Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > BBC vs. DOWNING STREET

O diz-que-diz continua empatado

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

BBC vs. DOWNING STREET

A confusão na BBC não dá sinais de esmorecimento, principalmente agora, que parece que Downing Street e a emissora pública chegaram a um "empate técnico". No dia 7/7, debateram fervorosamente sobre se o governo adulterou o dossiê sobre armas de destruição em massa do Iraque.

O gabinete do primeiro-ministro Tony Blair festejou a vitória de seu diretor de comunicação e estratégia, Alastair Campbell, considerado "limpo" pelo Comitê Selecionado de Assuntos Estrangeiros. Ele havia sido acusado de deturpar material da inteligência sobre as armas de Saddam Hussein.

Segundo reportagem de Andrew Grice [The Independent, 8/7/03], o governo pediu que a BBC admitisse que a reportagem que gerou a briga estava errada. A BBC, no entanto, não arredou pé, dizendo que suas descobertas justificam a reportagem de Andrew Gilligan, especialista em defesa do programa Today, da Radio 4, que pertence à BBC.

Jack Straw, secretário do Exterior, exigiu desculpas imediatas da BBC em face da conclusão do comitê. "Nenhum integrante do comitê, tendo ouvido todas as evidências pública e privadamente, achou que as alegações centrais e danosas da BBC eram verdadeiras", disse.

Campbell, de sua parte, declarou estar "muito satisfeito" com as descobertas do comitê. "A BBC alegava que fui responsável pela inserção dos trechos sobre armas de destruição em massa do dossiê, contra a vontade das agências da inteligência, sabendo provavelmente que isso estava errado", disse. Ele afirmou estar triste com a postura da BBC de, mesmo após claras evidências, negar-se a admitir que suas afirmações foram falsas.

Com os dois lados em um beco sem saída, a Downing Street disse que agora "a bola está com a BBC". Pediu para a emissora refletir melhor sobre o veredicto do comitê, mas não deu sinais de que vá prolongar a história levando a BBC à justiça ? opção que fora cogitada nas últimas semanas.

Quem é a fonte?

A amarga batalha entre o governo britânico e a BBC tomou novo rumo no dia 9/7, quando Geoff Hoon, secretário de Defesa, disse saber quem é a importante fonte de Gilligan na reportagem que deu início à crise. De acordo com Jason Deans [The Guardian, 9/7/03], a BBC reagiu imediatamente, dizendo que a tentativa de Hoon de obrigar a corporação a confirmar ou negar a identidade da fonte é "ridícula".

Hoon se recusou a deixar o assunto esfriar. "Isso não é uma agressão a fontes jornalísticas, e não é uma agressão à BBC. Isso n&atiatilde;o é uma vendeta", afirmou. "Trata-se de uma tentativa genuína de alcançar a verdade por trás de uma das mais sérias alegações contra um governo." O informante da BBC foi citado em carta, mas não será divulgado à imprensa. Jornalistas, no entanto, garantem que é uma questão de tempo até sua identidade se tornar pública.

A BBC, desesperada para dar um basta à questão, disse que não vai se intrometer em briga de gato e rato. Um seu porta-voz afirmou que a confusão agora está "inclinando-se rumo à farsa" e que o último ardil do governo fracassaria em obter a resposta desejada. "A BBC não vai mais comentar ou responder perguntas sobre a identidade da fonte de Andrew Gilligan em sua reportagem de 29/5 no Today", disse. "Estamos preocupados com a dedução de informações que dia a dia podem permitir que a fonte seja identificada e sua segurança, comprometida."

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