Quinta-feira, 21 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

PRIMEIRAS EDIçõES > COBERTURA CULTURAL

O outro lado

Por lgarcia em 07/10/2003 na edição 245

COBERTURA CULTURAL

Lado B, de Sérgio Augusto, 416 pp., Editora Record, Rio, 2003; R$ 40,00

[do sítio da Editora Record <http://www.editorarecord.com.br/>]

Em Lado B, foram reunidas as melhores crônicas do jornalista Sérgio Augusto publicadas nas revistas Bravo! e Bundas. Segundo o próprio autor, seus artigos surgiram "como uma
alternativa à pasmaceira e ao culto à frivolidade da imprensa brasileira." Admirador de escritores como Machado de Assis e Flaubert, o autor é um dos mais respeitados e admirados jornalistas brasileiros da atualidade e, segundo Luis Fernando Veríssimo, um grande ensaísta. "A arte de informar sem ser chato, fazer pensar e rir ao mesmo tempo e descobrir não apenas o lado sublime do ridículo ou ridículo do sublime mas fazer isso com tamanha variedade de assuntos é a arte do grande ensaísta", ilustra Veríssimo.

Os textos bem-humorados de Lado B tratam de temas atuais, passando da idiotice televisiva à vigarice dos economistas. Do irremediável patrulhismo ideológico à necessária democratização do elitismo. Da sociologia do lixo à aerodinâmica do trenó de Papai Noel. Do detetive de Deus ao apanhador no campo de centeio. Um pouco de tudo. "Uma enciclopédia de bolso?" se pergunta o autor. "É, pode ser", responde o próprio, num divertido jogo de auto-análise. O livro é uma brincadeira com o lado b do velho disco de
vinil, que muitas vezes trazia a melhor e mais cult faixa do disco. Ao mesmo tempo podemos remeter o b à letra inicial das duas publicações de onde foram selecionados os artigos ? Bundas e Bravo!. Duas revistas que foram criadas como opções para quem não gosta das futilidades e baixarias que predominam nas bancas hoje em dia. Para Sérgio, "se os textos do livro também forem considerados o oposto do que os nossos jornais e revistas habitualmente nos servem, está plenamente justificado".

Sérgio Augusto não quer ser confundido com os "tediosos escribas onfalocêntricos que proliferam na imprensa" ? ou seja, alguém "que só escreve voltado para o próprio umbigo",
explica o autor. Selecionou os textos de Lado B com critério. Escolheu os prediletos, os menos perecíveis e que tiveram mais repercussão junto aos leitores. Entre outros, escolheu o polêmico "O frenesi do furo" que impressionou Caetano Veloso e o fez mudar as estratégias de lançamento de seu último CD, Noites do Norte. Contudo, seu leitor alvo, inicialmente, sempre foi ele mesmo. "Se conseguir escrever algo que me agrade, certamente agradarei algumas, quem sabe muitas, almas irmãs", revela o autor.

Certo de que ser lido num país de analfabetos é um grande feito, o jornalista confessa que levou anos para tomar a decisão de reunir seu elogiado trabalho em um livro. Segundo ele, "nem tudo que sai em jornal e revista merece o inglório destino de embrulhar peixe no dia seguinte". Esse velho costume é desmentido sempre que um artigo que nos agradou é recortado, guardado ou repassado a um amigo, concedendo ao pequeno pedaço de papel um determinado valor, um lugar de destaque na vida de quem o leu, um lugar na memória.

Lado B revela a realidade política e cultural brasileira através de uma ótica sutil e inteligente. Um texto instigante, que leva a uma reflexão positiva e enriquecedora.

O autor

Sérgio Augusto nasceu no Rio de Janeiro em 1942. Jornalista profissional, começou sua carreira em 1960, como crítico de cinema da Tribuna da Imprensa. Foi crítico, repórter e editor nos jornais Correio da Manhã, Jornal do Brasil e Folha de S.Paulo, nas revistas Veja e IstoÉ e nos semanários Pasquim, Opinião e Bundas. Atualmente escreve no Caderno 2 do Estado de S. Paulo e na revista Bravo!. Livros publicados: Este Mundo é um pandeiro (Cia. das Letras, 1989) e Cancioneiro Jobim (Casa da Palavra, 2000).

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