Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

PRIMEIRAS EDIçõES > DANIEL PEARL (1963-2002)

Nota do Wall Street Journal

Por lgarcia em 01/01/2003 na edição 205

DANIEL PEARL (1963-2002)

Daniel Pearl, descanse em paz [WSJ, 22/2/02]

Nós acreditamos, baseados em fontes americanas e paquistanesas, que nosso repórter Danny Pearl foi morto por seus seqüestradores no Paquistão. Seu assassinato é uma tragédia para a família, especialmente para sua esposa grávida, Marianne, e para todos nós que o conhecíamos como amigo e colega. Estamos deprimidos com sua perda.

Gostaríamos de agradecer a muitas pessoas, especialmente funcionários do governo americano e outros do Paquistão, pela ajuda depois do seqüestro, há quase um mês. Somos gratos, também, a quem ajudou a divulgar a captura de Danny e pediu por sua soltura.

A morte de Danny é uma lembrança terrível, como tantas outras desde 11 de setembro, de que o mal ainda caminha por este mundo. Danny não era soldado ou espião, como seus assassinos acusaram em e-mails. Ele era um jornalista americano não-combatente, tentando entender e explicar o mundo islâmico a seus leitores. Sua morte é um ato de barbárie.

Seus assassinos clamam ser nacionalistas paquistaneses combatendo os governos americano e paquistanês. Mas eles deveriam saber que esta morte não ajudaria em nada a levar seus objetivos adiante. Em vez disso, traz vergonha a todos os patriotas verdadeiros do Paquistão e desprezo de todos os cantos civilizados do mundo.

Não há obviamente justificação racional para este tipo de niilismo. Terroristas tentam matar inocentes meramente porque são inocentes. Neste sentido, Danny não é diferente das centenas de americanos que morreram em 11 de setembro. Eles também eram inocentes cuidando de seu trabalho diário. E, como Danny, estavam vulneráveis por causa da própria abertura e tolerância de nossa sociedade. Como jornalista de um jornal americano procurando respostas em país estrangeiro, Danny simplesmente estava na vanguarda desta abertura.

No Journal, devemos acrescentar, sentimos este atentado terrorista de uma maneira pessoal. Os ataques ao World Trade Center nos atingiram em nossa sede e mataram muitos de nossos vizinhos. Agora assassinam um de nossos colegas. Experimentamos intensamente o profundo sentimento de violação que milhões de outros americanos sentiram desde 11 de setembro.

Quando lembrarmos de Danny nos próximos dias, ficaremos orgulhosos do trabalho ao qual dedicou sua vida como repórter. Danny tinha uma personalidade gentil para um jornalista, não rabugento como alguns de nós, mas tão corajoso quanto qualquer um. Sua morte nos lembra que o jornalismo é um trabalho perigoso. Mas sua vida nos lembra também que é um trabalho nobre e vital, ainda mais numa época complexa em que crenças diferentes e diferentes partes do mundo estão tentando entender uma à outra.

Danny Pearl comprometeu sua carreira, e agora deu sua vida, para revelar fatos que permitiriam ao mundo ver melhor seus próprios dilemas. Isto inclui, talvez especialmente, o mundo islâmico que freqüentemente sofre com a falta de uma imprensa livre, sendo desta forma mais vulnerável à propaganda. Danny não era um caçador de emoções cobrindo uma zona de guerra. Ele acreditava, como quase todos jornalistas o fazem, que ao explorar a verdade dos eventos o mundo será mais capaz de encarar e resolver seus problemas.

Os terroristas que atacaram a América em 11 de setembro acharam que podiam acovardar uma nação e fazê-la recuar no mundo. Em vez disso, tornaram os americanos mais resolutos do que nunca a proteger a si e a seus valores ao redor do mundo. Os assassinos de Danny Pearl podem achar que vão intimidar jornalistas americanos a desistir de seu trabalho de reportar o mundo. Descobrirão que estão igualmente errados.

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