Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

PRIMEIRAS EDIçõES > THE WASHINGTON POST

Notícias que caem como bombas

Por lgarcia em 19/12/2001 na edição 152

THE WASHINGTON POST

No topo da capa da edição de 4 de dezembro do Washington Post, destacou-se uma reportagem exclusiva de três jornalistas de elite do jornal, Bob Woodward, Robert Kaiser e David Ottaway. A manchete dizia: "EUA temem que bin Laden tenha aparatos nucleares". O subtítulo afirmava que "preocupações com ?bomba suja? afetam segurança" ? "bomba suja" é expressão para a bomba de urânio 238, de alta radioatividade, utilizada em guerras.

A reportagem, segundo o ombudsman Michael Getler [The Washington Post, 9/12/01], dizia que agências de inteligência americanas concluíram recentemente que Osama bin Laden e sua rede de terrorismo al-Qaeda podem ter mais matéria-prima que o previsto anteriormente para fabricar armas radiológicas e usar explosivos convencionais para espalhar radiação sobre grandes áreas, de acordo com os EUA e fontes estrangeiras. Além disso, o artigo diz que "a preocupação acerca das tentativas da al-Qaeda em obter matéria-prima nuclear foi fator decisivo" pela Casa Branca um dia antes de "divulgar outro alerta nacional sobre possíveis ataques terroristas", segundo "uma fonte sênior".

Próxima a este artigo estava a reportagem sobre o posicionamento de Tom Ridge, diretor da Segurança Nacional, sobre o novo alerta. "Ridge faz terceiro alerta sobre ameaça de novo ataque" era o título. Como em outras ocasiões, Ridge disse que os sinais eram críveis mas não específicos. Apesar disso, a reportagem do Post dizia que "há também maior preocupação de que bin Laden tenha juntado mais material que o previsto" para fazer uma arma radioativa.

No dia seguinte, outro artigo do Post explica que, enquanto encontrar material radioativo suficiente para fazer uma "bomba suja" é relativamente fácil, "o efeito de tais bombas jamais poderia se aproximar ao de uma explosão nuclear". A mesma reportagem conta que Ridge afirmou que o último alerta antiterrorista não tinha nada a ver com a ameaça de "bomba suja". Não havia chamada para os comentários de Ridge na primeira página.

Getler, ombudsman do Post, como consumidor de notícias do jornal e residente de Washington, afirma prestar atenção reforçada a tudo o que Woodward e companhia publicam. Apesar de confiar na equipe, reconhece que se tratou de uma combinação assustadora, ainda mais se assinada pelo veterano e "rei das fontes" Woodward. "Considerando-se a bagagem emocional que a menção de radioatividade e arsenal nuclear carrega", disse Gelter, "teria sido apropriado, em minha opinião, que se desse mais destaque às negações e comentários de Ridge" nos dias subseqüentes e "à distinção detalhadas entre ?bomba suja? e bomba nuclear."

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