Terça-feira, 23 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Nova dor de cabeça nos EUA

Por lgarcia em 16/10/2002 na edição 194

PROPAGANDA ELEITORAL

Emissoras regionais dos Estados Unidos passaram a analisar, antes de aceitar, os até então lucrativos anúncios de propaganda eleitoral para o próximo pleito parlamentar americano, devido a seguidas ameaças de processo, por “difamação”, oriundas dos partidos políticos. É que determinados anúncios se transformaram em dor de cabeça para os departamentos jurídicos de pequenas estações, às voltas com os delicados temas dos tribunais.

Ao mesmo tempo, os donos de emissoras viraram atores políticos da maior importância, pois passaram a ser juizes da comunicação dos partidos: republicanos e democratas investigam o passado desses proprietários de TV para saber se já fizeram doações de campanha ou participaram de qualquer mobilização que possa colocar sua integridade em dúvida.

“É muito desafiador. Somos nós que decidimos e, na maioria das vezes, temos que passar ao departamento jurídico. Não temos as fontes para checar tudo isso”, conta Gary Bowden, gerente geral da WBOY, emissora de Clarksburg, no estado de West Virginia que acaba de recusar um anúncio democrata.

Adam Nagourney e Adam Clymer, do New York Times [2/10/02], contaram que, em sua campanha na TV, os democratas têm acusado agressivamente os republicanos de serem a favor da privatização da seguridade social e de serem contrários ao reforço das leis de controle da gestão corporativa. Os republicanos, por sua vez, insinuam que os democratas são contra a redução dos impostos. Como as eleições parlamentares deste ano estão muito concorridas, a guerra televisiva também se acirrou.

Um dos casos envolve a deputada republicana Shelley Moore Capito. Os democratas produziram filme afirmando que quando ela “teve uma chance de proteger a seguridade social da privatização ela disse não”. Shelley defende a aplicação de recursos dos fundos de pensão na bolsa de valores. A acusação se baseia em votação de emenda que previa cortes nas verbas da comissão que avalia a previdência. Shelley votou contra o corte, a emenda acabou rejeitada, e a comissão, mais tarde, recomendou o uso do dinheiro dos fundos de pensão na bolsa.

Logo que o anúncio apareceu, os republicanos mandaram carta às TVs denunciando seu caráter difamatório. David Barnette, advogado da Associação de Emissoras de West Virginia, considerou mais prudente vetar o anúncio criticado ? que acabou substituída por outro, que abranda a acusação a Shelley.

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