Segunda-feira, 20 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > SÍRIA

O Estado de S. Paulo

Por lgarcia em 21/02/2001 na edição 109

MONITOR DA IMPRENSA

RÚSSIA

"Futuro da mídia independente assusta", copyright O Estado de S. Paulo, 18/02/01

"O presidente Vladimir Putin sabe travar uma guerra de audiência.

‘Putin se considera um produto da TV’, diz o ex-âncora da ORT Serguei Dorenko. ‘Tenta controlar a máquina que o gera: a televisão.’ Ele entende muito bem como a TV ajudou a fazer o presidente. Muitos analistas dizem que a cobertura dada por Dorenko às eleições parlamentares de 1999, em especial o tratamento implacável que ele dispensou ao partido Mãe-Pátria Russa, do ex-primeiro-ministro Yevgeni Primakov, teve como função principal empurrar Putin para a presidência. Na época, os cheques recebidos por Dorenko eram assinados por ninguém menos que Boris Berezovski, sustentáculo de Putin.

Agora que os ventos mudaram, o destino da radiodifusão independente na Rússia parece cada vez mais desesperador. Recentemente, Ted Turner, o magnata da mídia nos EUA, tentou tirar a Media-Most de seus problemas financeiros – mas o Kremlin torpedeou a idéia. Um consórcio encabeçado por Turner propunha investir US$ 300 milhões na companhia acossada.

Mas havia um senão: os investidores ocidentais queriam a promessa do Kremlin de que não interferiria nas decisões editoriais. ‘Sempre me interessei pela Rússia’, disse Turner. ‘Comuniquei ao presidente Putin meu interesse pela NTV, e aguardo ansiosamente sua resposta.’ O chefe de segurança de Putin, Serguei Ivanov, recusou-se a dar tais garantias. Um alto funcionário do Kremlim disse, em tom de mau agouro: ‘Todo país tem limites aos investimentos estrangeiros na mídia.’

Muitos observadores perguntam por quanto tempo a companhia consegue agüentar-se contra a ofensiva total do governo. Recentemente, uma funcionária da Media-Most resumiu muito bem o estado de espírito predominante, durante a pródiga festa de fim de ano num hotel de Moscou.

Percorrendo com os olhos o salão de baile, ela comentou: ‘Parece o Titanic.’

Eis um pensamento que talvez console os oligarcas. Afinal de contas, a maioria das vítimas daquele desastre viajava na segunda classe, não na primeira."

SÍRIA

"País terá 1º jornal privado em 38 anos", copyright Folha de S. Paulo, 18/02/01

"O primeiro jornal privado sírio em quase 40 anos começará a ser publicado no final deste mês, o que é um sinal de que o poder central deseja intensificar as reformas políticas e econômicas já em curso no país, de acordo com seu proprietário.

Ali Farzat, um dos maiores cartunistas sírios, disse à Folha que o governo de Bachar al Assad lhe concedeu a licença para publicar o semanário no mês passado, numa medida que visa restabelecer a lei de imprensa de 1949, que autorizava a existência de publicações pertencentes ao setor privado.

O jornal, que se chamará ‘Al Doumari’ (acendedor de lampiões), utilizará sátira e ironia para expor e discutir temas da Síria, dos países árabes e da comunidade internacional, segundo Farzat.

‘Utilizando uma linguagem mais informal, pretendemos estabelecer um contato aprofundado com a população e daremos espaço para diferentes opiniões sobre assuntos políticos, econômicos e sociais do país e do mundo. O governo deseja que façamos esse trabalho’, afirmou, por telefone, de Damasco, a capital.

‘Trataremos de temas e problemas que não eram discutidos anteriormente com total liberdade de ação. Isso tudo de modo crítico e satírico’, acrescentou.

As boas relações de Farzat com Al Assad podem ter ajudado na obtenção da licença. Contudo, segundo ele, vários outros pedidos de autorização podem ser aprovados em breve.

O ‘Al Doumari’ será o primeiro jornal particular sírio em 38 anos. O último foi fechado em 1963, quando a ala esquerdista do partido nacionalista Baath, o maior da coalizão governamental, tomou o poder, impôs lei marcial e suspendeu a lei de imprensa de 1949.

Para analistas políticos, a lei marcial foi uma medida de segurança em razão dos conflitos entre árabes e israelenses e da instabilidade regional. ‘Em 1963, as relações entre o mundo árabe e Israel eram bem mais complicadas. Assim, o governo sírio da época viu a necessidade de controlar a imprensa do país’, disse à Folha Michael Hudson, doutor em relações internacionais especializado em questões árabes, professor da Universidade de Georgetown (Washington).

Todos os jornais sírios atuais pertencem ao Estado. Porém, no mês passado, o governo permitiu que membros da coalizão que está no poder editassem suas próprias publicações.

Farzat, que recebeu diversos prêmios internacionais por seu trabalho nos últimos 30 anos, é famoso por suas críticas à corrupção e por sua ousadia. Isso mesmo sob o regime do pai de Bachar, Hafez al Assad, que governou o país com mão-de-ferro até sua morte, em meados do ano passado.

‘O próprio presidente nos pediu que sejamos críticos quanto aos erros da administração pública. Faz parte de um plano de liberalização abrangente que ele está colocando em prática’, disse.

No início, o ‘Al Doumari’ terá 16 páginas, e jornalistas sírios, libaneses e egípcios farão parte de sua equipe de colaboradores. Ele será distribuído na Síria e em países estrangeiros. Também deverá ter uma versão eletrônica, que será veiculada num site da Internet que ainda deve ser criado."

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