Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > ***

O Globo

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

ASPAS

DOSSIÊ PERFÍDIA

"Autor de livro diz que foi censurado por Dines", copyright O Globo, 8/02/01

"O jornalista João Carlos Teixeira Gomes, autor do livro ‘Memórias das trevas – Uma devassa na vida de Antonio Carlos Magalhães’, protestou ontem contra o cancelamento da exibição do programa ‘Observatório da imprensa’, da TV Educativa, que discutiria anteontem sua obra. Segundo ele, houve um ato de censura e uma agressão à liberdade de expressão.

Gomes foi avisado sobre a suspensão do programa, que vai ao ar ao vivo, pelo editor-responsável Alberto Dines, que alegou que o novo presidente da TVE, Fernando Barbosa Lima, teria o seu mandato prejudicado com a repercussão.

– Houve um ato de censura, mas tento entender que o Dines tinha motivos para proteger um amigo. Fiquei perplexo ao saber que o Dines temia pelo emprego do Barbosa Lima, principalmente porque são dois jornalistas que sempre lutaram pela liberdade de expressão – disse Gomes.

A obra é uma biografia não-autorizada do senador, lançada em meados de janeiro e que já vendeu 35 mil exemplares.

Dines disse ontem que o programa não foi ao ar porque a TVE da Bahia ameaçou não exibi-lo e porque oito dos nove jornalistas convidados a participar recusaram o convite.

Fernando Barbosa Lima e o coordenador da TV Educadora da Bahia, Antonio Sampaio, negaram que tenha havido intenção de impedir a exibição do programa para o estado natal do senador.

Segundo Dines, sua decisão não representou autocensura.

– Não considero que houve autocensura. Não estou recuando ou escondendo minha opinião. Autocensura é o que os jornais estão fazendo ao ignorar a importância desse livro. Isso que é feio – disse.

Dines afirmou que não foi pressionado.

– Não houve censura do governo, do presidente da TVE ou de ACM. Eu tomei a decisão pensando no futuro da televisão. O programa poderia prejudicar Barbosa Lima, porque é uma TV estatal, o governo brasileiro está em crise política e haveria repercussão política. Mil coisas poderiam acontecer – afirmou Dines.

Barbosa Lima confirmou que a decisão foi de Dines.

– O próprio Dines resolveu não fazer o programa. Quero que fique claro que não houve nenhum tipo de censura. Eu adoraria que houvesse o debate. Renderia um ibope maravilhoso – disse Barbosa Lima.

Gomes não soube informar os nomes de todos os jornalistas convidados, mas citou Tales Faria, da revista ‘IstoÉ’, o repórter Clóvis Rossi, da ‘Folha de S.Paulo’, e a colunista Dora Kramer, do ‘Jornal do Brasil’. Faria foi o único a aceitar.

– Não vou me meter em guerra pessoal, não quero entrar nesse ambiente e nessa guerra suja – disse Kramer.

– Não aceitei porque estava fora do Brasil há 40 dias. Não li o livro e seria uma leviandade debater um assunto que não conheço – disse Rossi.

O escritor João Ubaldo Ribeiro que enviou mensagem a jornalistas criticando a censura, a considerou assustadora.

– Não foi censura no sentido oficial da palavra, mas redundou em censura, já que o programa acabou sendo retirado do ar para evitar problemas. Acho que é um precedente assustador – afirmou."

***

"Um capítulo da guerra ACM-Jader", copyright O Globo, 8/02/01

"O livro ‘Memória das trevas’, do jornalista baiano João Carlos Teixeira Gomes, produziu mais um capítulo da guerra entre o presidente do PMDB, Jader Barbalho, e o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). Jader é candidato a presidente do Senado com o apoio de seu partido e do PSDB, e tem como maior inimigo Antonio Carlos, que trabalha abertamente para impedir sua vitória.

No livro, o jornalista afirma que Antonio Carlos fazia parte de uma turma de adolescentes que, nas décadas de 40 e 50, era conhecida pela violência. O autor também sustenta que, ministro das Comunicações no regime militar, Antonio Carlos estabeleceu um gigantesco cerco de manipulação ideológica, por meio das concessões de rádio e televisão. Gomes relata suspeitas sobre o caso de José Fernando Marques dos Reis Valente, o Juca Valente, que era genro de Antonio Carlos e foi encontrado morto nas escadas do prédio onde morava, em 1975. Diz ainda que o presidente do Senado manobrou para deter o controle acionário e depois acabar com o ‘Jornal da Bahia’, que lhe fazia oposição.

Desde seu lançamento, em 20 de janeiro, ‘Memória das trevas’ foi objeto de referências na imprensa, inclusive nas edições do GLOBO de 27, 30 e 31 de janeiro."

***

"Outra polêmica de Dines", copyright O Globo, 8/02/01

"No dia 24 de outubro de 1998, às vésperas do segundo turno das eleições para governos estaduais, Alberto Dines deixou a condição de colaborador da ‘Folha de S.Paulo’ denunciando a censura a um artigo seu.

A ‘Folha’ admitiu o veto à publicação do texto, argumentando
que, a pretexto de criticar o general chileno Augusto Pinochet e Paulo Maluf,
que disputava o segundo turno para o governo de São Paulo contra Mário
Covas, Dines defendia também a candidatura de Cesar Maia, que concorria
no Rio contra Anthony Garotinho. Por isso tudo, teria ferido a diretriz do jornal
que proíbe que articulistas apóiem candidatos em seus artigos.
Na ocasião, Dines não aceitou a justificativa e criticou duramente
o veto à publicação de seu artigo."

 

"No vermelho", copyright O Globo, 7/02/01

"O ‘Observatório da Imprensa’, da TVE, cancelou a entrevista que exibiria, ontem, com João Carlos Teixeira Gomes.

Ele falaria sobre seu livro ‘Memória das trevas’, que reúne denúncias contra Antonio Carlos Magalhães.

A emissora cedeu a pressões de Brasília e cortou o programa."

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