Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > E isso acontece no exato momento em que o novo artigo 222 da Constituição está sendo regulamentado. Está caduco um dos argumentos mais convincentes para a alteração na Carta Magna – o de facilitar a desconcentração empresarial na mídia.

Novo 222 já está velho

Por lgarcia em 01/01/2003 na edição 205

CARTEL EM AÇÃO

Alberto Dines

Está em operação a partir de 1/8 a empresa S.Paulo Distribuição e Logística Ltda., cujos acionistas são a Folha de S.Paulo e o Estado de S.Paulo (em partes iguais). A nova empresa vai distribuir os jornais que editam, mais Valor (50% da Folha), listas telefônicas (do Estadão) e publicações menores.

O início das atividades foi anunciado exatamente no mesmo dia pelos dois jornalões (domingo, 28/7), com textos diferentes é verdade, mas extremamente parecidos, num claro indício da despreocupação de ambos com a imagem perniciosa da parceria. “Não estão nem aí” para as suspeitas de cartelização ou concorrência desleal [veja as matérias oficiais na rubrica Entre Aspas, desta edição].

O Diário de S.Paulo (100% da Globo S.A.) ficou de fora e a Gazeta Mercantil, idem (porque Valor foi lançado para liquidar com ela). Somando-se as respectivas redes de distribuição, a nova empresa será imbatível tanto no âmbito nacional como estadual. Em São Paulo, coração e pulmão da economia brasileira, agora só entra quem for aprovado pelos acionistas da nova distribuidora. Em outras palavras: quem não constituir ameaça.

Adeus concorrência. O capitalismo selvagem desabando nos EUA e, aqui, está cada vez mais forte. Se a dialética está certa, chegaremos lá. A dramática concentração da mídia brasileira agrava-se ainda mais com essa associação entre gigantes.

E isso acontece no exato momento em que o novo artigo 222 da Constituição está sendo regulamentado. Está caduco um dos argumentos mais convincentes para a alteração na Carta Magna ? o de facilitar a desconcentração empresarial na mídia.

Qual o grupo estrangeiro que arriscará participar de uma empresa jornalística brasileira tendo estes dois leões-de-chácara tomando conta dos mercados? Qual o fundo de pensão que se animará a reanimar os semi-cadáveres nos segmentos de jornais e revistas com os dois feudos associados na distribuição por banca e assinaturas?

O investidor internacional não é bobo. Bobos somos os que damos um passo a frente com o novo 222 e dois para atrás com esta súbita amizade entre antigos adversários.

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