Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > MÍDIA & GUERRA

Muita forma, pouco conteúdo

Por lgarcia em 29/01/2003 na edição 209

MÍDIA & GUERRA

Com a provável invasão do Iraque pelos EUA, a concorrência está levando os canais de notícias americanos a cometer exageros, comenta Jim Rutenberg em artigo no New York Times [15/1/03]. Qualquer coisa é motivo para flash urgente. Dois exemplos de chamadas extraordinárias da CNN e da Fox News, respectivamente: “Entre os diversos lugares revistados pelos inspetores da ONU no Iraque há duas universidades” e “Campanha militar americana para contatar generais e líderes iraquianos por e-mail parece estar funcionando.”

Entre efeitos sonoros, músicas techno com nuanças militares e jogos com perguntas como “Quantos mísseis scud o Iraque lançou contra Israel na Guerra do Golfo?”, fica claro que as emissoras apostam em grande parte na forma ? e não no conteúdo ? para conquistar audiência com a cobertura do conflito.

A iminente invasão enche os canais de esperança. A CNN, com ampla rede de correspondentes internacionais e memorável cobertura da guerra em 1991, almeja recuperar o posto de líder entre as emissoras de notícias, perdido para a Fox News. Já separou US$ 35 milhões para o evento e deve ter mais de 100 pessoas dentro do Iraque ou próximo.

Com equipe menor, a Fox News não propagandeia quantas pessoas farão sua cobertura, mas diz que seus profissionais estarão no lugar certo. Uma das características principais deve ser o tom patriótico, como o adotado na cobertura dos atentados de 11/9/01. Mesmo a MSNBC, a menos assistida, está treinando 125 funcionários para atuação em cenário de guerra.

Pesquisa da ABC News revelou que dois terços dos americanos acreditam que o governo tem o direito de impedir a mídia de revelar segredos militares. Segundo Howard Kurtz [Washington Post, 17/1/03], seis em cada 10 entrevistados consideram a capacidade do governo de guardar segredos mais importante do que uma imprensa livre (34% discordam).

Para 28%, o governo tem o direito de controlar a informação mesmo em tempos de paz, e 56% acham que as empresas jornalísticas deveriam apoiar o governo em tempo de guerra em vez de questioná-lo. Ainda assim, 61% avaliam a cobertura da mídia como correta; 13% acham que ela apóia demais o governo, e 17%, que critica muito. A margem de erro da pesquisa é de 3%.

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