Quarta-feira, 12 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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Novos lances do affair

Por lgarcia em 20/03/2002 na edição 164

JACK WELCH

Parecia questão de tempo até que a Harvard Business Review anunciasse a demissão de sua editora, Suzy Wetlaufer, por só ter revelado aos colegas seu envolvimento com Jack Welch, ex-chefão da General Electric, depois que sua objetividade foi questionada pela equipe da revista ? e até pela mulher do big boss.

Graças à intervenção do advogado de Welch, Suzy não perdeu o emprego, só o controle administrativo, mantendo o status com o título de editora geral. Em protesto, dois editores da Review se demitiram. Para o editor-executivo, Nicholas Carr, o acordo é "uma obra-prima de negligência ética" e um insulto à equipe.

Pergunta um indignado editorial da New York Observer [18/3/02]: como Harvard justifica seu apoio a uma editora que demonstrou indiferença arrogante à objetividade jornalística? O texto informa também que James Cash, presidente da Harvard Business School Publishing Corp., editora da Review, faz parte do conselho da G.E.

A porta-voz de Suzy Wetlaufer confirma que sua cliente e Welch continuam envolvidos. "Qualquer pessoa razoável concluiria que a Universidade de Harvard, em vez de proteger a integridade de uma de suas publicações, preferiu acalmar Welch e sua namorada", ataca o editorial. E ironiza: "Seria interessante saber como os professores da faculdade explicarão esta curiosa decisão administrativa aos estudantes."

REVISTAS

As editoras estão se aliando com grandes marcas ? como Oprah Winfrey e MTV ? para combater a recessão. A indústria de revistas, antes responsável pela fabricação de tantas celebridades, hoje depende delas para se estabelecer. A estratégia é cercar o consumidor com o produto na TV e nas bancas: This Old House, revista lançada há seis anos pela Time Inc., nasceu de um programa de sucesso da TV pública americana. A editora agora quer fazer o caminho de volta, tentando emplacar um show com uma colunista famosa da publicação.

Com anunciantes vidrados em marcas famosas, o que fazer se sua companhia não é uma Condé Nast ou Hearst Magazines? Segundo David Carr e Lorne Manly [The New York Times, 10/3/02], a tendência é que editoras pequenas ou de tamanho médio ? fontes de renovação do setor ? desapareçam do mercado. Atualmente, apenas três companhias controlam quase 40% da propaganda em revistas.

Em vez de cobrar mais pelo produto, as editoras aproveitam as novas regras de circulação mais flexíveis para baixar preços. Ao renovar a assinatura de uma revista, por exemplo, o leitor pode ser presenteado com outra por pouco ou nenhum custo adicional. Outra estratégia é associar-se a varejistas, que podem vender publicações e assinaturas na própria loja, portanto já com estrutura de distribuição. Esta inovação pode render ao setor uma base mais sólida mas, alertam Carr e Manly, é o tipo de solução que funciona apenas para as grandes companhias.

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