O "medo" da atriz global | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Terça-feira, 14 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº999
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PRIMEIRAS EDIçõES > CASO REGINA DUARTE

O “medo” da atriz global

Por lgarcia em 23/10/2002 na edição 195

CASO REGINA DUARTE

Ariosto Mesquita (*)

Não vivemos mais os tempos de esquerda e direita radicais, como nos anos 60 e 70, apesar dos vestígios que ainda observamos nos PSTUs e Pronas da vida. No entanto, nos embalos da chamada “grande sociedade” muito ranço ainda é visível. Basta, por exemplo, verificar de perto a dificuldade que têm os militares ? apesar de todos os esforços ? de manter um bom, fluente e profícuo trânsito com a imprensa. Nenhum preconceito veemente, mas as dificuldades existem em função de um passado recente que colocou os dois setores ? forças armadas e imprensa ? em lados praticamente opostos (salvo algumas exceções). Mesmo com muitos progressos, ainda fica difícil imaginar qualquer sindicato de jornalistas realizando alguma confraternização em um clube militar.

Exemplos à parte, urge alertar para um episódio que ? apesar de isolado ? pode remexer o baú da história e libertar fantasmas que achávamos hoje habitarem tão-somente as histórias dos filmes de James Bond. Ao aceitar ir à televisão e dizer que sente “medo” do candidato Lula, a atriz Regina Duarte não só estigmatizou-se para o resto da vida, como também representou o mais terrível dos seus personagens: uma mulher covarde, acuada e superada pelo seu tempo, deixando transparecer que continua acreditando que comunista come criancinha ? apesar de o comunismo, neste caso, não estar em jogo.

Duas vítimas fatais

Em momento nenhum deve-se entrar, aqui, na discussão eleitoral ou se tomar partido de um lado ou de outro. Só que, em pleno ano de 2002, resgatar verborréias anacrônicas, como o discurso de Regina Duarte no programa de televisão do candidato José Serra, é voltar ao tempo dos seriados de mocinho e bandido, dos heróis e dos vilões trash. Dá a entender que Serra surge como o Nacional Kid (quem lembra?) defendendo a humanidade dos outrora horripilantes monstros ? hoje, caricaturas grotescas que nenhum jovem consegue entender como faziam sucesso.

O processo histórico e os fatos acontecem assim. Os discursos são apropriados a seu tempo. Se durante duas décadas funcionou no Brasil a satanização da chamada “esquerda” isso se deve não só ao maniqueísmo liderado pelos americanos, mas também à incompetência de vários governos socialistas e comunistas que, a troco do controle estatal de serviços e bens públicos, controlaram também a liberdade individual. Coincidência ou não, os direitos do indivíduo são tolhidos igualmente em governos de extrema-direita. O Brasil é prova recente disso.

Será que o telespectador não vai entender a “monstruosidade” de Regina Duarte como o jovem de hoje observa um eventual capitulo de Nacional Kid? E caso o eleitor até ache interessante a questão do “medo”, será que o monstro não pode mudar de lugar? A simplória visão maniqueísta do programa de televisão de José Serra quer desenterrar aberrações mutantes que não assustam mais ninguém. Nizan Guanaes errou o tiro, mas a bala ainda pode fazer duas vítimas fatais: a candidatura de José Serra e o caso de amor da até então “eterna” namoradinha do Brasil com o povo de seu país.

(*) Jornalista em Campo Grande, MS

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