Sábado, 25 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

PRIMEIRAS EDIçõES > TORTURA NO CARREFOUR

O prazer de roubar

Por lgarcia em 14/02/2001 na edição 108

TORTURA NO CARREFOUR

Antonio Antunes (*)

Faz alguns dias que a imprensa vem explorando o caso de duas ladras que furtaram mercadorias de uma rede de supermercados. Mas, em vez de tratar o assunto como se deve, orientando para evitar futuros ladrões, dão destaque ao problema, acusando os seguranças de criminosos e transformando as ladras em vítimas. Partem erradamente do princípio de que a maior parte da população tende a apoiar essas criminosas, esquecendo que não houve furto devido a uma necessidade vital: não furtaram alimento para seus filhos, mas vários bronzeadores solares que seriam vendidos ou talvez até destruídos.

Foi o prazer do roubo. Coisas de país quartomundista, onde os valores são invertidos propositadamente para dar destaque a propostas de interesses particulares. Essa parte da imprensa plagiou de modo grosseiro "Les misérables", de Victor Hugo, tentando inclusive mais tarde, quem sabe, convidá-las para No limite.

Desgastaram três redes

A Constituição do Brasil não permite polícia paralela, e é bem clara quando determina que o policiamento preventivo e ostensivo é realizado unicamente pela Polícia Militar. Mas, em países como o nosso, quartomundista, a lei é para ser cumprida apenas pelos três Ps. Por isso, "otoridades" da polícia Civil e Militar exploram a população com a criação da segurança particular.

Essa mesma imprensa que fez questão de defender as criminosas, como se fossem vítimas, deu destaque maior ainda a um "pseudo sindicato de vigilantes" percorrendo as principais redes de supermercados do Rio, com intuito de demonstrar que os supermercados só podem dar segurança por intermédio dessa máfia. Esqueceu de informar, propositadamente, que o maior número de armas nas mãos dos bandidos foi subtraído desses seguranças "oficiais". Esqueceram mais ainda de que a campanha pelo desarmamento não previu o desarmamento desses seguranças.

Por outro lado, desarmando a população, facilitou-se e aumentou-se a criminalidade, já que o povo não tinha como se defender: os bandidos estavam mais ousados e o policiamento, diminuído. Portanto, os que defenderam essa idéia o fizeram por total ignorância, ou mesmo por interesse em alguma dessas empresas.

O que fica deste episódio é o desgaste das três maiores redes de supermercados do país, vítimas da exploração inescrupulosa de grupos.

(*) Diretor da Cebracan – Câmara das Empresas Brasileiras de Capital Nacional antonioantunes@uol.com.br

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