Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > DANIEL PEARL

Novos elementos

Por lgarcia em 05/02/2003 na edição 210

DANIEL PEARL

Um ano após o seqüestro e assassinato do repórter americano Daniel Pearl no Paquistão, o caso continua em aberto. Os líderes do grupo que praticou o crime estão presos, mas três integrantes da al-Qaida, possivelmente envolvidos, estão foragidos. O líder da organização a que pertencem os seqüestradores, Jaish-i-Muhammad (Exército de Maomé), foi recentemente libertado pelo governo paquistanês. A última novidade no caso são as revelações que um militante islâmico preso em maio teria feito sobre o modo como Pearl foi raptado e morto. Fazal Karim seria um dos autores da idéia do seqüestro, e partes de seu depoimento foram contadas a David Rohde, do New York Times [23/1/03], por autoridades.

Karim disse que no dia 23/1/02, pouco após as 19h, o jornalista saiu do restaurante Village, na capital paquistanesa, Karachi, num carro que supostamente o levaria à entrevista com um líder islâmico. Na verdade, tratava-se de armadilha do militante de origem britânica Ahmed Omar Sheikh. O carro rodou por horas pela cidade, e chegou finalmente a uma enfermaria num subúrbio distante ao norte. Naquela noite, Pearl teria aparentado tranqüilidade. Alguns dias depois, tentou fugir quando ia ao banheiro, que ficava numa construção separada. A baixa cerca da enfermaria deixava ver edifícios do lado de fora. Depois que os seqüestradores conseguiram impedi-lo, Pearl começou a pedir perdão.

No sexto dia de cativeiro chegaram três homens, descritos como "árabes do Iêmen", que traziam um saco, um pano e diversas facas. Um deles falou com Pearl numa língua que Karim não entende. Contudo, a testemunha revelou que a conversa deixou o americano animado, possivelmente pensando que estaria próximo da liberdade. Foi neste momento em que gravaram o jornalista dizendo que era judeu e criticando os Estados Unidos. Em seguida, os árabes vendaram Pearl e começaram sua execução. Eles ordenaram a Karim e aos outros seguranças paquistaneses presentes que mutilassem o corpo e o enterrassem.

Não há posição oficial das autoridades paquistanesas sobre as novas informações. Aguarda-se o resultado do recurso de Sheikh, condenado à morte pelo assassinato. Este processo pode levar meses. Tampouco confirmam que Karim esteja preso. Ele e outros militantes islâmicos, presos em maio, são do grupo sunita Lashkar-i-Jangvi, acusado de matar médicos, policiais e homens de negócios islâmico-xiitas.

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