Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > ELEIÇÕES NOS EUA

O fator imprensa

Por lgarcia em 30/12/2003 na edição 257

ELEIÇÕES NOS EUA

A imprensa, em sua missão de noticiar fatos, muitas vezes acaba por influenciá-los. Esta é idéia central da análise que Kathleen Hall Jamieson e Paul Waldman fazem do papel do jornalismo na campanha para a eleição presidencial de 2000 nos Estados Unidos. Segundo Alexander Stille [The New York Times? 8/1/03], embora não faça análise estrutural da mídia de grandes corporações numa época em que o pleito se decide pela televisão, e atribua problemas na cobertura à opção individual de profissionais, o livro escrito pela dupla ? The Press Factor (O fator imprensa) ? dá uma boa idéia de por que a imprensa funciona como funciona.

Um dos principais problemas da mídia no pleito em que George W. Bush saiu vencedor, após contestada contagem de votos no estado da Flórida, foi o velho vício de reportar de acordo com idéias preconcebidas. Bush, por exemplo, foi caracterizado como alguém sem preparo. Sistematicamente, as referências ao republicano passaram a questionar se ele seria esperto o suficiente para governar. O concorrente democrata Al Gore ? que, a julgar pelo livro, foi o mais prejudicado ?, por sua vez, foi pintado como alguém que inventa histórias para melhorar a imagem. Outra idéia que a imprensa adotou sem critério foi a de que Gore seria “o inventor da internet”, quando na verdade ele somente teve papel importante na criação de legislação para a rede.

Uma análise importante do livro é a da noite em que os votos estavam sendo contados. O resultado na Flórida, do qual dependia a definição do novo presidente, era difícil de prever. Primeiro, a imprensa declarou Gore vencedor. Contudo, no começo da madrugada, as previsões foram revertidas, fazendo com que o telespectador fosse dormir com a idéia de que Bush seria vencedor. No dia seguinte, estava construída imagem que os republicanos souberam aproveitar: Bush era o vencedor e Al Gore um mau perdedor. O que foi visto como uma vitória legítima contestada deveria ser analisado como uma disputa entre duas partes iguais. Este cenário, que a mídia não se preocupou em destruir, estimulou a decisão do Corte Suprema em favor do atual presidente.

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