Sexta-feira, 26 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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O jornalismo posto à prova

Por Carlos Vogt em 05/08/1997 na edição 27

Os cursos de graduação de jornalismo no Brasil, anuncia-se, deverão, no próximo ano, submeter-se ao Exame Nacional de Cursos, que, como tudo no país, sobretudo em se tratando de coisa pública, tem o seu apelido: Provão.

O apelido colou tanto (sem trocadilho) que acabou sendo adotado pelo próprio Ministério da Educação e do Desporto, passando inclusive a designar a publicação oficial dedicada ao assunto: Revista do Provão.

Depois de uma série de cursos avaliados no ano passado – processo que enfrentou algumas resistências, logo superadas -, o Provão atingiu uma nova série de cursos este ano, com resultados cada vez mais tranqüilos, do ponto de vista de sua realização.

Parece, assim, que a avaliação do ensino superior no país, pela via do desempenho dos estudantes, vai aos poucos integrando-se à cultura universitária, tendendo a ritualizar-se na rotina de nossas práticas sociais mais familiares. Isso é bom, porque cria o hábito da avaliação contínua e sistemática de nosso ensino superior; pode ser ruim se, desaparecendo a novidade, restar apenas a rotina de mais uma prova que, embora em ão, fique confinada somente ao exercício anual de um teste de capacidade profissional sem agregar outras modalidades mais amplas de avaliação institucional.

Penso, contudo, que o Ministério está atento e que levará em conta essa necessidade inclusiva.

Positiva, de qualquer maneira, é a inclusão, no ano que vem, dos cursos de jornalismo entre aqueles a serem analisados pelo Exame Nacional.

Aqui, como em outros casos, o importante é que a medida não se restrinja ao Provão, mas que sirva também como êmulo de comportamentos construtivos que levem a uma revisão e a uma qualificação – cada vez mais urgentes – dos cursos de graduação em jornalismo.

O simples anúncio, pois, do Provão para jovens jornalistas deve propiciar desde já cenários favoráveis para reflexão crítica e mudanças importantes.

Nesse sentido, o Laboratório de Jornalismo (LABJOR) da Unicamp, criado com esses propósitos, dá boas-vindas ao Provão.

E para que as coisas não fiquem apenas na simpatia dos votos de sucesso e das saudações efusivas, penso que seria oportuno realizar, desde logo, um Encontro de Coordenadores de Cursos de Jornalismo que o próprio LABJOR poderia organizar, no período que antecede o exame, de modo a discutir e a preparar as condições de sistematicidade crítica para as novas provas que o jornalismo brasileiro terá de enfrentar.

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