Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

PRIMEIRAS EDIçõES > IRÃ

Novo golpe contra a liberdade

Por lgarcia em 20/05/2000 na edição 90

Luiz Fernando Castro (*)

Dois meses após a vitória liberal nas urnas, a Justiça iraniana determinou o fechamento dos dois últimos grandes jornais pró-reformas de circulação nacional em clara resposta conservadora. O Judiciário também criticou o governo por falhar no controle dos meios de comunicação e na defesa dos princípios religiosos.

Os dois diários, incluindo o jornal Mosharekat, dirigido por um irmão do presidente iraniano, o reformista Mohammad Katami, haviam sido os únicos a sobreviver à recente onda de repressão que já eliminou 16 publicações. Os atos do Judiciário do Irã demostram o controle exercido pelo líder supremo, o aiatolá Ali Kamenei – o ultraconservador chefe religioso e verdadeiro comandante das Forças Armadas – sobre a Justiça, com táticas para domesticar o avanço dos liberais, que asseguraram nas eleições de fevereiro dois terços das 290 cadeiras do Legislativo. Para os defensores das reformas, entre eles os estudantes, o fechamento das publicações faz parte de ampla campanha para pôr fim no processo de mudanças políticas e sociais lançado por Katami, eleito em 1997.

O duro golpe na liberdade de expressão aplicado pelos conservadores é a prova de que no país onde o velho e o novo se confundem no dia-a-dia das cidades uma minoria monopolizadora das instituições, distante do povo enquadrado em costumes do século 7, dos métodos democráticos e acima da Constituição, governa em nome da religião, ignorando a maioria reformista e o desejo popular de mudanças políticas e sociais.

(*) Estudante de Economia e Jornalismo

 

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