Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > DOSSIÊ CREDIBILIDADE

Mànya Millen

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

DOSSIÊ CREDIBILIDADE

"Os limites da liberdade de imprensa diante das barreiras legais e jurídicas impostas pela sociedade e as discussões éticas que a internet ainda pode suscitar em relação ao meio jornalístico foram algumas das questões abordadas ontem pela jornalista americana Jane Elizabeth Kirtley, durante uma mesa-redonda no Consulado dos Estados Unidos.

Professora de ética e legislação de imprensa na Escola de Jornalismo e Comunicação de Massa da Universidade de Minnesota, Jane Kirtley conversou, no consulado, com a deputada estadual Heloneida Studart (PT) e com a juíza aposentada Denise Frossard (da Transparência Brasil), entre representantes de outras instituições. Um dos assuntos discutidos pela jornalista e professora foi o papel desempenhado pela imprensa em reportagens investigativas.

? Sabermos até onde podemos ir é sempre uma questão de bom senso e de ética, é claro. Mas nos EUA, por exemplo, temos algumas garantias dadas pela constituição para contrabalançar algumas leis que podem limitar a imprensa ? lembrou Jane, que veio ao Brasil a convite do consulado americano e da Universidade Estácio de Sá. ? Se o jornalista estiver trabalhando para o bem público, ele será protegido pela lei.

Jane, que ouviu de Heloneida Studart e Denise Frossard considerações sobre a falta de transparência do poder e dos homens públicos no Brasil, também falou sobre a multiplicação dos tablóides sensacionalistas, que em muitos países estão sendo responsáveis pelo cerceamento cada vez maior da imprensa, e da internet como um terreno ainda não totalmente mapeado.

? A internet ressuscita questões que nasceram com a chegada do rádio e da TV. Com o advento da notícia 24 horas por dia, a pressão da competição é muito grande, muita coisa é divulgada precipitadamente. Mas não há fórmulas mágicas. Os jornalistas devem exercer esse controle e usar sempre o bom senso.

Ontem Jane voltou a falar de ética e liberdade de imprensa no Centro Brasileiro de Relações Internacionais. E hoje, às 14h, ela faz uma palestra na Casa de Cultura da Universidade Estácio de Sá, na Barra."

"Modéstia à parte, o leitor que já caiu na rede sabe que na internet, além de mais variadas, as notícias são mais fáceis de achar e vão mais fundo do que nos outros meios de comunicação. Tanto que, ao comentar na CBS a ambivalência do presidente George Bush ao apostar dinheiro do governo nas pesquisas com embriões humanos, o âncora Dan Rather, que nunca pecou por insuficiência de vaidade, fechou na semana passada seu telejornal recomendando aos espectadores procurar em outros lugares as informações cuja complexidade não coube na TV. Basta clicar o endereço da própria emissora para entender o que ele queria dizer com isso. Ali, na página da CBSNews, a história tem o tamanho de qualquer curiosidade.

No Brasil, esse atestado acaba de chegar ao 3? Congresso de Jornais, no Rio de Janeiro, pescada pelo instituto Datafolha numa pesquisa que, em princípio, tratava de medir a credibilidade da imprensa. Entre os leitores, a freguesia da internet ainda é minoria. Dos entrevistados em cinco capitais, só 6% responderam que ela é o primeiro lugar aonde vão atrás de notícias. Muito menos que os 35% da televisão, os 28% dos jornais e os 20% do rádio. Mas empatados com os 6% da TV por assinatura e acima dos 4% que descobrem as coisas pelas revistas.

Até aí, nenhuma surpresa. O jornalismo na internet ainda está engatinhando e é naturalmente minoritário. Só mesmo na confraria de seus freqüentadores regulares ele poderia encontrar 37% de devotos capazes de considerá-lo um instrumento mais eficiente de informação do que os jornais, com 24%, ou a TV aberta, com 22%. Mas eles têm a seu favor a juventude: 80% têm menos de 40 anos e 33% não passam dos 24 anos. O público da internet é uma minoria em idade de crescimento, segundo o Datafolha. Enquanto 43% dos leitores diários de jornais têm mais de 41 anos. Em média, são mais velhos que a população brasileira.

Nas cidades cobertas pela pesquisa, 34% acessam a internet. Ou sejam, 5,4 milhões de pessoas. Deles, 30% entram na rede diariamente e 27% pelo menos três vezes por semana. Sua escolaridade é mais alta que a dos leitores de jornais: 63% dos usuários da internet, contra 31% dos que preferem o papel, têm curso superior. Sua renda, também: 43% ganham mais de 20 salários mínimos por mês, contra 20% no caso dos jornais. ?Jornal impresso é preferido pelos mais velhos e menos escolarizados?, diz o Datafolha.

Em média, 65% dos internautas lêem notícias na rede. Por que? Talvez porque 33% dos que se converteram ao jornalismo virtual e mesmo 30% dos que não largam o papel de cada dia acham que na internet o noticiário é mais confiável. Como a informação eletrônica ainda não tem maturidade para merecer tanta confiança, aparentemente ela se deve mais às virtudes do veículo do que ao mérito de seus autores. Pelo menos, é o que parecem dizer os 77% dos internautas e 68% dos leitores de jornais, quando afirmaram que na internet encontram mais rapidamente as notícias que procuram.

E onde a variedade de assunto é maior? Na rede, responderam 72% dos internautas. E 58% dos leitores de jornais concordaram com eles. Onde é possível aprofundar-se mais nos assuntos? Novamente, venceu a rede, com 62% de sua própria clientela e 54% dos consumidores diários de informação impressa. De quebra, 76% dos internautas e 68% dos leitores de jornais consideram que ?o jornalismo on-line dá mais informação em menos tempo?. E 57% dos leitores diários avisem que, para o gosto deles, seus jornais dêem páginas demais à política e à economia. E, diga-se de passagem, a redação de no. concorda inteiramente com eles. É exatamente por esse motivo que, aqui, a novela de Jader Barbalho deixou de ser diária assim que o resto da imprensa descobriu que ele não tinha pedigree para presidir o Senado, coisa que neste site já se sabia desde maio do ano passado."

    
    
                     

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