Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

PRIMEIRAS EDIçõES > INTERNET

Motivos para ver o vídeo

Por lgarcia em 03/07/2002 na edição 179

DANIEL PEARL

Em artigo para o Washington Post [20/6/02], Richard Cohen comenta as críticas à exibição do vídeo do assassinato de Daniel Pearl, distribuído pelos terroristas, e menciona o protesto de Judea Pearl, pai do repórter, segundo o qual o filme tem propósito de propaganda ? por "minar os esforços da luta contra o terrorismo e o anti-semitismo". Segundo Cohen, a exposição de argumentos não-emocionais, que não pede qualquer consideração pela família do morto, é ainda assim "de quebrar o coração".

No entanto, diz o autor, foi este artigo que atiçou sua curiosidade. Assistindo ao vídeo que teoricamente deveria atrair novos seguidores, Cohen afirma ter visto Daniel Pearl surgir como humano ? "não um nome, não uma manchete, não esta entidade impessoal que chamamos de ?vítima?". Ao ouvir sua voz e ver sua cabeça cortada na mão de um desconhecido, "segue-se em nós a todo horror, raiva, náusea, aflição e piedade a percepção ou a reafirmação enojante: ah, então é contra isso que estamos".

Embora não recomende o vídeo, Cohen argumenta que ele serviu para humanizar Daniel, e assim acabou por eternizar em sua memória o repórter e aqueles que o mataram.

 

INTERNET

Os pesquisadores Gabi Weiman e Yariv Tzfati, do Departamento de Comunicações da Universidade de Haifa, em Israel, avaliaram 16 sítios de internet de 14 grupos terroristas em 1998 e 29 de 18 organizações em 2002, comparando-os. Como resultado, surgiram conclusões sobre a estratégia de comunicação de cada facção.

Fato que chama atenção na pesquisa é que a maioria dos grupos não faz referência a seus atos terroristas ou os ameniza. Na página do Exército de Libertação Nacional (ELN), da Colômbia, sob os links “direitos humanos” e “drogas e corrupção”, existe material sobre os crimes cometidos pelo governo do país. Há fotos de crianças e a figura da pomba da paz. Não são mencionadas as pessoas mortas ou seqüestradas pela organização. O mesmo ocorre no sítio dos Tigres de Tamil, grupo separatista do Sri Lanka: nada é dito sobre os massacres, atentados suicidas e assassinatos que promovem. Os poucos atos violentos descritos são ligados a operações contra o governo e alvos militares.

Outra característica marcante é que a maioria dos sítios pesquisados não é escrita na língua original de cada grupo. Geralmente, eles têm versões em inglês e francês, e, às vezes, em alemão. Isso reforça a idéia de que foram criados para o público internacional, mesmo porque, os países onde a atuam essas organizações geralmente não têm a internet muito disseminada entre a população.

São exceção os sítios dos muçulmanos Hamas e Hezbollah, que claramente visam o público de Israel. Não fazem o menor esforço para esconder a violência cometida contra os civis e militares israelenses. Ao contrário, fazem questão de reforçá-la com fotos e vídeos de ataques e até cadáveres. Para Weiman, trata-se de estratégia de guerra psicológica. A página do Hezbollah atribui ao líder Ibrahim Nasser a-Din a seguinte frase: “Pela internet, o Hezbollah entrou nas casas israelenses, criando uma importante brecha psicológica”.

Comparando 1998 a 2002, os cientistas israelenses puderam concluir que houve
uma evolução considerável no conteúdo das páginas
terroristas. Há quatro anos, continham quase só texto. Hoje, disponibilizam
músicas, discursos gravados e vídeos. Contudo, seguem sem fazer
uso de espaços de discussão, como fóruns virtuais e chats.
O motivo, como explica Weiman ao Ha’aretz [20/06/02], é simples:
“Qualquer um poderia entrar ali e eles não querem estimular isso. Querem
controlar o discurso”.

 

Em 2000, o americano que usa e-mail no trabalho recebeu por dia, em média, três mensagens de spam ? e-mails comerciais não-solicitados. Em 2003, deverá receber 40, o que o fará perder 15 horas durante todo o ano só para apagar esse correio. Além da perda de tempo, há o incômodo de receber material pornográfico ou ofensivo inesperado. Em diversos estados americanos foram criadas leis contra a prática de spam, e há um movimento no Congresso, ainda pouco forte, para aprovar legislação federal sobre o assunto.

Os jornais estão em situação pouco propícia para combater o dilúvio de mensagens inúteis na rede. Diversos deles utilizam o telemarketing, visto por muitos como uma versão oral do spam, para vender assinaturas. Além disso, como ressalta Eric Wolferman [Editor & Publisher, 24/6/2002], existe a questão da Primeira Emenda, artigo constitucional que prevê a liberdade de expressão. A limitação do spam é tida, por algumas pessoas, como infração a esse princípio.

Para o usuário que quiser se livrar de uma média de 1,8 mil mensagens spam estimadas para este ano, há a esperança dos programas que filtram o correio eletrônico. Contudo, eles não são totalmente efetivos, principalmente porque os spammers criam sempre novos meios de burlar sistemas de proteção. Uma maneira comum de fazer isso é lançar o correio comercial para a rede através do endereço de um terceiro inocente.

A internet se tornou um canal muito barato para os marketeiros. Depois de comprarem a lista de endereços uma vez, não há mais custo algum para enviar propaganda a milhões de pessoas. Assim, com a rede ficando lenta por estar sobrecarregada, o colapso de servidores e o tempo perdido baixando mensagens indesejadas, quem acaba pagando pelo spam é o usuário que o recebe.

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