Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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PRIMEIRAS EDIçõES > PATRIOTADAS

O futuro das revistas de celebridades

Por lgarcia em 03/10/2001 na edição 141

ENTRETENIMENTO

Numa sociedade deslumbrada com celebridades, a cobertura e a criação de personalidades famosas se tornou uma indústria próspera para a mídia nacional. Mas, dias após os ataques terroristas, editores das revistas de entretenimento passaram a discutir se haveria clima para fofocas e escândalos de atrizes de cinema, cantores de rock e jogadores de basquete.

As estrelas que participaram do show beneficente Um tributo aos heróis prestaram um serviço valioso que talvez não fosse um sucesso sem a fixação do público pelos famosos. O interesse por “celebridades, reais ou fabricadas, não desaparecerá pelo que aconteceu no dia 11”, afirma Leo Braudy, professor da University of Southern California e autor do livro The frenzy of renown (o furor pela fama). Braudy, no entanto, espera que “algum senso de proporção volte”.

Os meios de comunicação terão que se adaptar à nova crise, como fizeram antes com as duas guerras mundiais, a Depressão e o Vietnã, mudando a cobertura. O desafio para os editores será manter um nicho individual num cenário de mídia cada vez mais abarrotado, sem parecer insensível ao sofrimento e à ansiedade do país. Mas este ajuste será especialmente difícil para revistas que dependem da cobertura de celebridades, como Vanity Fair, People, Esquire e GQ.

Art Cooper, editor-chefe da GQ, disse que, apesar de ter mudado 60 páginas da edição de novembro para incluir material sobre o atentado, a publicação não se tornará “uma revista Yank [semanário das Forças Armadas americanas]”. “Não podemos ser uma revista que só cobre a guerra. Isto seria um erro”, argumenta.

David Granger, editor da Esquire, disse que sua equipe está discutindo o conteúdo e o tom da revista. “Acho que mudaremos para uma era de jornalismo melhor, mais relevante”, acredita Granger, ao apontar que “ninguém pediu a nenhuma celebridade sua opinião sobre estes eventos”.

Vanity Fair, conhecida por colocar celebridades na capa e jornalismo sério dentro, segundo David Shaw [Los Angeles Times, 25/9/01], terá uma estrela de cinema na capa de dezembro. “Eu embalo a revista com algo que a tirará das bancas e tento preenchê-la com coisas que manterão as pessoas em suas casas lendo-a”, defende seu editor, Graydon Carter. “Revistas que põem políticos na capa vendem 4 mil cópias. Nós temos estrelas de cinema e circulação de 1,3 milhão.”

TALK

A filha do ex-presidente Bill Clinton, Chelsea, de 21 anos, concordou em escrever matéria para a revista Talk sobre os ataques ao World Trade Center. Em entrevista a Jane Pauley, da NBC, Hillary Clinton, senadora de Nova York, disse que a filha estava na cidade no dia 11 e planejara caminhar naquela manhã na praça do WTC, mas parou para tomar um café. “Foi quando o avião atingiu [a torre]”, disse Hillary. Chelsea então visitou o ground zero (a área central do desastre) e conversou com o pessoal de resgate.

Embora a Talk não tenha confirmado a informação, a matéria de Chelsea deve ser publicada na edição de novembro. Não é a primeira vez que a revista, editada por Tina Brown e fundada em parte pela Miramax, faz a corte à família Clinton, observa Gabriel Snyder [The New York Observer, 27/9/01]. A primeira edição de Talk, em setembro de 1999, deu capa a uma entrevista exclusiva com a então primeira-dama Hillary. Harvey Weinstein, magnata que dirige a Miramax, foi um dos notórios patrocinadores das campanhas de Bill, Hillary e Al Gore. Tina e Weinstein também foram os anfitriões, ao lado do empresário Michael Bloomberg, de uma festa para comemorar a vitória de Hillary, em novembro de 2000.

PATRIOTADAS

Peter Jennings, veterano apresentador do World News Tonight, na ABC, foi intensamente criticado por comentaristas de direita e telespectadores por comentários que não fez. A rede recebeu mais de 10 mil ligações e emails furiosos desde que o âncora foi acusado de criticar o presidente Bush por não ter retornado diretamente à Casa Branca após os atentados.

O radialista Rush Limbaugh, baseado em email de um amigo, denunciou Jennings ? “este bom filho do Canadá” ? em seu programa por fazer comentários ofensivos ao presidente. O “pequeno Peter”, disse Limbaugh, “fez comentários depreciativos como ?Bem, alguns presidentes são simplesmente melhores que outros? e ?Talvez seja prudente que certos presidentes não tentem falar às pessoas de seu país?”, disse Limbaugh. O sítio NewsMax.com divulgou o número de telefone e o email de Jennings. Após protesto da ABC, Limbaugh se retratou no ar.

Na noite do dia 11, informa Howard Kurtz [The Washington Post, 24/9/01], quando o Air Force One não retornou a Washington, Jennings perguntou onde estaria Bush. Após saber que o presidente havia se dirigido a uma base em Louisiana, o âncora disse que “ninguém deveria ficar surpreso” se o serviço secreto tratasse de sua segurança “com profunda seriedade”. Há também o aspecto psicológico, acrescentou, “porque o país quer que o presidente traga segurança à nação em ocasiões como esta. Alguns presidentes o fazem bem, outros não.”

“Você deve ter a possibilidade de dizer ?Alguns presidentes fazem isto bem e outros não? sem ser entendido de uma forma partidária”, defendeu Paul Friedman, vice-presidente executivo da ABC News, em relação às críticas. Recentemente, a ABC proibiu seus jornalistas de usar bandeiras americanas na lapela. “Especialmente em tempo de crise nacional, a coisa mais patriótica que jornalista pode fazer é permanecer o mais objetivo possível”, explicou o porta-voz Jeffrey Schneider. “Não podemos expressar como nos sentimos em relação a uma causa, ainda que justificada e justa, por algum símbolo exterior.”

    
    
                     

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