Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > NOVO MINISTRO NO MEC

No rumo da reforma

Por lgarcia em 27/01/2004 na edição 261

NOVO MINISTRO NO MEC

Victor Gentilli

O objetivo agora é claro e evidente: a reforma universitária. Lula falou ou deixou sua fala escorregar para a imprensa sem desmentidos, e o novo ministro da Educação Tarso Genro também o deixa claro em suas entrevistas. O argumento forte é de que é preciso um ministro sem vínculos acadêmicos para tocar o MEC neste ano de reforma. Sinal de que a proposta de reforma vai mexer com interesses corporativos nas universidades. Argumento que confirma a fala de José Dirceu algumas semanas atrás: o pau vai comer.

O novo ministro da Educação é bom formulador e bom administrador. Embora tenha construído sua biografia fora dos meios acadêmicos, seu currículo o credencia para comandar o MEC nesses tempos de mudanças. Tarso tem grande poder no governo, o que, claro, ajuda muito, e sua capacidade de negociar, articular e construir é inegável. É homem de diálogo e ação. O Conselho de Desenvolvimento Político e Social foi tratado como um ministério de fato pela imprensa graças à capacidade do ministro. A figura de Tarso Genro era a expressão do Conselho que comandava. Ou vice-versa, o que no fim dá na mesma. Na construção já do primeiro Ministério Lula, Tarso soube alocar-se em espaço novo e deu a ele a dimensão devida. Não foi o que aconteceu com outros ministros de ministérios novos.

O fato é tão ostensivo que Jaques Wagner rejeitava a troca de ministérios. Foi preciso um convite de Lula para que integrasse o "núcleo duro" do governo para que Jaques topasse ir para o posto que era a cara do Tarso. Tarso não era do "núcleo duro", mas sempre foi homem forte no governo.

"Núcleo duro" que não é tão duro assim, como diz Aldo Rebelo, dirigente do PCdoB e agora com as tarefas ministeriais de articulação política antes confiadas a José Dirceu.

É preciso dizer: Aldo Rebelo será figura-chave para que a reforma universitária prossiga com sucesso. Sua capacidade de articulação é inegável, assim como seu compromisso partidário. Portanto, a máquina da UNE vai continuar funcionando como a máquina da UNE, lubrificada pela articulação política a cargo do PCdoB. Os estudantes poderão chiar, mas a voz oficial dos estudantes será a da UNE. Será uma voz governista até o último fio de cabelo. Ou o PCdoB não é o PCdoB.

Os corporativismos foram todos ajeitados nesta reforma ministerial. Crescem os partidos, perdem os movimentos sociais. Os movimentos sociais, que sempre tiveram sua expressão política no PT, agora vão ter mais dificuldades. O Andes (Sindicato Nacional dos Docentes do Ensino Superior) há muito já não é mais nem petista nem governista. Está fora do jogo. A UNE tende a crescer, governista e com apoio do novo ministro comunista.

Cotas, o retrocesso

As estruturas partidárias parecem sair mais fortes desta reforma ministerial. As máquinas azeitadas e funcionais, como o hoje grande PT e o quase médio PCdoB, crescem porque é neles que se apóia a efetiva base governista. O PMDB entra no governo, amplia a base, mas sua capacidade de aglutinação vem do fisiologismo governista que hoje o contamina quase tanto quanto o PFL, para o bem ou para o mal, hoje fazendo uma oposição que nunca foi do seu feitio.

O "corporativismo partidário", hoje, é o que conta.

O governo volta-se para a sociedade. E, como diz Tarso Genro em entrevista a O Globo (25 de janeiro de 2004), a universidade tem que ser pública. Tarso parece rejeitar o sistema de cotas, não afirma nada sobre o Provão (a não ser que as avaliações precisam ser objetivas) e mostra abertamente os problemas da proposta de taxar os estudantes de escola pública no Imposto de Renda.

No sistema de cotas, o único retrocesso. Em ano eleitoral, não se trata de coisas polêmicas.

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