Sábado, 16 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > JORNALISMO MULTIMÍDIA

O direito de trabalhar sem censura

Por lgarcia em 24/07/2002 na edição 182

JORNALISMO MULTIMÍDIA

Caco da Motta (*)

Os jornalistas são os piores inimigos dos jornalistas. Diariamente a gente sofre críticas de leitores, ouvintes, telespectadores e internautas. Hoje mais que nunca esta troca de quem informa com quem é informado ? a interatividade ? tem sido um ótimo instrumento de avaliação do nosso trabalho. Mas quando as críticas partem dos próprios jornalistas e dos próprios órgãos que deveriam preservar a classe deveriam no mínimo ter fundamento.

Fiquei surpreso ao ver o fotógrafo Mafalda e o Sindicato do Rio Grande do Sul publicarem uma nota manifestando estranheza por eu ter feito uma cobertura internacional multimídia. Mafalda disse: "O Diário Catarinense acaba de cometer um grande equívoco ao acreditar que, poupando alguns dólares e deixando de enviar um fotojornalista com o repórter Caco da Motta para a cobertura dos próximos jogos de Guga na Europa e nos Estados Unidos, estaria protagonizando um dos grandes momentos da história do jornalismo catarinense".

Olha, se eu estudei fotojornalismo, aprendi a fazer foto e sou jornalista formado por que não posso fotografar? Tem muito fotógrafo que não é jornalista, nunca estudou Jornalismo e faz fotos para jornais e revistas, é especialista em foto, não em jornalismo. Repórter fotográfico é uma coisa, fotógrafo é outra. Nós, jornalistas, sabemos o que é uma imagem jornalística. E depois, o jornal usou algumas fotos de bastidores que fiz, porque havia inúmeras fotos de agências internacionais para cumprirem muito bem esta função.

Pergunto, por que abrir mão de uma cobertura de um atleta importante de Santa Catarina por vaidade ou inveja de alguns "colegas"? Sem este plano multimídia, não seria viável fazer uma cobertura para TV, rádio, jornal e site. O Sindicato do Rio Grande do Sul e de SC, que também se manifestaram contra esta cobertura, são incompetentes porque não tiveram a capacidade de regularizar a situação do repórter multimídia.

Turma despreparada

Se um pode fazer o que cinco fazem, por que menosprezar este profissional? Por que não criar uma regra para ele ganhar mais com isso, ser valorizado em contrato especial, em regras e leis que deveriam ser a luta destes sindicatos atrasados? Sindicatos nos quais não existe mobilização porque impera a inveja dos incompetentes, e não se consegue sair vencedor de uma negociação salarial com as empresas.

O Sindicato do Rio Grande do Sul, quando eu trabalhava lá, me cobrou mensalidades atrasadas que tenho até hoje no comprovante de desconto em folha de pagamento. Uma colega minha do Diário Catarinense descobriu anos depois que um falso jornalista no RS usava o número de registro dela naquele estado. Incompetência! Pior foi o Sindicato de SC, que abriu mão dos adicionais de viagens internacionais em troca de outros benefícios com as empresas de comunicação. Quem viaja a trabalho no Brasil recebe adicional, e quem viaja para fora do Brasil não recebe nada por isso! É porque boa parte dos jornalistas que lideram sindicatos é incompetente e prefere ser contra o "colega" jornalista porque nunca vão viajar a trabalho numa cobertura internacional, tamanha a falta de capacidade e de inveja.

Este episódio foi lamentável, e gostaria de contar com o apoio de quem quer trabalhar mais, viajar mais e ganhar mais por isso, sem esta censura. Se depender destes "colegas", vamos viver sempre chorando e recebendo migalhas pelo nosso trabalho. Vamos acordar e unir os jornalistas com organização e leis fortes para não falarmos mal das empresas que nos empregam, e sim podermos cobrar melhores salários e direitos. Com esta turma despreparada não vamos a lugar nenhum.

(*) Coordenador de Esportes da RBSTV-SC

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