Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > OMISSÃO DA MÍDIA

O Brasil não conhece a Amazônia

Por lgarcia em 05/12/2001 na edição 150

OMISSÃO DA MÍDIA

Chico Bruno (*)

A Amazônia é nossa velha conhecida dos tempos dos Diários e Emissoras Associados. Desde 1970 faz parte do nosso dia-a-dia profissional. Rio Branco, com suas ruas de tijolo, Macapá, da tradicional sorveteria instalada no único hotel da cidade, Boa Vista, com seu urbanismo implantado em forma de leque, Porto Velho, do jornal Alto Madeira, Manaus, dos tucunarés e tambaquis assados às margens do Rio Negro, e Belém, com sua famosa Palhoça e o democrático bairro do Condor, são lembranças de mais de 30 anos de convivência com a região.

Da região, cariocas e paulistas pouco conheciam e continuam conhecendo. Principalmente porque as indefectíveis matérias publicadas pelas revistas O Cruzeiro e Manchete geralmente mostravam apenas as belezas da Floresta Amazônica, e hoje jornais e revistas nacionais se ocupam apenas da corrupção e das tragédias amazônicas.

Os estados amazônicos cresceram, mas a desinformação sobre a região continua. A culpa em parte é dos meios de comunicação do eixo Rio-São Paulo, que não se interessam em divulgar o que se tem feito pelo desenvolvimento da área.

Um exemplo concreto é o desconhecimento pelo país de que a Agenda 21 vem sendo cumprida no estado do Amapá, aliás um caso único em toda a América Latina. No caso particular do Amapá, a culpa não pode ser creditada apenas à imprensa, mas também ao partido do governador João Capiberibe, o PSB, que nesses sete anos de Programa de Desenvolvimento Sustentável do Amapá não divulgou seus feitos para o país em seus programas partidários na televisão.

Agora mesmo aconteceu a 2? Conferência da Amazônia, e a grande imprensa não repercutiu o encontro da forma como deveria. Haja vista a participação maciça de políticos nacionais, como Lula, José Dirceu, Eduardo Suplicy, entre outros. Uma das conclusões do encontro foi a criação da Agência de Notícias Chico Mendes, como forma de se tentar mostrar ao país o dia-a-dia da Amazônia. Infelizmente as experiências positivas levadas a cabo naquele pedaço do território brasileiro não chegam ao conhecimento dos leitores, assim como os crimes que se cometem, como o que agora vem sendo perpetrado pelo governador do Amazonas, que insiste em não permitir a construção de um gasoduto que levaria energia natural à capital do estado.

Agência Chico Mendes

A criação da agência de notícias é uma tentativa de inserir a Amazônia no noticiário brasileiro de maneira permanente e consciente. Num país de extensão continental como o Brasil, a grande imprensa, sediada no Sudeste, tinha a obrigação de manter pelo menos uma sucursal em cada região com o objetivo de fazer a integração do noticiário nacional. Isso não é um exagero, isso já existiu, pelo menos até o fim dos anos 80.

Hoje os grandes jornais e as revistas nacionais mantêm estruturas apenas no Rio, em São Paulo e em Brasília. As redes de televisão, com afiliadas nos quatro cantos do país, estão impossibilitadas, na maioria das vezes, de fazer um jornalismo nacional, pois têm no comando das afiliadas os coronéis eletrônicos, a quem não interessa esse tipo de jornalismo: impediria a fabricação pelos marqueteiros de mitos como Collor e Roseana, proprietários de impérios regionais de comunicação, que escondem as mazelas que praticam embaixo dos caracóis de seus cabelos.

A 2? Conferência da Amazônia, que debateu as experiências positivas e negativas da região, não teve uma cobertura à altura. Vamos torcer para que a criação da agência de notícias Chico Mendes seja levada a sério pela grande imprensa brasileira.

(*) Jornalista

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