Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > FANTÁSTICO

Niza Souza e Keila Jimenez

Por lgarcia em 07/05/2003 na edição 223

TELENOVELAS

“Até que outra novela os separe”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/05/03

“Danielle Winits e Marcos Pasquim em ?calientes? cenas de amor. Não, não é Uga-Uga no Vale a Pena Ver de Novo. Eles formam um dos pares românticos da nova novela das 7 da Globo, Kubanacan, que estréia amanhã. A fórmula não é nova, mas, nos últimos tempos, autores e diretores têm mostrado pressa em aproveitar a química em cena entre alguns atores e a repetição de casais na telinha é cada vez mais constante.

Para tentar desvincular a imagem dos personagens anteriores, os autores têm algumas táticas – mudam seus perfis, penteados, figurinos, posição social, entre outros truques. Mesmo assim, até que a nova história se desenrole e o telespectador se acostume a ver os mesmos pares com novos olhos, a comparação é inevitável, principalmente quando isso ocorre na seqüência de dois trabalhos.

Em Kubanacan, o autor Carlos Lombardi e o diretor Wolf Maya ainda repetem outros casais vistos recentemente pelo público. Adriana Esteves será Lola, mulher de Enrico (Wladimir Britcha). Os atores contracenaram juntos em Coração de Estudante, que foi ao ar no ano passado. O autor confessa que esta foi uma grande, mas feliz, coincidência. ?Não escalei o Wladimir e a Adriana, quando vi estavam lá, os dois, juntos de novo?, explica Lombardi. A primeira atriz cogitada para interpretar Lola foi Letícia Sabatella.

Outro caso na nova novela são os atores, recém-saídos do elenco de Malhação, Iran Malfitano e Rafaela Mandelli. Eles estréiam sua primeira novela e já carregam o peso de formarem novamente um par romântico na tela, com a responsabilidade de fugirem do estigma ?Nanda e Gui? (nomes de seus personagens na Malhação). ?Eles estarão no mesmo grupo, mas ainda não sei o que acontecerá com os personagens?, esquiva-se o autor. A sinopse da novela, entretanto, revela o contrário. Soledad, personagem de Rafaela, será apaixonada por Carlito Camacho, interpretado por Iran, que descobrirá no decorrer da trama que ela é seu grande amor.

Apesar de seu conhecido estilo de repetir parte do mesmo elenco em seus trabalhos, o que inclui os casais, Lombardi não acredita em mesmice. Para o autor, a chamada ?química? entre atores significa que eles funcionam bem no jogo da interpretação e ele não vê problemas em reaproveitar isso. ?Quem acha que é igual, acha. Meu trabalho é escrever e o das pessoas é ter opinião. É óbvio que para mim não é igual.?

Para o autor Gilberto Braga, o fenômeno tem outra explicação. ?Acho que muitas vezes o público é quem quer ver de novo. É essa ânsia que faz os autores repetirem algumas fórmulas?, acredita. ?É claro que, se exagerarmos, as pessoas podem se cansar.?

Ele lembra que já repetiu o par romântico Malu Mader e Fábio Assunção duas vezes, na minissérie Labirinto (1998) e na novela Força de um Desejo (1999). ?A química deles dá muito certo?, admite. Mesmo assim, ele preferiu não arriscar. Em sua próxima novela, Celebridades, que deve estrear em outubro, no horário nobre da Globo, Braga escalou, para o casal de mocinhos da história, Malu Mader e Marcos Palmeira. ?Eles nunca fizeram par antes, mas acho que pode funcionar bem.?

O casal Antônio Fagundes e Regina Duarte também já é conhecido do telespectador. Eles viveram romances perturbados em Vale Tudo e Por Amor. Fagundes também volta à cena no seriado Carga Pesada e terá como par romântico Patrícia Pillar, repetindo o casal de O Rei do Gado. José Mayer e Helena Ranaldi são outro exemplo. Eles fizeram juntos a novela Laços de Família e, em seguida, a minissérie Presença de Anita. Atualmente, outro casal que se repete em cena é Miguel Falabella e Marisa Orth. Eles ficaram mais de cinco anos no ar como Caco Antibes e Magda, no sitcom Sai de Baixo, e no momento formam um dos casais da novela das 6, Agora É Que São Elas.

Desgaste de imagem – Conscientes, os atores reconhecem que há uma certa empatia do público com determinados casais, o que acaba chamando a atenção e sendo mais explorado por autores e diretores na escalação de alguns pares românticos. Apesar de preocupar, o assunto não chega a ser um problema para a maioria dos atores. Pelo contrário.

?A gente estava um pouco preocupado com isso, mas os personagens são completamente diferentes, principalmente na forma como eles se relacionam. Apesar de ter humor, é quase o oposto de Coração de Estudante?, compara Wladimir Britcha. ?Pela nossa cumplicidade, tenho certeza de que vamos conseguir driblar o risco que é se repetir e fazer algo diferente.? Adriana Esteves também acredita que o trabalho é diferente e diz estar adorando trabalhar novamente com Britcha. ?Ele (Wladimir) é muito meu amigo e o considero um excelente ator. Aliás, o fato de trabalhar com ele foi um dos motivos que me fizeram aceitar o papel.?

Danielle Winits também não parece muito preocupada com o assunto. ?Não me incomodo nem um pouco em repetir o par romântico com o Pasquim. Mesmo porque não sei como isso vai ficar no decorrer da novela. A gente começa junto, mas o que vai rolar depois só o Lombardi sabe.?

A atriz prefere encarar a situação como um desafio, uma maneira de comprovar seu talento. ?São personagens diferentes do trabalho anterior. A gente vai viver um drama, um amor romântico, nada a ver com Uga-Uga, que tinha outra proposta, era uma comédia mais rasgada?, lembra. Pasquim concorda e também não acredita que isso possa atrapalhar a carreira de ambos. ?A gente tem uma química boa, que funciona, acho que esse é o segredo.?

Empatia – Estreando em novelas, Iran Malfitano vê o lado positivo em contracenar novamente com Rafaela Mandelli. ?A gente já se conhece, se entende, e isso pode facilitar o trabalho?, diz. ?Além disso, é um reconhecimento do nosso trabalho. Se estamos juntos de novo é porque alguém gostou.?

Mesmo assim, ele admite que será um grande desafio conseguir mudar a imagem, já conhecida do público, do casal Nanda e Gui. ?Fizemos 1 ano e 8 meses de Malhação e por isso teremos que tomar um cuidado redobrado, mas acho que isso não vai prejudicar nossa carreira.? Rafaela concorda e lembra ainda que pelo fato de a novela ser de época – se passa na década de 50 -, o visual diferente dos personagens vai ajudar a desvincular as imagens. ?A gente vai ter que dar conta do recado.?”

***

“Kubanacan? reprisa também parceria entre autor e diretor”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/05/03

“Por trás das câmeras, outra fórmula se repete em Kubanacan. É a terceira vez que o autor Carlos Lombardi e o diretor Wolf Maya trabalham juntos. A dupla assinou ainda a novela Uga-Uga (2000) e a minissérie O Quinto dos Infernos (2002). Desta vez, a proposta, diz o autor, é prestar uma homenagem ao estilo crítico social de Cassiano Gabus Mendes e à dramaticidade de Ivani Ribeiro. ?Quero fazer um Que Rei Sou Eu novo?, explica Lombardi. ?Da Ivani, vamos buscar a emoção dos personagens. Eles têm sonhos claros e pretendem coisas muito diferentes da vida que têm?, completa Wolf.

A novela começa em 1950, mas no segundo capítulo há uma passagem rápida de tempo – oito anos. Kubanacan é um país fictício, uma ilha tropical no Caribe, onde a principal fonte de renda são as bananas. Por isso, é conhecida como República das Bananas. Um dos personagens principais, Carlos Camacho (Humberto Martins), é general do Exército e chega à presidência da República via golpe de Estado.

?A idéia é fazer uma crítica política. Mas o Camacho não é o FHC, não é o Lula nem ninguém. Ele é a soma de vários ditadores e caudilhos populistas?, diz o autor. Assim como a primeira-dama, dona Mercedes (Betty Lago). ?Ela tem um pouco de várias primeiras-damas do mundo, de Jacqueline Kennedy a Evita Peron. Mas são apenas personagens, não estou fazendo caricatura política?, esclarece Lombardi. ?O público vai encontrar um pouco de todos os ícones latino-americanos que ele (Lombardi) juntou num país fictício para falar mais à vontade?, diz Wolf.

Outra curiosidade é o personagem de Marcelo Saback, Capacho, que será o ?clone? do general Camacho. ?Este personagem veio bem a calhar, é uma sátira imediatista a Saddam Hussein e seus dublês?, acredita o ator, chamado de última hora. ?Fui escalado aos 45 minutos do segundo tempo?, brinca.

Seu personagem é apaixonado pelo general e tem uma certa ingenuidade. ?O Capacho fica vendo o retrato do general para imitar suas caras.? Para fazer o papel, Saback cortou os cabelos, deixou o bigode e emagreceu. E o resultado é incrível. ?Acho que nem eles (o Wolf e o Lombardi) acreditavam que a gente ficaria tão parecido.?”

“Repetir casais que ultrapassaram a ficção é um risco”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/05/03

“Alguns casais dão tão certo na ficção que a tal ?química? perfeita entre eles é levada ao pé da letra para a vida real. Mas, quando o romance ultrapassa a tela, experiências mal sucedidas no passado e um pouco de bom senso mandam que diretores e autores evitem repetir esse par numa outra produção, em curto ou médio prazo. A lógica é simples: escalar marido e mulher de verdade numa novela representa enfrentar o risco de que a relação real acabe no decorrer da história. Mesmo que o romance termine na base da boa civilização, e por mais profissionais que sejam os atores envolvidos, o clima da separação – ou mesmo de uma briga temporária – inevitavelmente contamina a ficção.

Foi assim na novela Meu Bem Querer, em que Alessandra Negrini e Murilo Benício, marido e mulher fora da tela, formavam um dos casais do elenco. No meio do folhetim, os dois se separaram e já não se mostravam à vontade para contracenar um com o outro.

O que teria ocorrido, por exemplo, se a Globo tentasse reaproveitar a inesperada química que se criou entre Vera Fischer e Felipe Camargo na novela Mandala (1987-88), onde os dois eram Jocasta e Édipo? Foi um romance tórrido, com desfecho idem e que fatalmente teria afetado qualquer roteiro que os dois estivessem vivendo na ficção.

A não ser que os casais reais tenham uma longa história fora das telas, como Tarcísio Meira e Glória Menezes, Paulo Goulart e Nicette Bruno, ou Carlos Zara (morto no ano passado) e Eva Wilma, não vale a pena inverter o chavão que dita que ?a vida imita a arte?. A arte, aliás, imitou a vida e foi bem-sucedida justamente em um desses casos, o de Zara e Eva, que formavam par romântico na versão original de Mulheres de Areia (1973-74) e representaram marido e mulher no seriado Mulher, exibido até quatro anos atrás na Globo.

O episódio mais recente de beijo técnico que rendeu romance de verdade une agora Murilo Benício e Giovanna Antonelli, par central de O Clone (2001).

Assim foi também com Cláudia Raia e Edson Celulari em Deus nos Acuda (1992), Letícia Sabatella e Ângelo Antônio em O Dono do Mundo (1991) e com Letícia Spiller e Marcello Novaes, agora já separados, em Quatro Por Quatro (1994).”

 

MISS BRASIL 2003

“Miss Brasil tem público em pleno 2003”, copyright O Estado de S. Paulo, 4/05/03

“A mulher mais bonita do País é Gislaine Ferreira, representante do Estado do Tocantins no concurso Miss Brasil, mas importada de Minas Gerais para a competição, coisa que rendeu acusações de suspeita de fraude e ameaças de impugnação do título na Justiça esta semana.

A maior beneficiada pelo burburinho foi a Bandeirantes, dona do concurso e dos direitos de sua transmissão a partir de agora. A emissora já tinha feito grande alarde ao ficar ?por 45 minutos? na vice-liderança do ibope no sábado com 7 pontos de média de audiência e, logo que surgiram as insatisfações, emitiu uma montanha de comunicados à imprensa para esclarecer que o concurso havia sido devidamente auditado por uma empresa idônea.

Pelas regras, as candidatas têm de ter entre 18 e 25 anos e não serem (ou terem sido) casadas. Esse quesito, o do casamento, custou a coroa à ex-big brother Joseane há dois meses do fim do seu mandato. Nascer em um Estado e representar outro é permitido.

Briga em concursos de misses faz parte da carreira do prêmio, que completará 50 anos em 2004. O aproveitamento no terreno do marketing pela emissora – que colocou todos os apresentadores de seu casting a serviço dele e, em conseqüência, todos os programas para repercutir o evento também faz parte da cartilha.

Nessa linha, a Bandeirantes, que tomou os direitos de transmissão do prêmio do SBT, anunciou por meio do mestre- de-cerimônias Marcos Hummel que sua missão é ?recuperar? o charme do concurso. Para isso investiu na ?modernidade?, contratando o produtor Paulo Borges (São Paulo Fashion Week) e colocando em seu júri personalidades como Costanza Pascolato, César Giobbi, Alexandre Herchcovitch, Glória Kalil, Danuza Leão e até a segunda-dama da República, Marisa Alencar.

A noite de gala teve orquestra no fosso – a ótima Banda Mantiqueira, muito smoking, muitos paetês, trajes típicos, de gala, luzes e apresentações de Fábio Júnior, Wanessa Camargo e Daniela Mercury. Houve citações de Dostoievski – ?a coisa mais difícil de se julgar é a beleza? – por Marcos Hummel, que também usou o nome de Rodin, Gauguin e Goya para ?ilustrar? o evento. Nada diferente do que se pode esperar de um concurso de miss. Ah, houve lágrimas de miss também, de Taiza, lamentando ter tido um reinado de dois meses, tempo curto para suas ?obras?…

O mais curioso, porém, é constatar que o jurássico concurso Miss Brasil tem público no ano 2003. Sem desmerecer o esforço da Bandeirantes e das pessoas envolvidas no espetáculo, cabe uma pergunta: Faz sentido premiar beleza de mulher neste momento?

Momento no qual a tecnologia estética é capaz de operar milagres em corpos e rostos que a mãe natureza tratou como madrasta. Talvez fizesse sentido nos anos 50, quando a beleza da mulher era quase natural.

A maioria das concorrentes do Miss Brasil, apresentadas como universitárias, segue a carreira de modelo – iniciante ou profissional, por isso fica difícil acreditar quando elas garantem não ter lançado mão do silicone ou da lipoaspiração. Afinal, se a miss cassada, Joseane, apresentava os seios de silicone como um dos seus maiores trunfos no Big Brother Brasil, por que as aspirantes ao estrelato rejeitariam esses recursos?

Talvez tenham sido aconselhadas pelos organizadores. A verdade, neste caso, tornaria o show mais fake e mais brega do que já é por natureza.”

 

FANTÁSTICO

“Comercial de Lula tira Denise Fraga do ar”, copyright Folha de S. Paulo, 30/04/03

“A TV Globo suspendeu o quadro ?Dias de Glória?, do ?Fantástico?, interpretado por Denise Fraga, por causa da participação da atriz na campanha publicitária do governo federal sobre a reforma da Previdência Social.

A emissora chegou a anunciar a exibição no último domingo, de episódio em que a atriz iria explicar como o ministro Antonio Palocci Filho (Fazenda) fraturou o tornozelo. O quadro foi suspenso na sexta, após a Globo analisar a campanha da Previdência.

Segundo a Globo, a publicidade do governo Lula é muito semelhante ao que a atriz faz no ?Dias de Glória?. No quadro, Fraga interage com fatos da semana. Na propaganda, ela interage com Othon Bastos, que explica os principais pontos da reforma.

A Globo tem norma interna em que seus artistas contratados não podem fazer publicidade que tenha relação com seus personagens ou programas. De acordo com a emissora, Denise Fraga foi alertada, mas ?não respeitou essa norma?. A atriz, que recebeu R$ 40 mil de cachê, não respondeu aos telefonemas da Folha.

Segundo a Propeg, agência da campanha, a identificação entre a atriz e a personagem foi intencional. A Globo vetou a veiculação do comercial no ?Fantástico?.

O quadro está suspenso até ?nova avaliação?. É possível que volte ao ar já no próximo domingo, porque os comerciais de Fraga só vão ao ar até hoje à noite.”

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