegou ao Times, Coale disse que a decisão da mulher é um alerta aos responsáveis pela empresa, "para que reavaliem o novo ambiente antes que seja tarde demais". Greta nada comentou. Em seu nome, o marido disse que foi constrangedora a divulgação da carta, que tinha caráter particular. Rutenberg pergunta: Greta Van Susteren vai ficar à vontade na Fox News, cujos comentaristas freqüentemente atacam a política de ação afirmativa? Seja como for, ela não podia mais é "agüentar" a CNN, como afirmou Coale na carta.

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