Quinta-feira, 12 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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O discreto charme do Brasilinvest

Por lgarcia em 08/05/2002 na edição 171

ISTOÉ
MAS NÃO DEVIA SER

O publisher (vá lá) ou principal acionista
do semanário em epígrafe resolveu agregar o seu nome,
associado no Brasil ao segmento da comunicação e da
imprensa, ao board do banco BrasilInvest, de propriedade
da Mário Garnero.

E publicou no carro-chefe da sua editora (edição
de 1/5) quatro páginas (págs. 67-71) com entusiasmo
e candura dignos de nota um auto-elogioso registro sobre o evento
promovido pela poderosa e irreprochável instituição
financeira no famoso salão Tulieries (sic) em Paris.

Fazem parte do mesmo board o pai do primata George W. Bush,
o Senior, seu ex-Secretário de Defesa (um dos Le Pen americanos),
um daqueles mafiosos russos que diz para todo mundo que é
conselheiro do Putin e um bando de entrepreneurs internacionais
inteiramente desconhecidos, exceto Carlo De Benedetti apresentado
como o "criador de uma empresa de bronzeamento" ? foi
o criador da Olivetti! ?, todos embelezados pela perturbadora presença
da modelo Naomi Campbell (cachê de 10 mil dólares por
aparição em festas).

Não cabe a este Observatório discutir desempenhos
de banqueiros nem colocar sob suspeição projetos que
ainda não se materializaram. Mário Garnero nos interessa
enquanto autor de um livro (Jogo Duro) onde denuncia como
ACM ? hoje o paladino da moralidade ? quando ministro das Comunicações
tomou-lhe a NEC Brasil em benefício do mais poderoso grupo
de comunicação do país (a história está
minuciada em Memórias das Trevas, de João Carlos
Teixeira Gomes, o Joca, págs. 335-336).

Também faz sentido comentar esta associação,
parceria (ou que nome tenha), de um empresário de comunicação
que edita um semanário empenhado em denúncias de corrupção
com um grupo financeiro que, se conseguiu os necessários
atestados judiciais, ainda não convenceu a opinião
pública de sua inteira lisura.

Estranha também que, no momento em que grupos jornalísticos
maiores vendem ativos e evitam diversificações para
contornar dificuldades e pagar os salários em dia
,
o publisher da Editora Três deixe-se fascinar por esta
mirabolância internacional.

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