Terça-feira, 21 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > DOSSIÊ CREDIBILIDADE

O Globo

Por lgarcia em 22/08/2001 na edição 135

DOSSIÊ CREDIBILIDADE

"Pesquisa do instituto Datafolha apresentada ontem no primeiro dia do 3? Congresso Brasileiro de Jornais, no Rio, mostra que os jornais são a segunda instituição com mais credibilidade no país, só perdendo para a Igreja Católica. Dos entrevistados, 30% disseram acreditar mais na Igreja e 15%, nos jornais. Em último lugar, com nenhuma citação, aparecem os partidos políticos. O instituto ouviu 1.605 pessoas no Rio de Janeiro, em São Paulo, Porto Alegre, Recife e Brasília.

Entre os veículos de comunicação, os jornais são o meio preferido pelos entrevistados para se informarem, com 50% de aprovação. Em segundo lugar aparecem as TVs abertas, com 37%, e, em terceiro, as rádios, com 20%.

O conteúdo abrangente e a confiabilidade das notícias fazem do jornal impresso o veículo preferido da maioria dos entrevistados.

A pesquisa foi apresentada no Congresso, promovido pela Associação Nacional de Jornais (ANJ), pelo diretor-geral do Datafolha, Mauro Francisco Paulino. Para ele, os jornais impressos são um meio mais popular em cobertura e avaliação, mas enfrentam uma disputa cada vez mais acirrada pelo escasso tempo dos leitores. Paulino disse que os jornais on line também têm um desafio pela frente: o da conquista da credibilidade. Entre as instituições de maior credibilidade, a internet foi citada por apenas 5%. Além disso, segundo a pesquisa, um terço dos internautas diários prefere o jornal impresso para se aprofundar nos assuntos.

No mesmo debate sobre a credibilidade da imprensa, a diretora da Fato Pesquisa, Fátima Pacheco Jordão, disse que a sociedade se informa cada vez com mais rapidez:

? A credibilidade é o diferencial dos jornal em relação aos outros meios ? afirmou.

O editor de opinião do GLOBO, Luiz Garcia, se surpreendeu com o resultado da pesquisa. Para ele, o leitor hoje é mais exigente e cobra mais dos jornais. Garcia citou erros que, na sua opinião, sabotam a credibilidade da imprensa: o exagero, o sensacionalismo e o apelo à violência. O jornalista disse ainda que sua experiência no GLOBO mostra que os erros de português são os que mais irritam o leitor e abalam a credibilidade da imprensa.

? Ao ver um erro de português, o leitor se pergunta se o assunto tratado está correto ou não ? disse.

Na abertura do congresso da ANJ, o governador Anthony Garotinho destacou a tradição do Rio como sede de órgãos de imprensa. Ele afirmou que os jornais têm pela frente o desafio de se adaptar às novas tecnologias, mas lembrou que a imprensa já sobreviveu a inovações:

? Os noticiários de rádio e televisão terão sempre dificuldade de competir com a profundidade do jornalismo impresso ? afirmou o governador, que elogiou a independência da imprensa fluminense em relação aos poderes políticos locais.

O presidente da ANJ, Francisco Mesquita Neto, lembrou que as previsões de que os jornais desapareceriam em pouco tempo ?se mostraram simplistas?:

? No entanto, é igualmente simplista afirmar que a mídia impressa sobreviveu devido a seus méritos, o que tornaria inabalável sua posição. Na verdade, os jornais cresceram porque souberam mudar e continuam passando por transformações."

"Os jornais no Brasil só perdem em credibilidade para a Igreja Católica e estão cada vez mais presentes nos hábitos de leitura das classes C, D e E, mas trazem notícias ruins em excesso e assuntos políticos e econômicos em demasia. Essas foram algumas das constatações de uma pesquisa do instituto Datafolha sobre a credibilidade da mídia, apresentada no 3? Congresso Brasileiro de Jornais, promovido pela ANJ (Associação Nacional dos Jornais). O congresso foi aberto ontem e se encerra hoje, no Rio de Janeiro.
A pesquisa ouviu 1.605 pessoas, entre os dias 18 e 20 do mês passado, em cinco capitais (Rio de Janeiro, São Paulo, Porto Alegre, Brasília e Recife). A margem de erro &eacueacute; de três pontos percentuais.

As instituições em que a população mais acredita são a Igreja Católica (30%), jornais (15%), igrejas protestantes (11%) e emissoras de TV (11%). Quando os entrevistados citam três instituições em que mais acreditam, os jornais aparecem como os mais confiáveis, com 45% das respostas, quatro pontos percentuais à frente da Igreja Católica.
Partidos políticos (28%), governo federal (25%) e o Congresso (11%) foram citados como as instituições menos confiáveis.

A pesquisa comparou a opinião dos entrevistados em relação ao jornal impresso e ao jornal on-line. Os usuários diários de internet disseram concordar totalmente (50%) ou em parte (25%) com a afirmação de que ainda vai demorar muito para que ela substitua a imprensa escrita.

O governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PSB), compareceu à abertura do congresso."

    
    
                     

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