Terça-feira, 19 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº991
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O Estado de S. Paulo / AFP

Por lgarcia em 16/04/2003 na edição 220

JORNALISTAS ATACADOS

“Família processa Aznar por morte”, copyright O Estado de S. Paulo / AFP, 13/4/03

“Os irmãos do cinegrafista espanhol José Couso, morto terça-feira no ataque de um tanque americano contra o Hotel Palestina, em Bagdá, aderiram sexta-feira à ação judicial promovida pela Associação Livre de Advogados da Espanha contra o primeiro-ministro do país, José María Aznar. A entidade responsabiliza Aznar por ter incluído a Espanha na coalizão liderada pelos EUA para a invasão do Iraque. No ataque morreu também um jornalista da agência Reuters e outro não identificado faleceu ontem no hospital.

Javier e David Couso também pediram ao Ministério de Relações Exteriores que informe as causas e as circunstâncias da morte de José, as ações da chancelaria junto aos EUA para que investiguem o ocorrido, e a resposta oficial do governo americano. Eles também querem saber se o Ministério da Defesa da Espanha tinha conhecimento de que o hotel, onde está hospedada a maioria dos jornalistas estrangeiros (ler ao lado), era alvo militar.

?Queremos saber se vivemos sob o império da lei ou sob a lei do império?, disse Javier.

Desde o início do mês vários advogados já entraram com ações contra Aznar ?por ter envolvido a Espanha numa guerra, sem respeitar a Constituição?.”

“?Durante uma hora achamos que milicianos nos matariam?”, copyright O Globo, 10/4/03

“No clima de caos que tomou conta de Bagdá, grupos armados iraquianos tentaram se vingar em jornalistas ocidentais. Ontem, milicianos roubaram e quase lincharam equipes das TVs portuguesa e búlgara.

– O pior de tudo é que eu nem sequer senti medo – confidenciou Carlos Fino, um enviado da RTP a Bagdá. – Ia como um cordeiro ao matadouro.

Fino, seu câmera e uma equipe da televisão búlgara se livraram do linchamento de uma massa enfurecida. Durante a confusão, roubaram todo o material de trabalho das equipes, documentos e dinheiro.

– Acabamos em meio a um enfrentamento armado entre iraquianos na rua Kefah – explicou Elena Yoncheva, a jornalista búlgara, mostrando arranhões e hematomas pelo corpo. – Vários milicianos se lançaram contra nós e nos acusavam de terem invadido seu país e pelo que Bush está fazendo, enquanto nos golpeavam com as suas Kalashnikov.

– Dizíamos que éramos europeus, mas isso não melhorou as coisas – disse Fino.

Um grupo de militantes do Al Fadhel, organização do Partido Baath, salvou as vidas dos integrantes das duas equipes.

– Eles enfrentaram os outros e nos deram refúgio em um edifício próximo, mas durante uma hora achamos que os milicianos ganhariam e nos matariam, como aconteceu na Somália – contou Fino, que só começou a sentir as dores dos golpes que recebeu na cabeça quando chegou de volta ao hotel.

Não foi o único incidente do dia. Vários carros de jornalistas foram baleados nas ruas de Bagdá. A ausência de autoridade converteu alguns bairros em terra sem lei, e os jornalistas em elementos mais atrativos: têm equipamentos valiosos e dinheiro, muito dinheiro para iraquianos que, por sua ligação com o governo derrubado, podem acabar na clandestinidade.

Consciente desse perigo, Salim Mohamed, diretor do Hotel Palestine, onde se hospedam a maioria dos repórteres, pediu ajuda ao coronel americano que dirigia as tropas que chegaram às portas de seu estabelecimento, às 16h30m.

– Ele disse que iria consultar os seus superiores – disse.

Cinco horas mais tarde, oito blindados bloqueavam a entrada do hotel. Os jornalistas podiam dormir tranquilos. Ou não.”

***

“Cheney acha idiota pensar em ataque intencional a jornalistas”, copyright O Globo, 10/4/03

“O ataque de tanques americanos terça-feira ao Hotel Palestine, em Bagdá, onde está hospedada a maioria dos jornalistas estrangeiros que cobrem a guerra no Iraque, gerou reações indignadas em todo o mundo. Dois correspondentes, os cinegrafistas Taras Protsyuk, da agência Reuters, e José Couso, da emissora espanhola Telecinco, morreram no ataque. No mesmo dia, caças americanos bombardearam um escritório da emissora árabe al-Jazeera, matando o produtor Tarek Ayoub. Ontem, ao comentar as suspeitas de que os ataques tenham sido intencionais, o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, foi áspero.

– É preciso ser idiota para acreditar nisso – afirmou Cheney, em Nova Orleans, dizendo lamentar as mortes, mas admitindo que os EUA não podem garantir a segurança dos correspondentes.

Nas páginas de jornais, mais indignação. O francês ?Le Monde? publicou um artigo criticando a reação agressiva das tropas americanas diante de qualquer pequeno detalhe que possa parecer uma ameaça. E acabou elogiando a postura mais paciente dos britânicos, que têm sido mais criteriosos na hora de atirar. O ?Washington Post? deu destaque à repercussão do episódio em todo o mundo. Nos jornais árabes, pesadas acusações aos EUA, chamados de ?assassinos de testemunhas?. Também deram destaque ao fato de al-Jazeera e a Abu-Dhabi TV terem seus escritórios destruídos no ataque de terça. O egípcio ?Al-Ahrar? chamou os ataques de ?massacre de jornalistas?. Já o jornal árabe com sede em Londres ?Al-Hayat? estampou: ?Um dia negro para a imprensa?.

No México, o ?El Universal? não poupou o erro dos vizinhos: ? EUA agora assassinam jornalistas?.”

“Ataque a jornalistas pode não chegar ao Tribunal Penal Internacional”, copyright Agência Brasil / Europa Press, 9/04/03

“O ataque contra o Hotel Palestina de Bagdá por parte de um tanque norte-americano, no qual foram mortos dois jornalistas, dificilmente poderia chegar ao Tribunal Penal Internacional (TPI), mesmo que fosse considerado um crime de guerra, explicou hoje o diretor do Centro de Estudos de Direito Internacional Humanitário da Cruz Vermelha, Luis Rodríguez-Villasante, em entrevista à agência de notícias Europa Press.

Segundo indicou o especialista, até o momento o caso do Hotel Palestina continua no campo das investigações e hipóteses, razão pela qual ainda não se pode declarar formalmente se o episódio se trata de um crime de guerra, embora seria considerado assim caso se confirmasse que se tratou de ?um ataque contra um alvo militar no qual havia civis exercendo seu trabalho como jornalistas?.

Nesse caso, o direito internacional estabelece que o primeiro responsável por julgar os culpados do citado crime são os Estados Unidos. De todas as maneiras, segundo o especialista entrevistado pela Europa Press, é improvável que o caso chegue ao TPI já que seu estatuto não foi ratificado nem pelos Estados Unidos nem pelo Iraque.”

“Após queda de Saddam, caos se instala em Bagdá”, copyright Jornal do Terra (www.terra.com.br), 10/4/03 (*)

“O jornalista Carlos Fino, correspondente da RTP (Rádio e Televisão Portuguesa), relata que a situação em Bagdá tornou-se caótica após o avanço das tropas anglo-americanas e o colapso do regime de Saddam Hussein. Segundo ele, milícias iraquianas circulam pela cidade e promovem ações criminosas. Na quarta-feira, o repórter ficou em poder de um grupo armado durante quatro horas. Um cinegrafista da emissora e uma correspondente da TV estatal da Bulgária também foram vítimas do seqüestro.

O repórter explica que o veículo em que estavam foi alvejado nas rodas. Em seguida, o trio foi retirado do carro e agredido. ?Tentamos explicar que somos jornalistas, que não somos americanos, que somos europeus, mas eles não quiseram nem saber?. O seqüestro terminou graças à intervenção de um integrante do partido Baath, de Saddam Hussein. ?Só com muita dificuldade conseguimos sair e finalmente regressar ao hotel?.

Segundo Carlos Fino, há cadáveres espalhados por Bagdá. Feridos passaram a ser atendidos em casa. ?Os hospitais não estão dando conta?.

Sobre o ataque ao Hotel Palestine na última terça-feira, o correspondente português desmente a versão norte-americana. O local foi alvejado por um tanque e dois jornalistas morreram. Os Estados Unidos disseram que o veículo fora alvo de tiros disparados do hotel. ?Nenhum dos 300 jornalistas (hospedados) comprova essa versão. Nunca houve tiros do hotel?.

Jornalistas fazem vigília pelos colegas mortos

Os jornalistas que cobrem a guerra em Bagdá iniciaram uma vigília em homenagem aos colegas mortos. Só na terça-feira, três cinegrafistas morreram. Dois deles, um ucraniano e um espanhol, foram atingidos no Hotel Palestine, onde se concentram os correspondentes estrangeiros. O terceiro estava no escritório da Al Jazeera, que funciona no mesmo prédio do Ministério da Informação.

A emissora Al Jazeera e a organização Repórteres sem Fronteiras acusam o Exército norte-americano de atirar deliberadamente contra os jornalistas. A acusação é baseada no fato de que os locais usados como alvo são conhecidos por hospedar os correspondentes. O Pentágono contesta e diz que os ataques foram uma reação a disparos de franco-atiradores. Também afirma já ter alertado os correspondentes que, por ser zona de guerra, Bagdá é um lugar perigoso.

(*) O vídeo do Jornal do Terra (preferencialmente para conexões em banda larga) está em <http://tv.terra.com.br/jornaldoterra/interna/0,,OI29260-EI1287,00.html>

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