Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

PRIMEIRAS EDIçõES > 3)

O making of de três lorotas

Por lgarcia em 14/10/2003 na edição 246

NOTAS DE UM LEITOR

Luiz Weis

Uma equipe da Universidade de Maryland conseguiu o que parece ser a primeira prova preto no branco de como a mídia televisiva pró-Bush engana o distinto público americano.

Em sete pesquisas que ouviram 9.600 pessoas, entre janeiro e setembro, os acadêmicos
descobriram duas coisas. A primeira é que 60% da população,
a julgar pela amostra, acredita em pelo menos uma das seguintes
patranhas:

1) existem provas claras de que Saddam Hussein esteve ligado de perto aos terroristas do 11 de setembro; 2) no estrangeiro, as pessoas ou apoiaram a guerra ao Iraque ou se dividiram pela metade entre favoráveis e contrários; 3) os Estados Unidos localizaram armas de destruição em massa no Iraque.

Os resultados das pesquisas, divulgados no dia 2/10, mostram uma correlação entre a crença nessas mentiras e a identidade das principais fontes de informação dos que acham que elas são verdades.

Assim, 80% dos acreditam em uma ou mais daquelas invencionices se informam basicamente sintonizando a Fox News TV do direitista Rupert Murdoch (que desbancou a CNN na liderança da audiência desse tipo de emissora).

Já entre os que se informam principalmente lendo jornais e revistas, o índice de credulidade é de 47%. Os que menos são feitos de bobos (23%) são os espectadores fiéis da PBS (Public Broadcasting System) e os ouvintes da National Public Radio.

Não é que a Fox minta escrachadamente. O processo é mais complexo, como bem sabem os fabricantes de lorotas. A mídia governista divulga com estardalhaço, por exemplo, a notícia de que armas de destruição em massa podem ter sido encontradas no Iraque. Já o desmentido que se segue dias depois é dado quase às escondidas.

É a regra de sempre: quando não for possível mentir pura e simplesmente, transmita a mentira aos gritos e a verdade aos sussurros.

Outro recurso, diz a professora Susan Moeller, da Universidade de Maryland, é "cobrir taquigraficamente os pronunciamentos do governo", dando mínima ou nenhuma atenção à questão da sua veracidade.

Os pesquisadores trataram de descobrir o que é mais decisivo para levar o cidadão a acreditar nos contos-do-vigário sobre o Iraque: identificação política (ser filiado ou votar nos candidatos do Partido Republicano), avaliação favorável do presidente Bush ou fonte primária de informação.

Descobriram que, acima de tudo, "as percepções falsas variam agudamente conforme a fonte de informação".

A pesquisa está no site <www.pipa.org>

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