Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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O Estado de S. Paulo

Por lgarcia em 05/08/2003 na edição 236

MUDANÇAS NO NYT

"?NYT? anuncia que vai contratar ombudsman", copyright O Estado de S. Paulo, 31/08/03

"Em seu primeiro dia como editor-chefe do New York Times, o ex-colunista Bill Keller informou que pretende contratar a curto prazo um ?editor público?, ou ombudsman. A medida segue recomendação de uma comissão interna criada após o escândalo criado pelo repórter Jayson Blair, que inventava entrevistas e copiava material de outras publicações.

O memorando de Keller garante que o ombudsman terá ?permissão para escrever sobre aspectos de nossas reportagens e ter seus comentários independentes, livres de censura, publicados em nossas páginas?. Keller também aceitou a recomendação de criar cargos de editores sênior encarregados de zelarem pela qualidade do material publicado e pela transparência nos critérios de promoção.

O jornal divulgou ontem o relatório da comissão na internet. O texto de 58 páginas critica acidamente a cultura e a administração da redação. ?Nenhuma pessoa, erro ou política específica é responsável? pelo caso Blair. Mas ?uma série de falhas operacionais e administrativas permitiram a um repórter iniciante enganar um das estruturas mais sofisticadas de edição jornalística do mundo?. (NYT)"

 


"?NY Times? pela metade do preço no período da tarde", copyright Último Segundo (www.ultimosegundo.com.br), 4/08/03

"Numa tentativa de aumentar a circulação no mercado nova-iorquino, os exemplares do jornal ?The New York Times? estão sendo vendidos pela metade do preço no período da tarde, informa a agência Dow Jones.

A experiência vale para 12 áreas de grande tráfego em Manhattan e por enquanto é apenas um teste que começou em meados de julho e deve durar até o fim do verão americano.

O ?NY Times?, que agora, durante a tarde, custa 50 centavos de dólar, viu sua circulação cair 5,3% em um período de seis meses fechado em 31 de março, a maior queda entre os jornais de grande circulação. A comparação é difícil, porém, porque é feita com o período do ano anterior logo após os ataques de 11 de setembro.

Em dezembro o ?NY Times? aumentou seu preço nas bancas, de 75 centavos para um dólar. A cidade de Nova York é considerada um dos mais competitivos mercados para publicações nos EUA."

 


"?New York Times? vai ter provedor", copyright Publico (www.publico.pt), 1/08/03

"Decisão é uma das respostas a um relatório sobre práticas incorrectas do jornal realizado na sequência do caso Jayson Blair

O ?The New York Times? vai nomear um provedor e criar um conjunto de cargos editoriais que permitam rectificar os procedimentos errados indicados num relatório sobre as práticas de redacção divulgado anteontem, na ressaca de um conjunto de escândalos de plágio envolvendo a publicação.

Ao contrário do que acontece noutros grandes jornais norte-americanos, como o ?Washington Post? e o ?Chicago Tribune?, no prestigiado diário nova-iorquino não tinha ainda sido adoptada a figura do provedor.

Num memorando agregado ao relatório, o novo director do ?New York Times?, Bill Keller, que iniciou funções anteontem, anuncia ainda a criação de dois novos cargos: um editor especialista em ética e outro responsável pelas contratações.

O novo director garantiu querer melhorar a acessibilidade às chefias, assegurar a consistência das avaliações de desempenho e a detecção de erros. A política de assinatura e localização dos textos (nos Estados Unidos a maioria dos artigos inicia-se com o local e data em que foram escritos) vai também ser adaptada ?para que os leitores saibam claramente quem é responsável por um artigo e a partir de que local?. A maioria das medidas anunciadas para corrigir os erros e introduzir práticas mais transparentes começará a ser aplicada no início do Outono.

O relatório agora divulgado indica que os directores e editores do ?New York Times? não conseguiram comunicar entre si e desleixaram o despedimento de maus jornalistas, mas sabiam perfeitamente falar com rudeza aos trabalhadores.

A anterior direcção demitiu-se no princípio de Julho, pouco depois de ter chegado a público que um dos repórteres do ?Times?, Jayson Blair, fabricara ou plagiara muitos trabalhos. Mais tarde, outras acusações de plágio e fraude recaíram sobre o ?New York Times?.

O trabalho inclui uma análise por três jornalistas externos que concluíram que ?a tempestade Jayson Blair representou um falhanço de comunicação, comando e disciplina?. O documento relata a saga da ascenção de Blair para lugares proeminentes do jornal, apesar de ter sido alvo de vários processos disciplinares, numerosas correcções e diversos avisos – situação que os três autores consideram dever-se a um ?star system? que promove os favoritos das chefias.

Para ficar como exemplo, o registo refere o facto de Blair plagiar trabalho de colegas de redacção e as muitas situações em que mentiu aos seus editores, quando cobria a ?frente interna? da guerra contra o Iraque, fazendo reportagens em várias partes dos Estados Unidos. ?Ao que parece, ele trabalhava através de telemóvel e ?e-mail?, levando os chefes a pensarem que estava nos locais de reportagem quando, pelos vistos, estava simplesmente noutro andar do ?Times? ou na sua casa, em Brooklyn?, diz o relatório, citado pela Reuters.

Alguns editores consideram que os fracos desempenhos de Blair foram ignorados por ser negro. O relatório conclui que o empenho das chefias em promover minorias os levou a fechar os olhos perante os desastres do jornalista, mas defende que o facto não deve impedir o jornal de promover a diversidade étnica.

No documento estão ainda referências à reputação do ?Times? como produtor de um ambiente de trabalho muito severo e até cruel. ?As pessoas têm de ser tratadas mais respeitosamente ao longo da sua carreira no ?Times?, recomenda o relatório. ?Rudeza, linguagem aviltante e humilhação deveriam ser altamente inaceitáveis?, segundo o documento que sublinha que ?o discurso civilizado? é a chave para prevenir erros futuros, permitindo aos profissionais a partilha das suas opiniões e dúvidas quanto às políticas e decisões vindas do topo."

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