Sexta-feira, 17 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

PRIMEIRAS EDIçõES > SÃO PAULO, 450 ANOS

O jornal e o mico da festa

Por lgarcia em 27/01/2004 na edição 261

SÃO PAULO, 450 ANOS

Luciano Martins Costa (*)

O grande mico dos festejos pelos 450 anos de São Paulo foi produzido pela Folha de S.Paulo e protagonizado por centenas de seus leitores e os amigos deles. Deu-se na Avenida Paulista, entre as 23 horas de sábado (24/1) e a primeira hora do domingo, dia 25: confiantes na informação publicada em seu jornal predileto, os leitores postaram-se com suas famílias e amigos sob marquises ou guarda-chuvas, ao longo das calçadas próximas ao Conjunto Nacional, na esquina com a rua Augusta e nas travessas da avenida, de onde poderiam apreciar o anunciado espetáculo de fogos de artifício, previsto para durar dez minutos.

Estava lá, sem qualquer sombra de dúvida, no guia preparado diligentemente pela Folha: o espetáculo deveria começar exatamente à meia-noite do dia 24. Não poderia haver erro de digitação, ou mera distração do redator da nota, pois ele, ou seu editor, tivera o cuidado de comentar, no texto, que os fogos marcariam a "virada" para o dia do aniversário da cidade.

Pois bem. Sob a garoa fina que já inspirou compositores, o grande relógio digital no alto do Conjunto Nacional se aproximou das 23h59 sob contagem regressiva, ensaiada por alguns grupos mais animados. Um fusca todo enfeitado de luzes, com um coração vermelho piscando no capô, foi aplaudido com entusiasmo como se fosse o anúncio de um aumento salarial. O grande luminoso, lá em cima, piscou e avisou: 00h00. Motoristas tocaram buzinas, mães apontaram o topo do prédio para seus filhos pequenos, e nada. 00h01, 00h2, 00h3, e as vaias começaram a se sobrepor às buzinas.

Logo a decepção se instalou. Sob a garoa fina, muitos começaram a demonstrar sua revolta. Um rapaz passou com sua bicicleta, avisando, aos gritos: "Foi às oito e meia, seus otários". A tristeza era tanta que ninguém se animou a linchá-lo. Como em toda tragicomédia, os personagens começaram a se olhar uns para os outros, em busca de alguém que parecesse mais patético, e o zum-zum estabeleceu a verdade: haviam todos sido induzidos a erro por seu jornal predileto ? ou o jornal predileto de um amigo. Em meio à multidão que caminhava, resmungando impropérios contra a imprensa, um cidadão mais afeito às práticas do jornalismo ainda pôde ser ouvido.: "Amanhã sai uma nota no ?Erramos?".

Ah, bom!

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