Quinta-feira, 23 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > , A COLEÇÃO

O legado de Hipólito da Costa

Por lgarcia em 27/05/2003 na edição 226

CORREIO BRAZILIENSE,
A COLEÇÃO

Luiz Egypto

Neste domingo, 1? de junho, comemora-se o Dia da Imprensa.
Até 1999, a efeméride era celebrada em 10 de
setembro. A mudança de datas, resultado de uma proposta
do então deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS), aprovada
pelo Senado em 3 de julho daquele ano, corrigiu uma impropriedade
histórica: o 10 de setembro lembra o início
da circulação da Gazeta do Rio de Janeiro,
o primeiro jornal impresso no Brasil sob os auspícios
da Corte portuguesa de D.João VI, recém-chegada
ao Rio, escorraçada de Portugal pelas tropas de

Hipólito
José da Costa
(1774-1823)

Napoleão Bonaparte. Era o jornal oficial, publicado três
vezes por semana, recheado de notas da burocracia do reino, atos de
governo e anúncios da Corte. Três meses antes, porém,
em 1? de junho de 1808, havia saído o primeiro número
do Correio Braziliense ou Armazém Literário,
editado Londres pelo exilado brasileiro Hipólito José
da Costa Furtado de Mendonça (1774-1823) e impresso nas oficinas
de W. Lewis, Paternoster Row.

O Correio era mensal, encadernado em brochura, e seu editor produzia sozinho as 100 páginas, em média, de cada exemplar. O periódico circulava clandestinamente no Brasil (onde chegava 40 dias depois da impressão) junto a um restrito público leitor ? até porque era uma publicação considerada cara. Foi publicado regularmente até 1822, num total de 175 números.

Os exemplares remanescentes do Correio Braziliense são poucos e dispersos. Mas pelo menos duas coleções completas ? e em bom estado ? do jornal-fundador da imprensa brasileiras estão zelosamente preservadas: uma, na Biblioteca Nacional, no Rio, e outra numa das várias estantes do bibliófilo José Mindlin, em São Paulo. Esta última serviu de base para um projeto arrojado, iniciado em junho de 2001 e que agora chega ao final: a reprodução fac-similar, em livro, da coleção do Correio Braziliense ou Armazém Literário.

São 31 volumes (mais um de prova bibliográfica), dos quais 29
trazem os 175 exemplares do jornal; um, o de nº 31, contém
um índice remissivo completo do Correio, organizado pela
Biblioteca Nacional; e, o volume 30, em dois tomos, uma cronologia
e notas genealógicas seguidas de 16 ensaios inéditos
sobre Hipólito, seu jornal e sua época.

A empreitada é uma edição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, que no seu início contou com a participação do jornal Correio Braziliense (dos Diários Associados, de Brasília). A coleção foi organizada por Alberto Dines e é uma realização Observatório da Imprensa e do Labjor-Unicamp.

A tiragem de cada volume é de 3.500 exemplares, em sua maioria destinados a universidades, escolas de jornalismo, bibliotecas públicas e centros de estudo. Uma parte deles foi separada para a venda. Mais informações podem ser obtidas na livraria virtual da Imprensa Oficial de São Paulo, em <www.imprensaoficial.com.br>, ou pelo telefone 0800 123401.

A partir da próxima edição, este Observatório inicia uma série que reproduzirá os ensaios publicados no volume 30 da coleção do Correio Braziliense.

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