Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > TUDO É MÍDIA

O homem que sabe demais

Por lgarcia em 28/10/2003 na edição 248

TUDO É MÍDIA

José Eduardo Gonçalves (*)


Apresentação de Tudo é comunicação, de Paulo Nassar, 125 pp., Lazuli Editora <www.lazuli.com.br>, São Paulo, 2003; e-mail <lazuli@lazuli.com.br>; lançamento em 5/11/03, a partir das 18h30, na Livraria Cultura, Avenida Paulista, 2073, em São Paulo


Então vamos direto ao ponto. Tem um bocado de coisas que eu gosto muito no Paulo Nassar. A persistência em defender as próprias crenças, a obsessiva disposição para ocupar as frentes de oportunidades, a lealdade para com os companheiros de trabalho, a coragem de assumir os riscos necessários de certos desafios. Se alguém neste país tem trabalhado pela causa da comunicação e ensinado tanto, como um mestre de extenso saber, esse alguém é o Paulo.

Há muito tempo esse jornalista, professor e especialista magno vem se dedicando, ao lado de companheiros valiosos, não apenas à construção de uma organização moderna e sólida, voltada para valorizar a prática da comunicação organizacional, mas também ao desenvolvimento de um pensamento estratégico na área. Ambos caminham bem o fortalecimento da entidade, da qual ele é presidente-executivo, e a elaboração da tal inteligência estratégica, expressa nas idéias e conceitos que toda uma geração de profissionais vem ousando articular, em vários pontos do país, cotidianamente, há um punhado de anos.

O homem entendeu que, para fazer bem feito, é preciso botar a mão na massa, e ele o fez, vide a excepcional relevância da Aberje (a já citada entidade que ele não fundou, mas à qual imprimiu uma identidade sem igual) na vida da comunicação empresarial. Por outro lado, ele também entendeu que era preciso ocupar os espaços para falar e pensar, pensar e falar. Foi para as rádios, universidades, revistas, jornais e todos os lugares em que pudesse expressar sua crença na comunicação como ferramenta estratégica para o sucesso das organizações.

Com ele, fomos muitos de nós. O resultado é que hoje a comunicação bem feita virou item de primeira necessidade em qualquer empresa que se preste. Bom para elas, bom para os profissionais, ótimo para o mercado, clientes, consumidores, público etc. Mas o Paulo sabe que a glória é fugaz e que o mundo não descansa. Tudo muda, sempre, e o sucesso de hoje não é garantia para nada daqui a algumas horas. É preciso estar atento e trabalhar, cada vez com mais acuidade, conhecimento amplificado, ética e, por que não, simplicidade. O Paulo nos faz lembrar que o óbvio é muitas vezes difícil de ser praticado e que não há eficácia em comunicação se não há sinceridade. Vale a pena ler o que ele escreve. Acredite: estes artigos compõem, sem pretensão, um belo manual prático e reflexivo de comunicação, atraente e apetitoso para profissionais de qualquer idade ou experiência.

Gosto especialmente da simplicidade e clareza dos textos, que falam de coisas às vezes complexas, como se nos estivesse ensinando uma receita de bolo: cuide bem dos ingredientes, busque a harmonia ao misturá-los, não abra mão da intuição mas nunca se esqueça de tentar aprender o máximo que puder a respeito do que pretende inventar. Enfim, saiba prestar atenção ao que está fazendo e dedique a isso o melhor de suas virtudes e talentos. É simples, para os bons cozinheiros. E para o Paulo, claro, que parece multiplicar o tempo que lhe é disponível para exercer suas múltiplas atividades.

Poucos entendem tanto de comunicação corporativa como Paulo, e ele continua cultivando as paixões banais de qualquer cidadão. Esse cara pode estar ao seu lado na arquibancada do Morumbi e você nem vai desconfiar de que ele é o mesmo que escreveu estes artigos genialmente simples que você vai ler agora.

(*) Jornalista, escritor e consultor em comunicação empresarial

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