Domingo, 25 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

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O código aberto do jornalismo online

Por lgarcia em 02/10/2002 na edição 192

LISTA DE DISCUSSÃO

Luis Fernando Rocha (*)

A entrada do software de código aberto Linux no mercado de sistemas operacionais causou uma revolução ao criar um concorrente à liderança isolada do Windows. Num analogismo, pode-se dizer que a internet causou o mesmo impacto na área de comunicação, mais precisamente na de jornalismo.

Afinal, a web permitiu que os veículos de comunicação reunissem de forma única texto (jornal), imagem (televisão) e áudio (rádio). Hoje, o usuário/leitor acessa um portal de notícias (como o Globonews.com), lê um texto com uma imagem ao lado e ainda pode clicar no link para escutar uma entrevista. É a tecnologia permitindo a realização do tão sonhado jornalismo multimídia.

Além disso, temos dezenas de sites independentes, blogs e listas de discussão virtuais que permitem que as idéias de estudantes e jornalistas independentes cheguem de forma alternativa a um público sedento de boa informação.

Ainda recorrendo à informática, é comum os profissionais de tecnologia da informação criarem listas de discussão para discutirem os principais problemas e as tendências no mercado de software, hardware, servidores etc. A realidade não é diferente no jornalismo virtual. Com a troca de idéias e o debate nas diversas listas de discussão, o profissional interessado na área se atualiza sobre as últimas tendências e descobre sua linha de atuação no mercado.

Venho acompanhando desde abril de 2002 a lista do site Jornalistas da Web. Criada em fevereiro de 2001, já conta com cerca de 800 assinantes, que chegam a trocar 300 mensagens por mês. A seguir, alguns dos assuntos discutidos neste período:

Conteúdo pago vs. gratuito

Em julho deste ano, a versão eletrônica do jornal O Globo apresentou uma pesquisa que, entre as perguntas, questionava se o usuário pagaria taxa para acessar o conteúdo do site.

Na lista, as opiniões ficaram divididas. Uma corrente alertou que tal postura ocasionaria perda de visitantes, pois outros sites ofereceriam o mesmo material gratuitamente (alguns citaram o exemplo do Napster e a criação de seus “genéricos” e Gnutella, Kazaa, entre outros). Outra parcela de assinantes destacou a tendência crescente de cobrança, como no caso da TV aberta vs. TV a cabo”: o telespectador paga por um conteúdo mais específico e segmentado.

Trabalho sem remuneração

A lista recebe mensagens oferecendo oportunidades de emprego e estágios na área. Uma dessas mensagens causou grande discussão: um assinante postou a oferta de um site que oferecia vaga a jovens jornalistas, mas sem pagamento. Muitos lamentaram a falta de valorização profissional em empregos deste tipo, e outros contra-argumentaram: vale a pena escrever em troca da visibilidade e da chance de fazer novos contatos no meio jornalístico.

Regras para textos online

É comum aparecerem mensagens de novos usuários procurando saber quais são as ferramentas necessárias para a boa prática do jornalismo online. Um ponto positivo observado foi que os assinantes mais antigos prontamente se apresentaram para reforçar uma idéia que parece unânime: a redação para web ainda não tem padrão definido.

Boas sugestões foram levantadas, como destacar links no meio das notícias, usar títulos em negrito e chamativos para atrair a atenção do usuário, entre outros. A principal apontava para a necessidade da experimentação de novos modelos para se descobrir o real interesse do visitante.

Tecnologia dos sites de notícias

A lista discutiu também o uso de novas tecnologias para o aperfeiçoamento do design de portais de notícias. Usar ou não animações Flash? E javascript? Colocar notícias em janelas popup? Qual a preferência do navegante? Uma forte tendência entre as empresas é que no currículo do jornalista da web conste a expertise no uso das novas linguagens de construção de sites.

Neste exato momento outros assuntos já devem estar em pleno debate na lista. Se antes o modelo de jornalismo estava preso a manuais de estilo e de redação (geralmente revisados de dois em dois anos), hoje as listas de discussão representam importante recurso de atualização para os profissionais que desejam se especializar no jornalismo pela internet.

É importante ressaltar que ainda não existe um estilo-padrão de jornalismo online. Talvez este seja o motivo do sucesso da lista e do crescente número de adeptos. O debate em listas é importante para descobrir por onde começar e até sugerir possíveis caminhos.

Assim, caso você seja jornalista e não tenha assinado ainda uma lista de discussão, é bom rever seus conceitos. Afinal, prática não se aprende com gurus, em cursos especializados ou nos bancos universitários.

Algumas listas de discussão sobre jornalismo online


**GJOL?Facom <http://www.facom.ufba.br/jol/listas.htm>

**Jornalistas da Web <http://www.jornalistasdaweb.com.br/index.asp?Nav=lista>

**Poynter.org <http://www.poynter.org/forum/listsannounce.htm>


(*) Repórter do portal Modulo.com <www.modulo.com.br>

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