Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > FRANÇOISE GIROUD (1916-2003)

“Morreu escritora que fundou o ?L’Express?”, copyright Público, Lisboa, 20 de Janeiro de 2003

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

“A jornalista e escritora francesa Françoise Giroud, co-fundadora do semanário ?L’Express? e antiga secretária de Estado da Cultura, morreu ontem de manhã no hospital de Neully, onde se encontrava já há alguns dias em coma, na sequência de uma queda que lhe provocou um traumatismo craniano.

O presidente da República Jacques Chirac, o primeiro-ministro Jean-Pierre Raffarin e o presidente da Câmara parisense, Bertrand Delanoë, já manifestaram o seu pesar pelo desaparecimento de Giroud, que ?toda a sua vida se bateu?, afirma o autarca socialista de Paris, por um jornalismo independente, sério e sem concessões?.

Autora de dezenas de livros, incluindo romances, crónicas, ensaios, diários, e a recente autobiografia ?On ne peut pas être heureux tout le temps?, publicada em 2001, Françoise Giroud, de seu verdadeiro nome France Gourdji, nasceu em 1916, em Genebra, e tinha origens turcas e russas.

Depois de ter sido empregada numa livraria parisiense, trabalhou como argumentista para vários realizadores, incluindo Renoir, que a cita no genérico de ?A Grande Ilusão?. Em 1940 radicou-se em Clermont-Ferrand e tornou-se jornalista. Durante a ocupação nazi aderiu à Resistência e foi presa pela Gestapo, em 1944.

O encontro decisivo da sua vida ocorreu em 1951, quando conhece Jean-Jacques Sevan-Schreiber, com quem fundará, dois anos depois, o ?L’Express?, onde permaneceu durante mais de 20 anos, primeiro como chefe de redacção e depois como directora. O seu primeiro livro, ?Françoise Giroud vous présente le Tout-Paris?, uma colecção de retratos de personalidades, saiu em 1952. Os títulos mais recentes da sua vasta bibliografia são a recolha de entrevistas ?Profession journaliste?, ?Portraits sans retouches? e a já referida biogafia, todos de 2001.

No ?L’Express?, a luta contra a guerra da Argélia e a defesa dos direitos das mulheres foram dois dos temas dominantes das suas crónicas aceradas. Em 1974 foi nomeada secretária de Estado da Condição Feminina e, em 1976, assumiu a tutela da Cultura, que deixou no ano seguinte. Na segunda metade dos anos 80 colaborou, sucessivamente, no ?Nouvel Observateur?, no ?Le Journal du Dimanche? e no ?Le Figaro?. Em 1992 tornou-se júri do prestigiado prémio Femina.”

“Morre a jornalista Françoise Giroud”, copyright Folha de S.Paulo, 20/1/03

“A jornalista e escritora Françoise Giroud, uma das protagonistas do jornalismo moderno e da liberação feminina na França, morreu ontem em Paris, aos 86 anos, vítima de traumatismo craniano, depois de sofrer uma queda, na quinta-feira. É a segunda perda para a cultura francesa em pouco mais de uma semana. No dia 11, a morte do cineasta Maurice Pialat causou forte comoção no país.

A morte de Giroud já provoca emoção semelhante. O premiê Jean-Pierre Raffarin manifestou sua ?profunda tristeza?. O ministro da Cultura, Jean-Jacques Aillagon, afirmou que a jornalista era ?uma das consciências mais luminosas da sociedade francesa?.

Nascida em Genebra, Giroud trabalhou no cinema como assistente de direção e roteirista. Chegou a colaborar com Jean Renoir. Durante a Segunda Guerra, atuou como agente da Resistência aos nazistas. Foi presa pela Gestapo em 1943. Ao fim do conflito, tornou-se diretora de redação da revista ?Elle?. Fez uma revolução na linguagem e no repertório jornalísticos da imprensa feminina francesa, promovendo a libertação social da mulher.

Em 1953, fundou a primeira ?news magazine? (revista semanal de notícias) na França, ?L’Express?. De esquerda, a revista renovou o jornalismo do país, influenciando a imprensa estrangeira. Foi Giroud quem cunhou o termo ?Nouvelle Vague? (nova onda) para caracterizar o movimento do cinema francês de Jean-Luc Godard, François Truffaut e outros, no fim dos anos 50.

Nos anos 70, Giroud foi secretária de Estado (cargo equivalente a ministro) da Condição Feminina (1974-1976) e da Cultura (1976-1977). Escreveu vários livros, entre romances, biografias e memórias. Alguns deles estão traduzidos no Brasil, como ?Jenny Marx ou a Mulher do Diabo? (Record) e ?Cosima Wagner? (Rosa dos Tempos).”

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