Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > CHINA

Murdoch quer mercado, não liberdade

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

CHINA

O nada desprezível mercado consumidor da China está fazendo o empresário de mídia multimilionário Rupert Murdoch rever seus conceitos. Em 1992, ele anunciava que a TV por satélite seria uma "ameaça aos regimes totalitários de qualquer parte". Porém, na semana passada, diante de líderes do governo chinês, ele garantiu que "a potencialidade de um mercado aberto não representa perda de poder". "Pelo contrário: com o Partido Comunista controlando os negócios de mídia do país, a fim de supervisionar seu crescimento, os líderes da China, assim como seu povo, serão muito fortalecidos pelas suas recompensas", completou.

A mudança radical na visão de Murdoch obviamente não se deve a uma súbita simpatia pela ditadura chinesa. Ele busca abrir o país, que tem um duro controle sobre os meios de comunicação, para sua rede via satélite Star TV, que já opera em algumas áreas com autorização oficial. De acordo com a Dow Jones [8/10/03], o presidente da News Corp. acenou aos figurões do PC com a possibilidade de transformar a China em um centro global de mídia, capaz de rivalizar com os EUA e o Reino Unido.

Os agrados de Murdoch ao governo do país têm antecedentes. Em 1994 ele deixou de transmitir a BBC pela Star TV, por causa das críticas que a emissora britânica faz ao regime chinês. Depois, uma editora da News Corp. não publicou livro do último governador britânico de Hong Kong, Chris Patten, para não desagradar Pequim.

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