Segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > MÉXICO

Missão impossível

Por lgarcia em 20/06/2001 na edição 126

UCRÂNIA

O desaparecimento e o aparente assassinato do editor Georgy Gongadze em Kiev, capital da Ucrânia, no ano passado, chamou a atenção internacional para a repressão a jornalistas do país. Na lista anual do Comitê de Proteção aos Jornalistas dos 10 maiores inimigos da imprensa, divulgada em maio, o presidente Leonid Kuchma ficou em sétimo lugar, e seu rosto está estampado no mais novo cartaz da organização Repórteres Sem Fronteiras. Só nos dois primeiros meses de 2001, 33 casos de desrespeito aos direitos de jornalistas ucranianos foram noticiados, disse Katya Cengel [San Francisco Chronicle, 11/6/01].

Há basicamente dois tipos de jornais na Ucrânia: os grandes diários, que falam a língua do governo e atacam seus inimigos, e os pequenos semanários de oposição. Os primeiros, lidos pela grande maioria, são bancados por oligarcas com influência política e total desinteresse por ideais jornalísticos.

Neste contexto, o caso de Gongadze foi apenas o primeiro a despertar atenção para a situação da mídia independente no país. Oleh Lyashko, editor do semanário Svoboda, não consegue mais imprimir seu jornal e tem recebido ameaças anônimas. Yanina Sokolovskaya, correspondente do jornal russo Izvestia, escreveu artigo acusando dois oligarcas do setor energético. Dias depois sofreu tentativa de assassinato. Andry Masalsky, editor e colunista do pequeno Chas, foi atacado por quatro homens em abril.

"Vivemos em sociedade, e sabemos suas regras", disse Volodymyr Ruban, editor do jornal independente Vechirny Kyiv. "Não há motivos para jornalistas escreverem reportagens que os levarão à morte (…). Essa é a realidade." Para Ruban, imprensa livre depende da situação econômica e política do país. Com 18 anos de profissão sob o regime capitalista e comunista, o editor garante: "A imprensa é a mesma que a sociedade, e não pode viver melhor do que ela."

MÉXICO

Nos 70 anos de dominação do Partido Revolucionário Institucional (PRI), no México, três gerações da família Junco lutaram para dirigir seus jornais sem interferência do governo. Com a eleição do opositor Vicente Fox, no ano passado, Alejandro Junco, atual editor do El Norte, de Monterrey, e outras publicações, ficou radiante. O fim da hegemonia de mais de sete décadas do PRI era a esperança de uma imprensa livre.

No entanto, disse Anthony DePalma [The New York Times, 11/6/01], apesar das promessas de campanha de Fox, Junco e sua equipe continuam com dificuldades para levar ao público informações sobre o governo mexicano. "Nada mudou", disse o editor. Informações básicas continuam a ser negadas, bem como registros que incriminam governos anteriores.

Quando o governo Fox se recusou a abrir os arquivos do PRI, Junco criou o Juan Ciudadano. Em suas colunas semanais e no website <www.juanciudadano.com> o editor colocou questões sobre o primeiro orçamento federal de Fox, e até distribuiu prêmios aos leitores que conseguiram as respostas ? que o governo se recusava a dar. O presidente disse que a demanda de informações não passa de "bobagem", mas os jornalistas do Ciudadano acreditam que a transparência é que torna a democracia significativa.

Embora alguns digam que a batalha de Jucon é em benefício próprio ? vender mais jornais com notícias sobre corrupção ?, o editor acredita que uma lei que desse a todos os cidadãos o direito de exigir informações reduziria suas vendas. "Com liberdade de informação, todos podem conseguir quase tudo", disse Jucon.

    
    
                     

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