Domingo, 17 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

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O Estado de S. Paulo

Por lgarcia em 05/10/2000 na edição 99

"Só 2% tem condições de entrar na rede", copyright Valor Econômico, 02/10/00

"Apesar de todos os esforços de popularização da internet, apenas 2% da população das nove principais regiões metropolitanas do país tem capacidade de virar um internauta imediatamente – ou seja, apenas essa pequena parcela de brasileiros possui um telefone e um computador em casa e ainda não se conectou.

O dado sai do calhamaço de informações recolhidas nas 15,4 mil entrevistas feitas pelo Ibope entre o fim de agosto e o início deste mês.

O levantamento, batizado de 8ª Pesquisa Internet Pop, é o maior e mais completo já feito no país sobre a rede, ao qual Valor teve acesso com exclusividade. As nove regiões cobertas pelo estudo – São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Salvador, Porto Alegre, Curitiba e Distrito Federal – somam uma população de 38 milhões de pessoas.

Desse total, segundo o Ibope, 19% se declaram internautas – ainda que eventuais. A pesquisa anterior, realizada em maio, apontou o índice de 13%. ‘É impossível dizer que houve um avanço significativo porque tivemos uma mudança de metodologia’, diz o coordenador da pesquisa Antonio Ricardo Ferreira.

A alteração, segundo ele, aconteceu para aproximar o estudo da internet com os realizados com outras mídias. ‘Antes, não considerávamos os internautas eventuais. Agora, sim.’

Ferreira avalia que o crescimento real da rede entre maio e junho teria sido de dois pontos percentuais – o que, pela metodologia anterior, elevaria o índice de internautas para 15% da população pesquisada. ‘Essa conclusão não é científica’, ressalva.

O estudo mostra também o avanço da internet gratuita. Segundo o Ibope, 30% dos internautas utilizam apenas o provedor grátis no acesso domiciliar. Em maio, o índice era de 25%.

Somando–se as pessoas que responderam que possuem as duas modalidades de acesso (22%), chega–se a 52% de internautas habilitados a navegar por um provedor que não cobra. Em maio, eram 47%. Os usuários dos provedores tradicionais, segundo o Ibope, são 37%, contra 40% de quatro meses atrás.

O levantamento registrou também uma pequena alteração no perfil do internauta brasileiro. Agora, 47% das pessoas que navegam são mulheres, contra 45% em maio. Cresceu também o contingente de jovens entre 10 e 19 anos – 36%, contra 32%. O número de internautas da Classe C também subiu, de 16% para 21%. A classe A/B ainda é dominante na rede, com 72% do total, mas caiu do patamar de 80%."

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"iG é o mais lembrado; UOL é o primeiro entre os pagos", copyright Valor Econômico, 02/10/00

"O Ibope perguntou aos internautas qual o provedor utilizado mais freqüentemente no domicílio. O resultado coloca o iG na liderança do levantamento – que não faz distinção entre provedores pagos e gratuitos –, com 28% das respostas. Em maio, o iG havia sido lembrado por 25% dos internautas entrevistados.

O UOL vem na segunda posição – ou primeira, entre os provedores que cobram pelo acesso–, com 22% (24% em maio). A assessoria de imprensa do provedor, procurada por Valor, disse que os executivos da empresa não se pronunciariam a respeito da pesquisa.

Em ocasiões anteriores, os executivos do UOL se manifestaram discordantes sobre a metodologia da pesquisa, pela falta de distinção entre as duas modalidades de acesso – pago e gratuito.

O levantamento marca também o avanço da AOL, que teve um início de operações claudicante no Brasil, no fim do ano passado. A AOL foi lembrada por 7% dos entrevistados, contra 3% em maio. O percentual coloca o provedor americano em empate no terceiro lugar com o espanhol Terra, que perdeu um ponto.

A PSInet, que comprou diversos pequenos e médios provedores nos últimos meses, aparece na seqüência, com 4% das respostas."

"Internauta brasileiro é mentiroso", copyright Valor Econômico, 02/10/00

"Misturando dados já conhecidos com levantamentos inéditos, três institutos de pesquisas – DataFolha, Marplan e Ibope – chegaram a um dos mais completos perfis já feitos sobre o internauta brasileiro.

Os levantamentos, que incluíram pesquisas quantitativas e qualitativas, foram apresentados ontem, durante a Maximídia, a maior feira de mídia do país, e contêm algumas novidades curiosas.

Entre elas, por exemplo, está o fato de a maioria dos internautas se apresentar como mentirosos compulsivos quando estão se relacionando pela rede. Entre os que afirmam sempre mentir (31%) e os que mentem com muita freqüência (29%), chega–se à impressionante marca de 60%.

Ao contrário do que se costuma afirmar também, as pessoas usam mais seus PCs pessoais (54%) do que o do trabalho para navegar.

Outro dado que impressiona no levantamento é que os internautas se mostram tão ou mais abertos a relacionamentos reais do que quem não usam a rede.

A maioria (76%) diz que a web ajudou nos relacionamentos e uma minoria prefere ficar ligado ao computador a namorar (8%) ou sair com os amigos (14%).

Surpresa também se verificou na relação dos internautas com outros tipos de mídia, como a televisão e o jornal.

Em quase todos os casos comparados, verificou–se que quem usa a internet acaba consumindo mais outras mídias do que as pessoas que não se conectam. Ou seja, assistem mais televisão e lêem mais jornais, por exemplo.

Uma das possíveis explicações para isso está no número de pessoas de classe alta entre os internautas. Contudo, os dados mostram que há um baixo abandono de um meio de mídia por outro.

Do lado dos dados já conhecidos e das confirmações, o destaque ficou para a grande distância social e econômica entre as pessoas que estão ligadas à web e aqueles que não têm acesso a ela.

Os números deixam claro que a rede continua sendo uma representação quase perfeita das profundas diferenças que dividem a população brasileira."

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