Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > 30/04/03 - Fogo amigo

Nelson de Sá

Por lgarcia em 07/05/2003 na edição 223

CRÍTICA DIÁRIA

“No Ar”, copyright Folha de S. Paulo

“1/05/03 – Empurra-empurra

– O presidente está no empurra-empurra.

Era a Globo News, que na transmissão do passeio de Lula identificou duas manifestações:

– Uma liderada pelo PSTU. Outra pelo PT ou por pessoas com a bandeira do PT.

A barafunda partidária não se restringiu à manifestação. Por todo lado se viam petistas, tucanos, pefelistas, socialistas em crise de identidade.

O tucano Cássio Cunha Lima já abriu o dia reclamando, na CBN, que não dá para governo e oposição trocarem de lado.

No tapete vermelho armado para cobrir a grande reunião de caciques na Câmara, os tucanos Geraldo Alckmin e Aécio Neves tentaram evitar a reclamação.

Apoiaram as reformas de Lula dizendo que já apoiavam antes. Alckmin, na Globo News:

– Nós somos coerentes.

São coerentes porque saíram do governo federal mas seguem em governos estaduais, com contas e eleitores a satisfazer.

Não avisaram, da necessidade de tal coerência, o tucano que entrou com uma ação contra as reformas. Mas a coerência dele é outra, ele não é governo.

Quem também pode falar em coerência, mas de outro gênero, é o PFL. Antes ele era governo, agora está na oposição.

Antes o PFL queria a reforma previdenciária com taxação e tudo. Agora declara que são maldades com velhinhas, no dizer de José Carlos Aleluia.

O mesmo vale para o PC do B de Aldo Rebelo. Antes estava na oposição, agora é governo. E o mesmo vale para dois outros partidos, segundo a Globo:

– PDT e PSB estão contra a taxação, mas os dois políticos de projeção nos partidos, Leonel Brizola e Garotinho, taxaram os funcionários do Estado do Rio durante seus governos.

São coerentes como o PFL ou o PT. Na oposição prometem uma coisa, no poder fazem outra.

Diferentes deles todos, só os radicais, que sumiram quase por completo da televisão. Mas foi possível ouvir, de passagem, que Babá questionou a entrega pessoal dos projetos por Lula. É pressão, resmungou.

Babá e colegas não deixaram a oposição. Mas também eles têm a sua crise de identidade. Como na transmissão, não dá para saber se são petistas ou só pessoas com a bandeira.

Enquanto Luciana Genro ameaça com passeatas para garantir o direito de ser petista, Tarso Genro afirma no tapete vermelho, questionado sobre a filha radical, que ela terá que prestar contas ao partido.

No empurra-empurra que ele mesmo criou, na barafunda em que enredou partidos e famílias, Lula sorri, paternal e coerente como um Getúlio Vargas.”

30/04/03 – Fogo amigo

– Não sou só eu.

Era Heloísa Helena, na Band, com Eduardo Suplicy ao seu lado, em flagrante solidariedade.

Mas os radicais cederam. Não vão mais assinar a ação na Justiça contra a propaganda que Duda Mendonça criou para as reformas.

E falaram pouco. Lindberg Farias evitou as câmeras e os outros seguraram o fogo amigo, na expressão de João Paulo, presidente da Câmara, na Jovem Pan.

Afinaram o discurso e o comportamento para não se mostrarem, como nos últimos dias, oposição ao PT. A radical Luciana Genro teria dado um beijo em Lula.

Mas o presidente, a exemplo de José Dirceu, que falou ao vivo à Globo, não cedeu no rigor. Declaração do ministro, que Lula teria repetido na reunião com a bancada:

– Vamos discutir e decidir. No PT, depois de decidir, todos têm que votar.

Lula, na reunião, teria lembrado as expulsões de 85. Não é pouca ameaça.

Com ou sem ameaça, os radicais afirmam que não dão o seu voto para a tributação dos inativos.

E tem mais. O presidente vai hoje ao Congresso, com os governadores, entregar as propostas de reforma.

Os radicais vão tentar, uma vez mais, para a exasperação de Lula e seu marqueteiro, roubar a cena num ato de servidores públicos.

Nesta semana das reformas, o governo vem produzindo boas notícias como nunca. Do dólar à gasolina, da projeção das exportações à maior descoberta de gás natural.

Mas vêm os radicais e abafam todas. Não demora e Duda Mendonça aparece com algum jeito de neutralizar tão inusitada oposição.

Sem conseguir ser oposição como só o PT sabe ser, os tucanos correm atrás.

O deputado Luiz Carlos Hauly falava ontem à CBN de sua ação na Justiça contra a propaganda das reformas, na esteira de Heloísa Helena.

Garotinho seguiu mais de 80 blitze pelo Rio, na madrugada. Deu ordens pelo rádio, notas para os policiais.

Deu um show. Mas logo na estréia, no registro da Globo, uma bomba explodiu no bairro de Botafogo, zona sul, e deixou um ferido.

Garotinho falou que a bomba não era do crime organizado e mais não disse.”

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