Segunda-feira, 25 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

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Monitor Internacional

Por Alberto Dines em 05/11/1997 na edição 33

Julgamento pelo
júri e não pela mídia

Este é o título de um anúncio de página inteira, quatro cores, veiculado pelo canal Fox News, americano, desde setembro na grande imprensa. Pretende promover seu canal de notícias e o equilíbrio da sua cobertura. No curto texto revela a conclusão de uma pesquisa do instituto Harris: 3 em cada 4 americanos acreditam que a mídia é comprometida.

O canal Fox pertence a Rupert Murdoch que não é propriamente o paradigma de jornalismo. O anúncio vale como constatação de que algo de podre também está corrompendo o reino americano.

"Nós informamos, você decide " conclui o anúncio-libelo ou para os céticos, anúncio-confissão. O canal Fox está na rede: www.foxnews.com

Nova
censura?

The Economist publicou à p.30 de sua edição de 18/10 (aqui chegada em 20-21/10) as mesmas informações que veiculamos em 5 e 20/10 sobre a defenestração do jornalismo na redação do Los Angeles Times substituído pelo marketing. Também comenta a chantagem praticada pela IBM e pela Chrysler contra as grandes revistas americanas exigindo que mostrem suas pautas antes da publicação. A fonte foi a mesma, The New York Times (que acessamos pela rede através dos Observadores em Nova York).

O que importa é o enfoque do mais respeitado semanário internacional, conservador em política, liberal em economia: a pressão comercial, do "mercado", equivale a uma nova forma de censura – título da matéria.

Os adeptos da submissão ao mercado deveriam a matéria do "Economist".

Pagar pelas dicas
vira escândalo

O infeliz e-mail enviado pela CBS aos repórteres de polícia e hospitais dos jornais americanos oferecendo mil dólares por informações que resultem em matéria no "60 Minutes" (ver, OI, edição 31) voltou como bumerangue contra os emitentes.

A reação da mídia impressa foi rigorosa: o Pittsburgh Post-Gazette anunciou que se alguém da equipe participar do negócio será dispensado. O jornal não se oporá a um acordo institucional com a CBS recompensando o autor da dica.

A ABC e a NBC não aceitam esta prática, a CNN condena: "nossa cultura valoriza a pressão interna". A própria CBS recuou e agora explica que não era bem assim, a redação do e-mail é que foi infeliz como se fosse um convite à prostituição do jornalista (tip em inglês refere-se também a gorgeta).

O sindicato nacional de jornalistas (Newspaper Guild of America) informou que a maioria dos repórteres americanos ganha menos de mil dólares.

(The New York Times, caderno de Negócios, 27/10/97.)

Jornal sensacionalista
quer mudar

O National Enquirer, semanário sensacionalista americano, vendia até o início do ano quase 3 milhões de exemplares (dois terços dos quais nos supermercados, o resto para assinantes).

Os resultados do primeiro semestre indicam uma queda de 61%. Razões: concorrência dos programas de TV tipo tablóide e também da imprensa "regular" de qualidade que começa a interessar-se pela vida privada das pessoas.

O semanário encomendou um caríssimo estudo estatístico – nada a ver com sondagens de opinião – com uma bateria de testes multivariáveis que incluem a impressão de capas diferentes.

Nada foi tentado em matéria de conteúdo.

(The New York Times, caderno de Negócios, 20/10/97.)

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