Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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PRIMEIRAS EDIçõES > o forte não são as reportagens, mas as entrevistas

O canal al-Jazira não é modelo de objetividade

Por lgarcia em 17/10/2001 na edição 143

TERRORISMO & BADALAÇÃO

Alberto Dines

A mídia brasileira criou mais um factóide. Desta vez sobre a própria mídia. De repente, dentro do simplismo habitual, criou-se a impressão de que a emissora do Catar, al-Jazira, é padrão de bom jornalismo apenas porque oferece um material diferente das redes americanas e tem um formidável poder de penetração no Oriente.

Pelo depoimentos e declarações, os principais executivos do canal noticioso parecem competentes e articulados. Alguns foram treinados na Voz da América, em Washington. Pelo material que revendem às redes noticiosas americanas e inglesas e aqui vistos, o forte não são as reportagens, mas as entrevistas. Como o canal só emite em árabe é impossível, para nós, avaliar a qualidade da entrevista e a objetividade do entrevistador. De qualquer forma, al-Jazira impôs-se como fonte alternativa ajudando a estabelecer um mínimo de diversidade. Mas diversidade não é tudo. Na Segunda Guerra Mundia, o poeta Ezra Pound trabalhava para a rádio alemã tentando contrabalançar a mobilização mundial contra o nazi-fascismo. E nem por isso constituía uma alternativa informativa digna de crédito.

Não devemos esquecer que o canal al-Jazira é estatal. Não é público como a BBC ou o PBS americano. E o Catar, dono absoluto do veículo, está longe de apresentar aquele mínimo de condições de liberdade e garantias para considerar-se democrático.

    
    
                     

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