Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > GUERRILHA ANTIPUBLICIDADE

Moacir Japiassu

Por lgarcia em 13/01/2004 na edição 259

JORNAL DA IMPRENÇA

“Puxão nas orelhas”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 8/1/04

“Nos estertores do ano, o mais notável puxão nas orelhas da imprensa foi aplicado pelo mestre Deonísio da Silva no ?balanço literário? de 2003 para o Observatório da Imprensa:

?(…) a gafe dos repórteres que entrevistavam Geraldo Alckmin e quando ? é muito raro um político referir leituras ? ele disse que ?para homenagear o poeta?, a escolha do candidato de seu partido a prefeito de São Paulo seria ?em março ao findar das chuvas e logo à entrada do outono? ? eles disseram que o governador tinha evocado Águas de março, de Tom Jobim (Folha de S. Paulo, pág. A 9, 23/12/03).

Evidentemente a referência era Olavo Bilac, com os versos iniciais de O caçador de esmeraldas, presente em muitas antologias escolares:

?Foi em março, ao findar das chuvas, quase à entrada/ do outono…?

Já que o nome de Tom Jobim é sempre uma boa lembrança, mesmo nos equívocos, foi ele quem, comentando as dificuldades de se entender nossa pátria, disse que ?o Brasil não é para principiantes?.

Viva a Democracia!!!

Saiu ontem, quarta-feira (7/1), na coluna do Cláudio Humberto, a seguinte nota, cuja veracidade há de comprovar a excelência da democracia em que vivemos:

Santos demônios

Após conchavar com Orestes Quércia (PMDB), que antes arrasava, o PT tenta usar o deputado Delfim Netto (PP-SP) para convencer Paulo Maluf a retirar a candidatura, favorecendo a reeleição da prefeita Marta Suplicy.

Desgraça pouca

Nosso considerado Celsinho Neto, diretor da sucursal desta coluna no Ceará, festejou sobriamente a passagem do ano só para ficar mais atento à imprensa de sua terra. Eis o relato do cabra:

?A chamada imprensa policial tem atuado como verdadeira torcedora para a ocorrência das desgraças que fornecem subsídio para seu trabalho. Nosso indelével Diário do Nordeste abriu o ano com essa maravilha, em matéria sobre o plantão do Instituto Médico Legal nas festas de final de ano:

?Do primeiro minuto do dia 31 de dezembro até a noite de ontem, apenas 10 corpos deram entrada no IML, sendo que somente dois foram de vítimas de acidentes de trânsito. O que mais provocou vítimas fatais neste período foram os homicídios: seis?.

?Apenas? 10 corpos? ?Somente dois foram vítimas de acidentes de trânsito?? A urubuzada da Redação deve ter ficado toda na torcida para que mais desgraças tivessem acontecido…?.

Ô Celsinho, Janistraquis diz aqui ao meu lado que você esqueceu um velho e sábio ditado nordestino, literalmente aplicado pela Redação do Diário do Nordeste: desgraça pouca é bobagem…

Menino perigoso

Deu na edição online do Jornal do Brasil:

FBI confundiu menino de oito anos com extremista islâmico

WASHINGTON ? O The Wall Street Journal informou hoje que um dos passageiros da Air France, apontado como suspeito pelo FBI, era um menino, homônimo de um extremista islâmico da Tunísia.

Fiquei indignado diante do absurdo, porém Janistraquis, velho lobo de outras batalhas, ponderou: ?Considerado, em tempos de histeria coletiva, a polícia sempre imagina que, se pendurar no pau-de-arara um menino de oito anos ele acabará confessando que é, na verdade, um perigoso e ardiloso anão, extremista islâmico da Tunísia.?

Se é que existe…

Nosso diretor paulistano, Daniel Sottomaior, que passou as festas de fim de ano a exercitar o seu inglês já excepcional (como todos nós deveríamos fazer), encontrou tempo para mais esta preciosa colaboração:

?A New York Times Magazine, como toda publicação de peso, é conhecida pelos seu textos de boa qualidade. Mas o que restou do artigo de Michael Ignatieff reproduzido no Estadão não permite que os leitores verifiquem isso por si mesmos.

Segundo a tradução literal, o autor pergunta ?qual doutrina, se alguma, determina quando e para onde os americanos são enviados para lutar??.

O ?se é que existe? não faz falta em inglês, mas o tradutor não percebeu que inglês ? sim, é preciso dizer ? não é português. Mais adiante, menciona-se ?a Libéria abalada pela guerra?, mais um americanismo que não convence em português.?

Craque é craque!

Nosso considerado leitor Gustavo Barreto, certamente torcedor do Flamengo, escreve à coluna: ?Vocês precisam ver o que O Globo aprontou na edição desta terça-feira, dia 6; na página 27, estava escrito: Fluminense pode ter Marcelinho ainda hoje; e na página 28: Vasco pode ter Marcelinho ainda hoje.

Janistraquis, que jamais perde a esportiva, explicou: ?Considerado Gustavo, O Globo não cometeu propriamente um erro; na verdade, como é impossível saber o que um craque vai fazer com a bola, o negócio é marcá-lo em cima, até mesmo na base da porrada, como ensina Júnior Baiano. No caso em questão, sobrou pro bom jornalismo, mas o que se vai fazer, né mesmo??.

Pagou o pato

Roldão Simas Filho, diretor de nossa sucursal no DF, deu folga de final de ano ao Correio Braziliense e quem pagou o pato foi a Folha. O mestre historiou:

?1. Folha de S. Paulo, 31 de dezembro 2003, p. A-7: Legenda de foto: Bicho de estimação ? ?Parque indonésio exibe píton de 15 metros de comprimento e 447 quilos; o animal é considerado a maior cobra viva em cativeiro do mundo e prefere se alimentar de cães.?

Ora, se estivesse morta não estaria na jaula e sim num museu de bichos empalhados. Acho que a legenda foi mal traduzida; a cobra deve ter sido nascida e criada nesse parque indonésio que o jornal não diz onde fica. E ollhe que a Indonésia é grande!

2. Na mesma edição saiu uma foto com a legenda: Passeios ? Turista posa para foto em frente ao Palácio da Alvorada enquanto familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fazem passeio de bicicleta nos jardins da residência oficial.?

O turista, em primeiro plano, está completamente fora de foco. Parece um ET. A foto mostra um jardim onde um casal de ciclistas pedala de costas para a câmera. E não se vê o Palácio da Alvorada. Ou seja, a foto não mostra coisa nenhuma. É um espanto total!?

O dono de tudo

Também saiu na Folha, desta vez na edição eletrônica:

Saddam teria depositado US$ 40 bilhões no exterior

da France Presse, em Beirute (Líbano)

O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, capturado pelas forças da coalizão liderada pelos EUA, deu informações sobre o dinheiro que possui no exterior, depositado nos tempos em que presidia o Iraque, afirmou Iyad Alaui, membro do Conselho de Governo Iraquiano, segundo informaram as edições de hoje dos jornais árabes ?Asharq Al Awsat? e ?Al Hayat?.(…)

?Saddam Hussein começou a dar informações sobre o dinheiro iraquiano que depositou no exterior. O Conselho de Governo Iraquiano estima o montante em US$ 40 bilhões?, declarou Alaui.

Janistraquis pegou a calculadora, digitou pra lá, digitou pra cá e abriu um sorriso largo, à moda de Fernandinho Beira-Mar quando está longe das câmeras: ?Considerado, isso é mentira da grossa; se o homem tivesse esse dinheiro todo não estaria escondido num buraco; estaria no Brasil, dono de quase tudo o que temos e pontos à frente nas pesquisas eleitorais; e olhe: pelas minhas contas, ainda sobraria dinheiro para comprar meio Paraguai.?

Provocações

Quem gosta de televisão (não me refiro às ?vítimas? ou algozes do Gugu) precisa ver o Provocações deste domingo, dia 11, na Cultura. Antônio Abujamra vai conversar com um dos mais inteligentes, criativos e ousados homens de TV do Brasil, o mineiro Rogério Brandão. Hoje é Gerente de programação da Directv, porém em passado não tão remoto Rogério dirigiu Janistraquis e este modesto colunista no programa que comandávamos nas madrugadas da TV Gazeta de São Paulo: Jornal dos Jornais.

Nota dez

O melhor (e mais polêmico) texto da semana é da lavra de Jânio de Freitas, intitulado Balanços sem balanço. Publicado originalmente na Folha de S. Paulo, está transcrito nesta edição de Comunique-se, na editoria Em Pauta. Se já não o leram, por favor, leiam.

Errei, sim!

?YES, SIR! ? Da seção Correção, que é o Erramos do Estadão: ?O jornal Financial Times é inglês, e não norte-americano, como foi publicado na página 4 da edição de ontem do Estado. Júlio Mesquita não é fundador do Estado, como foi publicado na página 5?.

Comentário de Janistraquis: ?Considerado, não quero nem ver o que publicaram na página 6…?. (junho de 1989)

 

FELIZ 2004

“Ano começa efervescente”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 7/1/04

“Se fosse para forçar a barra, poderíamos até dizer que o ano começou com notícias alvissareiras, mesmo a custa de algumas baixas, que, esperamos, sejam cada vez mais raras em 2004.

A primeira boa notícia vem lá das plagas do Sul, com a confirmação de que várias das empresas do Grupo RBS vão pagar 16 salários para todos os seus funcionários, fruto do bom desempenho por elas obtido ao longo de 2003 e também em decorrência da forte reestruturação realizada (incluindo cortes de pessoal). Se não é de todo feliz essa equação (ninguém, afinal, gosta de louvar demissões), ao menos mostra que o maior grupo de comunicação do Sul já superou o período de turbulências e está novamente na rota de crescimento. O anúncio da boa nova foi feito aos funcionários pouco antes do Natal e faz parte do Plano de Participação nos Resultados (PPR). Os três salários extras serão pagos em fevereiro mas a medida só vale para as empresas que tiveram esse bom desempenho, caso, entre outras, do Zero Hora, da Rádio Gaúcha, da RBS TV Porto Alegre e do Diário Gaúcho. Dois salários extras serão pagos em razão do desempenho destas unidades e mais um pelo do grupo como um todo.

Outro grupo de comunicação que parece ter acertado o compasso e crê num 2004 muito bom é o Estadão, que finalmente conseguiu renegociar suas dívidas com os bancos credores, fato que permitiu também a conclusão do processo de profissionalização da organização, com o afastamento de Francisco Mesquita Neto da gestão dos negócios. Em comunicado distribuído pouco antes do Natal, ele informou que estava se afastando da Superintendência do Grupo, para dedicar-se às funções da Presidência do Conselho de Administração. As atribuições da Superintendência, até que se complete a escolha do novo executivo chefe, estarão sob a responsabilidade dos diretores Eloi Gertel e Célio Virgínio dos Santos Filho, aos quais se reportarão os demais executivos da organização. Desse modo, a família Mesquita, por meio dos Conselhos de Administração e Consultivo e do Comitê de Supervisão e Estratégias, continuará acompanhando, sistematicamente, o andamento dos negócios do Grupo e definindo as políticas e estratégias editoriais e empresariais. Além disso, Ruy Mesquita permanecerá como responsável pela formulação da opinião dos produtos jornalísticos do Grupo. Como nem tudo são flores, os ajustes custaram ainda cinco baixas na redação de O Estado de S.Paulo, entre o final de 2003 e o início de 2004 (deixaram a casa os colegas Maurício Morais (Geral), Mauro Dias (Caderno 2), Gláucia Leal (Geral/Cidades), Nélson Barbosa (Esporte) e o tradutor José dos Santos (Internacional), mas é provável que ao menos algumas dessas vagas sejam repostas.

Outra negociação fechada no apagar das luzes de 2003 foi a venda da revista Bravo, pela Editora D’Ávila, para a Editora Abril, o que passa a valer já a partir de 19 de janeiro, após o fechamento da edição de fevereiro da publicação. A D’Ávila, fundada por Luiz Felipe D’Ávila, está encerrando suas atividades e como havia já uma opção de venda do título para a Abril (feita quando o próprio Luiz Felipe deixou o comando de sua empresa para ser diretor da Unidade de Negócios Estilo da Abril, no final de 2002), o negócio foi concretizado. Com a decisão de fechar as portas, a D’Ávila desfaz-se também de seus demais negócios, entre eles a edição da Revista Jovem Pan, que já em fevereiro deverá ser produzida por outra editora. Na nova estrutura, a redação de Bravo, cujo diretor de Redação é Almir de Freitas, responderá ao Diretor Secretário Editorial da Abril, Laurentino Gomes. Quanto à Revista Jovem Pan, a expectativa, em princípio, é de manutenção da equipe, com Fernando Oliva no comando, apoiado pelo editor Armando Antenore.

Na internet, boas novas. Uma delas é a boa safra de contratações da editoria de Esporte do portal Terra, sob o comando de Alec Duarte. Os reforços chegaram de diferentes locais. Da Folha Online, Alec levou o editor-assistente Almir Rizzatto; do Agora São Paulo, o repórter especial Cezar Martins; do Lance, o redator Eduardo Malanconi. Além destas contratações, Vicente de Aquino, que por mais de uma década foi editor de Esportes da Folha da Tarde (posteriormente Agora), foi efetivado como redator especial. O time se completa com os redatores Allen Chahad e Tiago Trigo, além do estagiário Antoine Morel e correspondentes em oito estados brasileiros.

Outra boa nova é o anúncio que o Banco Itaú acaba de fazer de que vai estrar, na segunda-feira (12/1), seu site de Relações com a Imprensa. O novo canal será acessado através do www.itau.com.br, por meio do link Imprensa na tarja azul inferior da home-page. O principal serviço será a seção Cadastro de Pautas, que possibilitará solicitações on-line à equipe de imprensa da organização. O site terá também uma área de Informações de Mercado, com análises e projeções macroeconômicas nacionais e internacionais feitas por executivos do Itaú, além de banco de dados com releases e acesso à seção Itaú na Mídia ? um clipping com matérias sobre o Grupo publicadas pela mídia. A área de imprensa do Itaú, gerenciada por Paulo Marinho, tem na equipe os colegas Guilherme Magalhães e Paulo Ritta, e conta também com a consultoria das agências Andreoli MSL e Lide Comunicação.

Também o vaivém foi atípico para essa época do ano. Na Prefeitura de São Paulo, por exemplo, o secretário de Comunicação, José Américo Dias, deixou o cargo para reassumir a cadeira de vereador na Câmara Municipal, preparando caminho para concorrer à reeleição. Com isso, assumiu interinamente o cargo a chefe de gabinete Sônia Franiek. Outra novidade por lá foi a nomeação do jornalista Dernal Oliveira dos Santos (colega com larga participação no movimento sindical brasileiro nas décadas de 70 e 80, e que ocupava a chefia de gabinete da Secretaria Municipal de Transportes), para a Presidência da CET, a Companhia de Engenharia de Tráfego do município.

Em Brasília, Shirley Emerick (ex-assessora do STJ, Isto É Dinheiro e Folha) está deixando a assessoria de imprensa do BID (Banco Inter-Americano de Desenvolvimento) para assumir no próximo dia 12 a chefia da assessoria de imprensa da Nossa Caixa-Nosso Banco, em São Paulo; e Laerte Rímoli (ex-Estadão, Folha, Globo e Band, entre outros) foi mesmo para a Infraero (61-312-3251), assumindoo cargo de assessor de imprensa, ao lado de Nunzio Briguglio, superintendente de Comunicação da mesma Infraero.

Mudanças também no comando da revista Conjuntura Econômica, editada pela Fundação Getulio Vargas, no Rio de Janeiro. Saiu o economista Roberto Fendt e entrou em seu lugar o também economista Antônio Carlos Porto Gonçalves, diretor do Instituto Brasileiro de Economia da FGV. Ainda no Rio, registro para a contratação de Vitor Sznejder para a Gerência de Comunicação Social do Sheraton Rio Hotel & Towers, encarregado das áreas de Imprensa, Publicações Internas e Externas e Relações Governamentais.

Também de mudança, o experiente Nemércio Nogueira deixou São Paulo e a Vice-Presidência da agência Andreoli/MSL para assumir a Diretoria de Marketing e Comunicação da Universidade Católica de Salvador, onde já está morando.

Também no campo institucional o jornalismo começa 2004 com uma vitória, com a decisão do Conselho Federal de Medicina de pôr fim à chamada lei da mordaça, aquela que estabelecia uma espécie de censura prévia às matérias envolvendo depoimentos médicos. O Conselho, após ouvir a Fenaj e a Abraji (de Jornalismo Investigativo), decidiu mudar o texto da Resolução CFM 1.701, concentrando seu foco muito mais na publicidade médica, do que na parte editorial (a íntegra pode ser conferida no www.portalmedico.org.br).

Sem falar dos colegas relações públicas, que lograram uma histórica vitória ao colocar o Conferp ? o Conselho Federal de Profissionais de Relações Públicas ? como líder e representante da América Latina no board da Global Alliance, instituição de caráter mundial voltada para o aprimoramento desta atividade profissional. Com esta posição, o Conferp torna-se a primeira organização oficial de relações públicas do continente a ter assento na entidade de caráter mundial. A instituição será representada por Francisco Biondo, diretor de Relações Públicas da Sub-Secretaria de Relações Públicas do Senado Federal e Conselheiro Federal eleito nas últimas eleições para o mandato de 2004 ? 2006. Além da América Latina, também Ásia e África do Sul passarão a ter representantes na Global Alliance, a partir deste ano.

Tem boa notícia também para os micro-empresários que atuam como pessoas jurídicas no segmento das agências de comunicação. A Abracom, associação que reúne as empresas da área, criou uma nova categoria de associados com o objetivo de acolher e propiciar benefícios a esses colegas que prestam serviços sob a forma de pessoa jurídica. Agora, além dos sócios fundadores e dos sócios efetivos (102 no total, entre as duas categorias), esses micro empresários podem associar-se à entidade na categoria sócio-contribuinte ? vão pagar uma anuidade simbólica (valor a ser definido ainda este mês) -, passando a ter acesso a alguns benefícios sociais (convênios médicos e previdência privada, por exemplo, com preços diferenciados), aos cursos e eventos promovidos e à intranet. As mudanças foram aprovadas em assembléia geral realizada pouco antes do Natal. Outras informações no site da entidade (www.abracom.org.br).

Enfim, não deixa de ser um início de ano alvissareiro e efetivamente efervescente. Que assim prossiga para que possamos recuperar parte do terreno perdido em 2001 e 2002.”

 

CORRESPONDENTES INTERNACIONAIS

“A tribo dos correspondentes estrangeiros”, copyright Comunique-se (www.comuniquese.com.br), 06/1/04

“Há muitos anos tento convencer as pessoas da importância da Antropologia para o Jornalismo. Em um outro artigo, divulguei as propostas de uma nova forma de jornalismo investigativo: o Antropojornalismo. Trata-se da combinação da prática e dos valores ético-profissionais do jornalismo com os objetivos investigativos das técnicas etnográficas da Antropologia. Ao invés de confiarmos em um jornalismo investigativo que considera imprescindíveis tecnologias duvidosas como câmeras e intenções ?ocultas?, deveríamos tentar fazer como os antropólogos, que utilizam uma técnica muito mais séria e responsável de ?imersao? ou pesquisa de campo nas comunidades a serem investigadas.

O Antropojornalismo não busca o sensacionalismo das denúncias superficiais ou das imagens proibidas obtidas em favelas ou bailes funk da vida. Muito pelo contrário. A idéia é integrar o jornalista-antropólogo ? ou antropólogo-jornalista ? nas comunidades a serem investigadas. Mas sem mentiras, distorções e utilização de tecnologias consideradas duvidosas em termos de ética profissional e perigosas para a segurança pessoal dos jornalistas. A integração do investigador na comunidade é produto de muito trabalho, determinação e paciência. Jornalismo de verdade não precisa ser caro, mas precisa ser honesto e verdadeiro. Não garante sucesso fácil e imediato, mas muda o mundo! É um trabalho integrado entre os interesses sociais da comunidade e os objetivos essenciais do jornalismo.

A tribo dos Beentos

O professor Ulf Hannerz é um antropólogo sueco da Universidade de Estocolmo que se interessa e pesquisa o fenômeno da globalização. Há muitos anos ele estuda a ?flexibilizacao? das fronteiras e culturas e seus efeitos nas pessoas comuns. Ele iniciou suas pesquisas em 1969, na Nigéria, onde descreveu pela primeira vez para o mundo a exótica e desconhecida tribo dos Beentos. Nunca ouviu falar? Explico. Afinal, há muitos anos, mesmo sem saber, pertenço a esta tribo desconhecida.

Os Beentos são todos aqueles expatriados, ou melhor dizendo, aquelas pessoas que se consideram cosmopolitas. Todos residiram no exterior e um dia, por motivos diversos, retornaram aos seus países de origem. Os Beentos sao indivíduos que have been to, ou seja, estiveram ou moraram em países considerados desenvolvidos, como a Inglaterra, França e Estados Unidos. E por isso eles pagaram um preço alto. Perderam suas ?origens? e nunca mais conseguiram se adaptar em lugar algum. Após muitos anos vivendo no ?estrangeiro?, eles adquiriram costumes e hábitos considerados exóticos e estranhos pelos seus amigos, colegas e parentes ?locais?.

Os membros da tribo dos Beentos vivem em um limbo social, cultural e político. Não quiseram ou não conseguiram se adaptar no exterior, voltaram para seus países, mas todos encontram grandes dificuldades para reassumir a vida e os valores ?locais?. A tribo dos Beentos tende a crescer e a sofrer muito em um mundo cada vez mais globalizado e intolerante com as idiossincrasias desses estrangeiros no exterior ou em seus próprios países. Eles são o lado humano de um conceito distante e abstrato, um fenômeno típico dos nossos tempos que costumamos descrever como essa tal de ?globalização?. O cosmopolitanismo é um problema sério e ainda desconhecido que não tem merecido uma maior atenção por parte dos sociólogos, antropólogos e jornalistas.

A tribo dos correspondentes estrangeiros

O professor Ulf Hannerz resolveu encarar esse desafio. Após conviver durante tantos anos com os Beentos, resolveu descrever os membros de uma outra tribo ainda menor, porém não menos estranha e exótica: a dos correspondentes estrangeiros. Em seu livro recém-publicado, ?Foreign News, Exploring the World of Foreign Correspondents? (ou Jornalismo Internacional, Explorando o Mundo dos Correspondentes Estrangeiros), University of Chicago Press Jan 2004, 272 pgs., Hannerz dirige seu olhar antropológico para descrever os hábitos, costumes e segredos dos jornalistas internacionais.

Qual seria o verdadeiro papel social daqueles profissionais que se dedicam a nos mostrar o melhor e o pior de um mundo? Como eles enfrentam os desafios de um mundo cada vez menor, mais globalizado, porém mais complicado, quase incompreensível? Será que, assim como tantas outras tribos, os correspondentes estrangeiros e o seu habitat natural, o jornalismo internacional, também estariam em extinção? O antropólogo sueco resolveu tentar responder a essas perguntas. Em um misto de curiosidade e admiração ? na introdução do livro, ele confessa que é um leitor compulsivo de notícias internacionais ? foi buscar as respostas em lugares estranhos onde os correspondentes se concentram em grande número, como Tóquio, Nova York, Johannesburgo e diversas capitais do mundo jornalístico.

A tribo dos paraquedistas

Hannerz reconhece que o trabalho desses jornalistas ainda é muito importante e prestigiado. Mas a sobrevivência dos mesmbros da tribo está cada vez mais ameaçada. Em suas investigações antropológicas, ele procurou estudar as dificuldades da profissão. Hannerz passou os últimos três anos viajando e entrevistando todos os tipos de correspondentes estrangeiros. Desde o início, ele distingüe entre os membros da tribo. Ele descreve os enviados especiais, aqueles jornalistas que passam somente alguns anos em lugares considerados ?quentes?, como Nova York e Jerusalém.

Como nunca param muito tempo no mesmo lugar, alguns são considerados jornalistas ?paraquedistas?. Mas todos são ambiciosos e determinados. Buscam sempre novas aventuras e desafios que lhes proporcionem prestígio, reconhecimento profissional e muito dinheiro. Eles sabem que, apesar dos riscos, nada supera os grandes centros e eventos internacionais para a concretização do sonho de uma carreira meteórica rumo ao sucesso. Correspondente estrangeiro é uma profissão difícil e arriscada, mas ainda pode ser um ótimo atalho para a fama e alguns bons negócios. Em seu livro, Hannerz também descreve os perigos do envolvimento dos correspondentes estrangeiros com as grandes empresas internacionais em diversos depoimentos.

A tribo dos expatriados

Em seus estudos, o professor Hannerz contrasta os correspondents itinerantes com os jornalistas ?estabelecidos?, ou até mesmo jornalistas ?imigrados?. Após muitos anos em um mesmo país, muitos correspondentes estrangeiros se tornaram cidadãos de suas novas pátrias. Ele cita vários correspondentes estrangeiros se se tornaram ?locais?, continuam enviando as notícias para seus países de origem como se ainda fossem estrangeiros, mas há muitos anos fizeram a opção pela residência definitiva ou pela cidadania dos países que deveriam descrever enquanto correspondentes estrangeiros.

Hannerz teve o cuidado de descrever esse problema sério e delicado da cobertura internacional. Em países como Israel, diversos correspondentes americanos já vivem há muitos anos em Telaviv ou Jerusalém, são cidadãos israelenses, os filhos freqüentam as escolas locais, eles pagam seus impostos ao governo do país onde vivem como qualquer outro cidadadão local e ainda tentam descrever o conflito entre israelenses e palestinos com uma visão ?estrangeira?. Deve ser muito difícil, principalmente considerando que esses mesmos correspondentes estrangeiros não podem ou não querem voltar para seus países de origem. Não querem fazer parte da tribo dos Beentos, mas ao mesmo tempo também não podem visitar muitos dos países árabes e muçulmanos envolvidos nos problemas do Oriente Médio. A cobertura do conflito entre palestinos e israelenses tende a ser uma cobertura restrita ao lado israelense.

A investigacao antropológica de Hannerz destaca algumas das maiores dificuldades do trabalho dos correspondentes estrangeiros como a ?acomodação?, o distanciamento das próprias origens após muitos anos no estrangeiro e, principalmente, os desafios éticos de uma cobertura objetiva e distanciada. Ou seja, a Antropologia tenta desvendar os limites éticos da profissão de jornalista internacional.

Mas o trabalho metódico e cuidadoso do antropólogo sueco não se limita a temas considerados ?polêmicos?. Ele teve a paciência e a dedicação para buscar as características comuns e as diversidades da tribo dos correspondentes estrangeiros. Ele também investigou a formação ou a falta de formação acadêmica desses jornalistas, seus interesses literários, suas práticas profissionais e suas principais referências históricas como os heróis mitológicos da profissão. Todo correspondente internacional costuma ter um outro grande jornalista como referência profissional e pessoal. Os nosso ancestrais ou heróis incluem nomes mágicos de velhos guerreiros como Ernest Hemingway, Ed Murrow, Walter Cronkite, Peter Arnett ou Christiana Amanpour, nos EUA. No Brasil, também temos nomes importantes como José Hamilton Ribeiro, Luiz Edgard de Andrade, Lucas Mendes e Cristiana Mesquita. Eles conquistaram um lugar de destaque na tribo dos correspondentes estrangeiros.

A tribo pede passagem

Hoje, a nobre tribo reverencia seus heróis do passado, busca uma identidade para o futuro e pede passagem aos mais jovens. Mas para aqueles que ainda sonham em pertencer a essa tribo também recomendo um outro livro: ?The World on a String, How to become a freelance foreign correspondent? (ou ?O mundo por um fio, Como se tornar um Correspondente Estrangeiro Freelancer?), por Al Goodman, John Pollack e Wolf Blitzer, Ed. Henry Holt and Company, Inc. N.Y., 1997. Os autores são jornalistas veteranos que resolveram indicar o caminho das pedras e, ao mesmo tempo, faturar alguns trocados.

O livro nao é nenhuma maravilha, mas ajuda. Afinal, todos os correspondentes internacionais concordam que para pertencer à tribo, todos os pretendentes precisam enfrentar os ?ritos de passagem?. Precisam ser curiosos e corajosos. Mas eles confessam que aprenderam os segredos da profissão na cobertura diária de notícias ?locais?. Os

grandes correspondentes internacionais sempre descrevem os principais eventos do mundo como se fossem notícias próximas ao público-alvo. Eles jamais se esquecem que trabalham para seus compatriotas que compram jornais, ouvem rádios, assistem aos noticiários de TV ou, hoje, interagem com os próprios correspondentes em na Internet. Mas, antes de tudo, jornalista ou correspondente estrangeiro precisa ser humilde, reconhecer que não sabe nada e que precisa aprender todos os dias, que precisa ler muito.

Em busca de um ?televidão?

Mas infelizmente, para uma grande parte dos nossos estudantes de jornalismo, ser correspondente estrangeiro de televisão ainda é sinônimo de ?televidão?. Apesar do prestígio e glamour inevitáveis da profissão, Hannerz faz o possível para desmitificar essa idéia. Em seu livro, ele faz questão de mostrar as dificuldades e os problemas pessoais, principalmente entre a ?elite? dos jornalistas mais estranhos da tribo: os famosos e temíveis correspondentes de guerra. Aqui entre nós, o livro é excelente. Ainda não tinha lido nada parecido. Um trabalho digno da nova Antropologia Urbana e do jornalismo internacional.

Hannerz fez um trabalho importante que dignifica a nossa profissão. Ele prova que a Antropologia e o Jornalismo têm muito em comum e que não deveríamos ter medo de ser investigados da mesma forma que investigamos os outros. Ele faz questão de tocar na ferida ao descrever os efeitos da crescente competição profissional na qualidade do trabalho jornalístico. No livro, Hannerz também investiga os números cada vez mais assustadores de jornalistas mortos em coberturas internacionais. Mas muitos colegas também são vítimas de lutas ainda mais violentas, internas e externas, para ingressar ou mesmo para permancer na prestigiosa, porém não muito honorável tribo dos correspondentes internacionais.

O livro do antropólogo Ulf Hannerz é digno de um jornalista. Ele contribui para o aprimoramento da nossa prática profissional e para o resgate dos valores éticos da nossa tribo. Em tempos de globalização apressada e crise no jornalismo internacional, a Antropologia faz questão de resgatar tanto os nossos valores quanto a nossa própria memória. Eles andam meio esquecidos, mas, certamente, ainda não morreram.”

 

GUERRILHA ANTIPUBLICIDADE

?Guerrilha antipublicidade invade Metrô em Paris?, copyright Agência Carta Maior, (http://agenciacartamaior.uol.com.br), 5/1/04

“?No Metrô parisiense, grandes cruzes negras cobrem as marcas e os visuais publicitários. Desenhos, colagens, grafites e pichações recobrem inteiramente os aliciadores anúncios de Natal: ?a publicidade é uma droga pesada?, ?sirva-se, consuma, pague?, ?mercadoria por toda parte, poesia em nenhuma?… Inicialmente pontuais, essas operações de contrapropaganda tornaram-se uma ação regular das noites de sexta-feira, em uma quinzena de estações do Metrô de Paris, convocadas pelo ?Stopub?, um coletivo de organizações. Aquelas e aqueles que lutam atualmente contra o desmonte do serviço público na França ? artistas, profissionais da saúde, professores e pesquisadores ? recebem o reforço, nas noites de sexta, de centenas de ?guerrilheiros urbanos? armados de sprays, latas de tinta e cartazes feitos em casa.

O objetivo é recobrir o máximo de cartazes publicitários em um movimento que reivindica a defesa do espaço e do tempo contra a invasão da propaganda. ?Em face ao endurecimento da ofensiva capitalista, nós declaramos publicamente guerra contra esse novo tipo de totalitarismo e atacamos seu principal combustível: a publicidade?, anuncia um texto do ?Stopub? que acusa a publicidade de invadir ?nossos espaços públicos, a rua, a televisão, nossas roupas e nossos muros? e propõe a retomada do espaço público ?através de um gesto coletivo e alegre de protesto?.

Um feliz bordel

Sexta-feira, 19 de dezembro, 19 horas. É a última operação antipub antes do Natal. De 400 a 500 ativistas se distribuem em 16 pontos de Paris, atendendo a uma convocação que circulou pela Internet. Duas semanas antes, eram mais de mil a se movimentar pelo subsolo da cidade. Denis, jornalista, cola dólares nos olhos de personagens de cartazes publicitários; Yves, técnico teatral, cola cartazes desejando ?Feliz Bordel!? (contrapondo-se ao ?Feliz Natal!? publicitário); Marc, engenheiro, se deixa inspirar por sua lata de tinta preta, e Emily por seu ?branco de Espanha? ? uma mistura de calcário e água ? ?para facilitar o trabalho daqueles que vão limpar as paredes depois?. Emily, que passa três horas por dia no Metrô, exulta : ?eu esperava esse movimento há muito tempo; a publicidade desresponsabiliza as pessoas e as entorpece; em 1968, eles autorizaram o crédito e depois as pessoas permaneceram tranqüilas…é claro que elas não vão abandonar tudo isso assim, com dez anos de propaganda sobre as costas!?

Jovem decoradora, Emily age como franco-atiradora ao lado de Marie, ainda estudante. Em cinco minutos, elas redecoram uma estação de Metrô sob o olhar estupefato dos usuários da linha, em sua maioria já conquistados pela publicidade. ?A pub é uma extorsão?, comenta um velho argelino, encorajando a ação das duas. Uma mulher as cumprimenta espontaneamente: ?Bravo, continuem ! Minha filha tem 13 anos e luta para comprar roupas sem marca…Eles deveriam nos pagar para vestir roupas de marca e não o contrário; servimos de muro de propaganda, contra nossa vontade!? Às vezes, é a incompreensão que domina, como no caso de uma mulher da região das Antilhas para quem os ?antipubs? zombam de sua ?razão de viver?, ela que ?vive para a publicidade e faz o que a publicidade lhe diz?. ?Madame, não esqueça que é você que paga a publicidade?, responde Denis, pedagogo.

Movimentando cerca de 200 bilhões de euros em 2000, a publicidade custa a cada francês cerca de 500 euros por ano. ?Ela se assemelha assim a um imposto estabelecido pelas empresas, com o qual elas compram seu espaço de expressão?, prossegue Denis, apoiando-se nas teses de dois dos mais antigos grupos desse movimento ? Resistência à Agressão Publicitária (RAP) e Caçadores de Pub.

?Uma mídia ao nosso alcance, simples e gratuita?

Diante da amplitude e do forte impacto midiático desse movimento de jovens pichadores, a repressão policial e judiciária não tardou. No dia 28 de novembro, a polícia efetuou mais de uma centena de prisões na tentativa de reprimir uma ação que reuniu cerca de mil pessoas em várias estações do Metrô parisiense. O risco máximo é uma multa de 62 euros. Quanto à Justiça francesa, no dia 1? de dezembro, ela condenou o servidor de Internet alternativo ?Ouvaton? a revelar o nome dos fundadores do site ?Stopub? O objetivo era identificá-los e obrigá-los, sob pena de pesada multa, a fechar o site. ?Descentralizar esse tipo de ação tornou-se imperativo?, explica Denis, jornalista e membro de um coletivo recém-criado que pretende ?prolongar a guerrilha iniciada por ?Stopub? tornando inaprisionável e mais eficaz a expressão contra a pub?.

Como? Graças à Internet e às impressoras. A idéia é criar um site ? lejournaldesmurs.org (o jornal dos muros) está em via de construção -, que centralize a criação e difusão de mensagens intervindo na publicidade ou permitindo uma expressão crítica do sistema. Menos comandos, menos prisões, cada internauta poderá, de maneira autônoma e ativa, enviar e carregar mensagens, imprimindo-as em suas casas e colando-as, na manhã seguinte, quando partem para seus trabalhos.

?Não pretendemos mudar o sistema, mas a emergência de uma mídia alternativa particular está a caminho?, conclama o manifesto desse grupo que se proclama ?a-pub?, ?pois ela não nos interessa, ou interessa muito pouco?. O objetivo é, portanto, a retomada da palavra sobre os muros e paredes, ?única mídia ao nosso alcance, simples e gratuita?. Uma democratização da mídia urgente e necessária que vem encontrando eco internacional a julgar pelas mensagens que chegam do mundo inteiro no site do ?Stopub? e que permitem prever o surgimento, em breve, de sites gêmeos ao journaldesmurs.org no Chile e, quem sabe, no Brasil.

O manifesto do ?journaldesmurs.org?, disponível também em português, pode ser pedido pelo e-mail denis_la_pub@no-log.fr. Mais informações sobre o movimento antipub nos seguintes endereços: www.stopub.tk, www.bap.propagande.org, www.antipub.net, www.adbusters.org e, em breve, www.lejournaldesmurs.org. (Tradução: Marco Aurélio Weissheimer)?”

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem