Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > CRISE NA CÁSPER

Nota do Centro Acadêmico Vladimir Herzog

Por lgarcia em 12/02/2003 na edição 211

CRISE NA CÁSPER

O Centro Acadêmico vem declarar sua posição diante dos últimos fatos ocorridos na Faculdade. Como muitos já sabem, o coordenador de Jornalismo Marco Antonio Araujo foi demitido durante as férias, numa clara retaliação à luta contra o aumento de vagas nas classes. Depois de anulada a eleição interna dessa coordenadoria, agora temos uma ameaça de golpe nas novas eleições realizadas no último dia 30, já que a chapa pró-diretoria deverá ser empossada mesmo tendo perdido as eleições.

Durante o último semestre de 2002 inúmeras atitudes da direção da Faculdade e da superintendência da Fundação indignaram alunos e professores. Primeiramente, os acordos sobre as mensalidades, firmados em horas de negociação do C.A. com o setor financeiro da Fundação, foram rasgados no dia seguinte (a diferença foi de 1,5% a mais do acertado, ou seja, fizeram questão de dar a palavra final).

O curso de Turismo (que, aliás, fracassou por falta de alunos inscritos), assim como o aumento do número de alunos de Jornalismo, foram decidido na sala do senhor Erasmo, sem consulta à Congregação. Devido à revolta que isso causou, o senhor diretor comunicou à Congregação que não haveria mais aumento de vagas. Apesar da palavra empenhada frente a todos, o aumento foi decidido do mesmo jeito, lá em cima. A indignação sobre este desrespeito às instâncias democráticas da Faculdade levou os professores a baterem de frente com a superintendência da Fundação e a direção da Faculdade.

A primeira retaliação foi a anulação do resultado das eleições para coordenador de Jornalismo; afirmaram que o eleito, Mario Vitor, não possuía titularidade nem tempo de casa, requisitos para o cargo. Porém, a candidatura fora aprovada anteriormente pela direção, pois não havia outro candidato e porque houve casos anteriores em que não foram exigido esses pré-requisitos (caso do ex-coordenador de Relações Públicas). No fim de dezembro, quando qualquer reação de alunos e professores era impossível, houve a demissão do Marco Antonio.

Agora, temos uma coordenadoria dividida: Welington e Carlos Costa (chapa "criada" no gabinete da direção), que provavelmente serão empossados, mesmo derrotados nas eleições; e Luis Costa e Marcelo Coelho, que contam com o apoio da maioria dos professores, do C.A. e dos dois representantes discentes de Jornalismo (Felipe Lima e Guilherme Rampazo). Luis Costa derrotou Welington por 19 a 8, Marcelo Coelho ganhou por 20 a 7.

Devemos salientar que muitos desses professores cooptados pela direção para apaziguar a coordenadoria há poucos dias atrás defendiam ações radicais contra a demissão de Marco Antonio e os absurdos que ocorreram na Cásper;

A discussão a que chamamos todos não pode cair sobre a pessoa do Marco Antonio, suas extravagâncias, temperamento ou problemas como professor. O C.A. teve enormes diferenças com ele durante todos os seus anos de mandato; no último Fórum de Auto-Avaliação do curso de Jornalismo, um membro do C.A. foi ofendido na frente de centenas de pessoas ? e depois recebeu desculpas públicas dele. Também o C.A. travou grandes brigas com a coordenadoria sobre o Provão.

O problema é a truculência com que a Faculdade trata aqueles que questionam os rumos mercadológicos da entidade (Marco Antônio "liderou" a briga contra o aumento do número de alunos, e foi contra o curso de Turismo). Como, após 7 anos como coordenador, 3 mandatos, só agora ele "perdeu a confiança da direção"? Como só agora é um mau professor? Porque só agora a direção apresenta críticas a ele? Na reunião da coordenadoria de Jornalismo realizada no fim de junho de 2002, o próprio Erasmo teceu grandes elogios ao Marco Antonio na frente de todos; será que mentia, ou será que a sua mudança de posição ocorreu depois da briga contra o aumento de vagas?

Devemos compreender que por trás de sua demissão todo um processo antidemocrático interno se desenrola, e já enumeramos nesta carta amostras disso. Mais do que nunca a insatisfação e a mobilização dos alunos mostra-se necessária para impedir que esse possível golpe venha a acontecer e possa se consolidar. Se perdemos, qualquer luta futura estará fadada ao fracasso, porque a força antidemocrática terá de vez dominado a Faculdade. Se ganharmos, poderemos avançar em nossas lutas.

Assim, declaramos nossa defesa à posse de Luiz Costa e Marcelo Coelho, escolhidos legitimamente pelos professores e representantes discentes. Está é a luta democrática de todos que estão engajados pela nossa Faculdade.

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